quinta-feira, 9 de maio de 2013

Vítimas do pastor Marcos Pereira afirmam que estupros eram parte da salvação

Veja

Mulheres contaram à polícia que pastor comandava orgias, mantinha médico particular para realizar abortos e, ao fim dos abusos, ordenava que os participantes pedissem perdão uns aos outrosPâmela Oliveira, do Rio de Janeiro 
Pastor Marcos Pereira com uniforme da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) - Divulgação

Marcos Pereira acreditava na impunidade e beneficiava-se do mesmo mecanismo que permite a estupradores contumazes manter a rotina de abuso contra suas vítimas: o medo. A jovem conta em seu depimento que resolveu denunciar o pastor depois que se casou. Ao saber do relacionamento da jovem com um rapaz, Marcos Pereira tentou separar o casal e chegou a afirmar que os filhos dos dois “nasceriam defeituosos”

Os depoimentos das vítimas que acusam o pastor Marcos Pereira de estupro indicam que o líder da Assembleia de Deus dos Últimos Dias (ADUD) promovia orgias e abusos sexuais como se estivesse salvando as pessoas de espíritos do mal. As violações aconteciam na sede da igreja, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, e em uma residência da ADUD, onde moravam cerca de 30 seguidoras da seita. Uma das vítimas, que contou ter sido violentada pelo pastor dos 14 aos 22 anos de idade, disse que ao se tornar seguidora do pastor Marcos Pereira e começar a usar o “roupão” típico dos fiéis foi muito criticada pela família. Ao ouvir o pastor afirmar que as críticas “eram influência do diabo”, a jovem deixou a casa dos pais e se mudou para a residência da assembleia.

De acordo com o depoimento, prestado no dia 15 de abril de 2013, antes dos estupros o pastor afirmou que estava “vendo um espírito lésbico” na jovem. Depois de algumas conversas, começaram os abusos. Segundo a vítima, Marcos passou “a trazer outros membros da ADUD para participar dos atos sexuais”. Em uma das vezes, um “garoto de programa” participou da orgia, contou ela. Segundo a vítima, o líder da Assembleia de Deus dos últimos Dias “tinha sempre predileção por sexo anal”.

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Medo – Marcos Pereira acreditava na impunidade e beneficiava-se do mesmo mecanismo que permite a estupradores contumazes manter a rotina de abuso contra suas vítimas: o medo. A jovem conta em seu depoimento que resolveu denunciar o pastor depois que se casou. Ao saber do relacionamento da jovem com um rapaz, Marcos Pereira tentou separar o casal e chegou a afirmar que os filhos dos dois “nasceriam defeituosos”.

Outra vítima relatou sequência de abusos cometidos pelo pastor entre 2009 e 2010. Em depoimento prestado no dia 17 de abril de 2013, ela diz que “era forçada a praticar sexo oral e tocar nas partes íntimas” do pastor. Em uma das vezes, conta ela, o líder da ADUD tentou fazer sexo anal, mas não conseguiu. Depois disso, “exigiu que fosse feito sexo oral. Não consegui reagir. Estava aterrorizada”, disse.

Marcos Pereira era figura conhecida no Rio por “salvar” pessoas condenadas pelo tribunal do tráfico e por regenerar criminosos. O medo que as vítimas tinham do pastor, segundo o delegado Márcio Mendonça, evitava que elas o denunciassem. Durante o depoimento, a jovem que foi violentada por oito anos disse que precisou de “muito tempo para ter coragem de denunciar o pastor”. “Temia que acontecesse algo ruim com a minha família. Todos os membros da Igreja têm pelo pastor Marcos um temor reverencial por ele ser o líder espiritual de todos”, afirmou.

Salvação – Outra mulher que denunciou o pastor em março de 2012 disse que Marcos Pereira afirmou que ela precisava de um “conserto espiritual”. No depoimento prestado à polícia, ela conta que o pastor a “encurralava, pegava sua mão e a passava no seu pênis”. Ela contou ainda que viu Marcos Pereira fazendo sexo com outras internas. Com o tempo, ela passou a permitir os abusos porque "entendeu" que tinha de deixar o pastor abusar dele para que “não pecasse com mulheres do mundo exterior”.

O que dizem os depoimentos contra o pastor Marcos Pereira

O pastor estuprava as vítimas com a "desculpa" de que precisavam ser salvas. Uma delas ouviu o pastor dizer que via "um espírito lésbico" a rondando. As vítimas contam que sentiam-se fragilizadas quando eram abordadas pelo pastor. Algumas chegam a se referir à “libertação espiritual”. A Delegacia Especial de Combate às Drogas investiga seis estupros que teriam sido praticados pelo pastor. Ele teve a prisão preventiva decretada por dois estupros. O delegado Márcio Mendonça afirma que outras 20 jovens podem ter sido estupradas por Marcos Pereira.

O pastor estuprava as vítimas com a "desculpa" de que precisavam ser salvas. Uma delas ouviu o pastor dizer que via "um espírito lésbico" a rondando. As vítimas contam que sentiam-se fragilizadas quando eram abordadas pelo pastor. Algumas chegam a se referir à “libertação espiritual”. A Delegacia Especial de Combate às Drogas investiga seis estupros que teriam sido praticados pelo pastor. Ele teve a prisão preventiva decretada por dois estupros. O delegado Márcio Mendonça afirma que outras 20 jovens podem ter sido estupradas por Marcos Pereira.

Uma jovem, que afirma ter sido violentada por oito anos pelo pastor Marcos Pereira, disse durante depoimento em abril de 2013 que ela e o pastor participaram de orgias com outras mulheres e com um garoto de programa. Ela foi estuprada dos 14 aos 22 anos. Ao fim das orgias, o pastor exigia que os participantes pedissem desculpas uns aos outros e confessassem os pecados.

Uma das vítimas conta que o pastor Marcos Pereira “tinha predileção por sexo anal”. Pelo menos quatro mulheres que afirmam ter sido estupradas pelo líder da Assembleia de Deus dos Últimos Dias afirmam ter sido violentadas dessa forma pelo religioso.
Segundo relatos das vítimas, o pastor Marcos Pereira não usava preservativo. Uma delas afirmou em depoimento que o líder da Assembleia de Deus dos Últimos Dias tinha um médico que fazia abortos, quando era necessário.

Uma das mulheres que afirma ter sido estuprada pelo pastor Marcos Pereira disse em depoimento que foi violentada em 2006, na noite em que seu marido foi enviado pelo pastor para “evangelizar as pessoas” em uma favela. Duas seguidoras foram até a casa da vítima e a convenceram a ir até a sede da igreja, onde ocorreu o abuso.

Ex-mulher do pastor, Ana Madureira da Silva, afirmou em depoimento em março de 2012 que Marcos Pereira nunca estudou profundamente a Bíblia e que se baseava em “visões” que dizia ter com o "Anjo do Senhor".

Uma das vítimas afirma ter ouvido o pastor pedir a um traficante identificado como 'Veneno' que explodisse o Estádio do Engenhão. Segundo ela, o pastor recebia e lavava dinheiro do tráfico através da venda de CDs e de DVDs.
A mesma mulher conta que se casou com um fiel e que o líder da Assembleia de Deus dos Últimos Dias “mandou que o marido dela fosse evangelizar as pessoas” em favelas enquanto a assediava. Em 2006, o pastor mandou seu marido para uma favela, à noite. Logo depois, duas seguidoras de Marcos Pereira bateram em sua porta e a convenceram a ir ao encontro do pastor na sede da igreja. Lá, ela foi mais uma vez violentada pelo pastor.

Abortos – As vítimas afirmam que o pastor Marcos Pereira não usava preservativos. Uma delas contou à polícia que o religioso mantinha um médico particular para realizar abortos nas fiéis que engravidavam. Ex-mulher do pastor, Ana Madureira da Silva, também acusa Marcos Pereira de estupro. Em depoimento prestado em março de 2012, ela afirma que “apesar de Marcos nunca ter estudado profundamente a Bíblia, acabou tornando-se pastor”. E que Marcos baseava-se “em visões”.

Ao fim das orgias, o pastor exigia que os participantes pedissem desculpas uns aos outros e confessassem os pecados.

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