sexta-feira, 29 de julho de 2016

A triste sina do PT no Maranhão



Há quem pergunte qual razão para que o PT do Maranhão nunca se reencontre com a urnas, mesmo dentro da estratégia do pragmatismo adotada nos últimos anos.

No Estado, a legenda sempre é usada como moeda de troca para os grandes acordos nacionais. A militância do partido não é ouvida e nunca pode fazer escolhas, conforme a expectativa legítima de construção de um projeto de poder.

Em 2010, por pressão do então presidente Lula, o Diretório Nacional do PT impôs à sua seção maranhense o apoio à candidatura de Roseana ao governo.

O Diretório Estadual do PT-MA havia optado por apoio a Flávio Dino (PC do B) e teve sua decisão anulada.

Em 2006, Lula já tinha apoiado a eleição de Roseana, argumentando que a família Sarney o apoiou durante a crise do mensalão.

Em troca, Roseana apoiara a reeleição de Lula em 2006 e a eleição de Dilma em 2010.

Tudo isso fez a legenda definhar irremediavelmente.

Em 2012, o PT lançou candidato a prefeito em São Luis, o então vice-governador, Washington. Naquela ocasião, o candidato independente do grupo Sarney era Bira do Pindaré, que foi derrotado internamente. Washington havia sindo eleito na chapa de Roseana Sarney, no mesmo clima de subordinação de 2010.

O engraçado é que Flávio Dino, preterido pelo PT, denunciava com veemência indignada a impropriedade da articulação por cima deflagrada por Sarney, para subordinar a legenda.

Agora ocorre situação inversa. O PT tentou candidatura própria para as eleições municipais, rompendo com o grupo de Edvaldo Holanda.

Flávio Dino, com crédito político junto ao PT Nacional, em função da defesa do mandato de Dilma Rousseff, exigiu fidelidade e subordinação, mantendo o legenda no condomínio de Edvaldo. Tudo igualzinho ao Sarney. O ciclo se repete.

Resultado, com o recuo, nem vice de Edvaldo o PT pode mais ser. Roberto Rocha por via indireta trava o sonho do PT e de Bira do Pindaré, numa só tacada. Vai indicando seu filho ao posto de vice de Edvaldo.

E Edvaldo é obrigado a aceitar, senão sai a candidatura de Bira.

E assim o PT do Maranhão segue na sua trista sina de legenda de segunda categoria. O golpe poderia ter produzido outra coisa.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

A Convenção Municipal do PSOL em São Luís





A convenção do Partido Socialismo e Liberdade - PSOL de São Luís ocorreu hoje. Com o ato político formal, o partido dá a largada para participar das eleições de 2016.

O candidato a prefeito é o economista Valdeny Barros. Aline Maria é a vice prefeita. O Partido Comunista Brasileiro - PCB confirmou a coligação e comporá a frente de esquerda.

Os dois partidos aceitam o desafio de apresentar a alternativa de esquerda para a cidade, que padece nos últimos anos com gestões sofríveis.

Além de enfrentar o prefeito Edvaldo Holanda Junior (PDT), que tenta se reeleger, com o apoio de um condomínio de partidos fisiológicos que gravitam em torno do Palácio dos Leões, os dois partidos também terão que enfrentar Eliziane Gama (PPS) e Wellington do Curso (PP).

A diferença entre os três adversários da candidatura do PSOL é mínima e suas contradições são grandes, o que abre espaço para uma alternativa ao eleitorado de esquerda.






O PSOL sustenta seu discurso afirmando o socialismo e a ética, no quadro de profunda crise do sistema político brasileiro. O partido, atuando ao largo dos grandes escândalos que arrastaram um segmento expressivo da esquerda pragmática, é oposição programática aos governos Dino, Dilma e Temer.

Em relação ao último, está engajado no processo de mobilização que denuncia o golpe articulado pela direita, defende a democracia ao mesmo tempo em que se opôs ao ajuste patrocinado pelo Governo Dilma e agora levando a cabo pelo governo Temer.

Dentre suas bandeiras está a mobilidade e a reforma urbanas, temas a partir dos quais formula a crítica às sucessivas gestões que governaram a cidade.






Surge o Movimento por uma Alternativa Independente Socialista - MAIS



Com o racha do PSTU, no dia 23, cerca de 1.200 pessoas, segundo os organizadores, reuniram-se em um clube paulistano para o lançamento do MAIS (Movimento por uma Alternativa Independente Socialista).

O grupo já havia apresentado o manifesto "É preciso arrancar alegria ao futuro", no qual discordava da postura do partido diante da votação do impeachment e chamava a luta contra o governo Temer e por novas eleições gerais'', explicitando suas divergências com a direção nacional do PSTU, que apregoa o "Fora Todos".

O movimento de saída foi significativo (739 militantes, de 20 Estados) e pode se ampliar nos próximos dias, assim como também pode atrair militantes de outras siglas.

A vereadora Amanda Gurgel, de Natal, esteve em São Paulo neste sábado para o lançamento do mais novo movimento de esquerda com os dissidentes. Valério Arcary, histórico militante do PSTU, também está entre os que saem.

Ainda não há confirmação de que o MAIS vai se tornar um partido, mas o grupo já agendou para o início de 2017 uma convenção para decidir os rumos do movimento.

Por enquanto o grupo participará das eleições sob a legenda do PSTU e terá uma postura mais forte em relação às mobilizações em torno do "Fora Temer", não descartando inclusive participação na Frente Povo Sem Medo. 

segunda-feira, 11 de julho de 2016

O Racha do PSTU: "É preciso arrancar alegria ao futuro"


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Nesta quarta-feira (6), um expressivo grupo de dirigentes e militantes do PSTU anunciou seu desligamento do partido.

Entre os signatários do manifesto de rompimento, o respeitado intelectual Valério Arcary e a vereadora potiguar Amanda Gurgel. A sigla, de influência trotskista, elegeu apenas dois parlamentares nas eleições municipais de 2012, dentre eles, a própria Amanda.

No texto do manifesto, um contraponto ao dogmatismo do PSTU, que apoiou o impeachment de Dilma e defende a bandeira do “fora todos”.

Nesse documento, anunciando a ruptura,  720 militantes enfatizam que as divergências cresceram internamente nos últimos oitos meses.

O centro da discussão passa por um debate sobre a necessidade de romper com a marginalidade e o isolamento a partir de um programa ultraesquerdista que nem os trabalhadores estariam dispostos a abraçar.

A conjuntura nacional também reforçou as divergências, com o advento do impeachment. O texto diz:

“Há mais de um ano vínhamos afirmando que era preciso enfrentar, com centralidade, a política de ajuste fiscal do governo Dilma, mas combater também a oposição burguesa que queria derrubá-la apoiando-se em mobilizações reacionárias. Para esta luta, acreditávamos que era necessário construir a mais ampla unidade de ação com todos os setores que estivessem na oposição de esquerda ao governo”.

“Depois que a maioria da burguesia se unificou em torno à proposta de impeachment, a partir de fevereiro de 2016, defendemos internamente que era vital lutar contra esta manobra parlamentar, sem que isso significasse, evidentemente, prestar qualquer apoio político a Dilma. Porque avaliávamos que a derrubada do governo do PT só teria um sentido progressivo se realizada pelas mãos da própria classe trabalhadora, por meio de suas próprias organizações. Ao contrário, se liderada pela oposição de direita, a derrubada de Dilma seria uma saída reacionária para a crise política; deseducaria os trabalhadores em sua tarefa de autoemancipação. A segunda hipótese foi exatamente a que ocorreu”. 

O ponto de ruptura converge com as posições do PSOL e coloca a questão da palavra de ordem "Fora Dilma, Aécio, Temer, Cunha, fora todos eles!", defendida pelo PSTU, como um ponto crítico que impossibilitou a unidade da esquerda brasileira. 

Não comemoramos a fragilização do PSTU e esperamos apenas que a sigla se reencontre para fortalecer nossa unidade, reconhecendo nossas diferenças como parte de um processo que busca o socialismo como utopia orientadora.

O manifesto de rompimento segue abaixo (link http://alegriaaofuturo.com.br/quem-assina/):

"O presente manifesto é assinado por algumas centenas de companheiras e companheiros que no passado fizeram uma aposta militante no PSTU. Temos orgulho de ter dedicado o melhor de nossas forças para essa organização, mas hoje vimos a público comunicar que esta experiência chegou ao fim e que decidimos trilhar um novo caminho. Pertencemos a diferentes gerações, somos veteranos e jovens, mulheres e negros, LGBT's, professores e indígenas, operários industriais e da construção civil, petroleiros e estudantes, ativistas e dirigentes sindicais que constroem a CSP-Conlutas, trabalhadores da saúde e do transporte, desempregados e intelectuais, funcionários públicos e terceirizados.

Há cerca de oito meses, começamos uma batalha por nossas ideias dentro da LIT (Liga Internacional dos Trabalhadores) e sua seção brasileira, o PSTU. Por meio deste manifesto, queremos expressar nossas posições e as conclusões a que chegamos ao longo desse debate.

O que pensamos?

Acreditamos que as dificuldades enfrentadas pelos revolucionários neste início de século 21 encontram sua explicação mais profunda no impacto reacionário da restauração capitalista na URSS, leste europeu, sudeste asiático e Cuba. A ofensiva política, econômica, social, militar e ideológica do imperialismo, os discursos sobre “o fim da história” e a adaptação da esquerda reformista à ordem burguesa não passaram sem consequências. O movimento de massas retrocedeu em sua consciência e organização. E os revolucionários sofreram os efeitos desses anos de confusão e crise.

Mas a história não acabou. A crise econômica mundial de 2007-2008 abriu uma nova situação internacional marcada pela instabilidade e pela polarização política, social e militar. Nesse marco, surgiram fenômenos altamente contraditórios, como a Primavera Árabe, a crise econômica europeia, o conflito militar na Ucrânia, os indignados da Espanha, a ascensão de partidos neo-reformistas como Syriza e Podemos, a crise dos refugiados na Europa, o fortalecimento da direita em várias partes do mundo, as manifestações na Grécia, as lutas antiproibicionistas e pelo direito à cidade encabeçadas pela juventude, o declínio dos governos de colaboração de classes na América Latina, o avanço do fundamentalismo islâmico e cristão, o ascenso da luta antirracista, feminista e antilgbtfóbica no mundo inteiro, as jornadas de Junho de 2013 no Brasil, a guerra civil na Síria, a crise do euro e da União Europeia, o atual ascenso francês e tantos outros.

Assim, a nova situação mundial abre importantes perspectivas aos socialistas. Mas é preciso saber atuar. Acreditamos que a postura dos revolucionários diante da reorganização da esquerda deve ser firme, porém, paciente. Porque o caminho da autoproclamação nos condenaria à marginalidade. Porque sabemos que o isolamento, a condição de minoria e a luta contra vento e maré durante tantas décadas deixaram em todos nós cicatrizes, reflexos sectários que devemos ter a coragem de superar.

Pensamos que a simples apresentação de um programa revolucionário não é o bastante para construir uma organização marxista. O decisivo é que esse programa seja ouvido, que lutemos por ele em cada espaço, que ele seja compreendido e aceito pelas massas e sua vanguarda. Não superaremos a marginalidade com um programa ultraesquerdista, que os trabalhadores não estão dispostos a abraçar, ou que, às vezes, nem sequer compreendem.

No terreno da política nacional, por sua vez, as diferenças não foram menores. Há mais de um ano vínhamos afirmando que era preciso enfrentar, com centralidade, a política de ajuste fiscal do governo Dilma, mas combater também a oposição burguesa que queria derrubá-la apoiando-se em mobilizações reacionárias. Para esta luta, acreditávamos que era necessário construir a mais ampla unidade de ação com todos os setores que estivessem na oposição de esquerda ao governo e, se possível, dar a esta unidade uma forma organizativa: uma frente de luta ou terceiro campo alternativo ao governo e à oposição de direita.

Depois que a maioria da burguesia se unificou em torno à proposta de impeachment, a partir de fevereiro de 2016, defendemos internamente que era vital lutar contra esta manobra parlamentar, sem que isso significasse, evidentemente, prestar qualquer apoio político a Dilma. Porque avaliávamos que a derrubada do governo do PT só teria um sentido progressivo se realizada pelas mãos da própria classe trabalhadora, por meio de suas próprias organizações. Ao contrário, se liderada pela oposição de direita, a derrubada de Dilma seria uma saída reacionária para a crise política; deseducaria os trabalhadores em sua tarefa de autoemancipação. A segunda hipótese foi exatamente a que ocorreu.

Debatemos estas e outras diferenças lealmente durante quase um ano. Não obstante, foi atingido um ponto de saturação. Quando as diferenças se fazem insolúveis, quando a possibilidade de síntese se esgota, quando as discussões se tornam intermináveis e as polêmicas improdutivas, o perigo da desagregação passa a ser maior que tudo. Chegamos à conclusão que o prosseguimento do combate ameaçava com uma ruptura abrupta e desorganizada. Para preservar o maior patrimônio de qualquer organização, seus militantes, optamos por encerrar a luta e oferecer uma saída organizada para a crise. Deixamos o PSTU.

Reconhecemos o PSTU como uma organização revolucionária. Não pensamos que é menos revolucionário agora do que antes. Mas às vezes é impossível aos revolucionários pertencer a uma mesma organização. Apostamos na possibilidade de uma separação amigável, e portanto exemplar, muito diferente das rupturas explosivas e destrutivas que o passado tanto viu. Mantemo-nos, por isso, nos marcos da Liga Internacional dos Trabalhadores, na qualidade de seção simpatizante.

O que queremos?

Ao mesmo tempo em que nos desligamos do PSTU, reafirmamos nossa disposição em continuar a luta pela revolução socialista em uma nova organização nacional. Reconhecemos a ação consciente e organizada como a mais eficaz. Sobre a base do marxismo, da teoria leninista de organização e de toda a experiência histórica do movimento operário e socialista mundial, queremos construir algo novo. Admitimos sem soberba, com sincera humildade e respeito, que não somos os únicos revolucionários no Brasil ou no mundo.

Somos um pequeno ramo da grande árvore do marxismo revolucionário mundial. Reivindicamos as resoluções dos quatro primeiros congressos da III Internacional; defendemos a teoria da revolução permanente e o Programa de Transição de Leon Trotski; nos colocamos a serviço da reconstrução da IV Internacional; abraçamos a herança do trotskismo latino-americano que teve em Nahuel Moreno seu principal dirigente e organizador; defendemos um marxismo ao mesmo tempo rigoroso na utilização dos conceitos e aberto na interpretação dos novos fenômenos; acreditamos que os socialistas devem estar na primeira fileira do combate ao machismo, à lgbtfobia e ao racismo, principalmente num país que traz na sua história a triste marca de quatro séculos de escravidão e que é um dos que mais mata mulheres e LGBT's no mundo; vemos a revolução socialista, em primeiro lugar, como processo de autoemancipação dos trabalhadores, com a classe operária à sua frente; entendemos que o revolucionário é, em primeiro lugar, um rebelde, e por isso o regime interno de uma organização marxista deve se caracterizar tanto pela disciplina na ação, quanto pela ampla liberdade de discussão, e que esses dois aspectos não são contraditórios, mas sim complementares e inseparáveis.

Rejeitamos qualquer tentativa de reeditar, trinta anos depois, a experiência reformista do PT, como faz hoje a direção majoritária do PSOL. A redução da luta de classes à luta parlamentar, as alianças com os setores supostamente progressivos da burguesia nacional, a transformação dos deputados, senadores e prefeitos em figuras todo-poderosas, que só devem satisfações a si mesmos – tudo isso já foi feito. E fracassou. Não trilharemos este caminho.

Sabemos que a degeneração política do PT e a corrupção de seu aparelho alimentam uma saudável desconfiança entre os lutadores jovens que não querem ser manipulados como a vanguarda da geração anterior. Aos milhares, os ativistas se perguntam como controlar suas próprias organizações. E têm razão! Porque o tempo da ingenuidade e da credulidade nos líderes precisa ficar para trás. Queremos uma organização em que não haja lugar para os arrivistas, os oportunistas, para aqueles que querem obter vantagens e benefícios pessoais. Queremos entre nós os despojados de pretensão, os desapegados de ambição, os desprendidos de vaidade.

A luta é aqui e agora

O maior desafio de nossas vidas, o sentido de nossa militância, é a realização e o triunfo da revolução socialista brasileira. A classe trabalhadora e o povo oprimido devem se elevar à altura do combate que a história convoca. Treze anos de governos do PT demonstraram de forma irrefutável que a estratégia de regulação do capitalismo através de minúsculas reformas social-liberais conduziu o país a um verdadeiro desastre. A direção do PT é a primeira responsável pela tragédia que se abate hoje sobre a classe trabalhadora brasileira. Lula e Dilma traíram o sonho dos trabalhadores, enterraram-se a si próprios e abriram o caminho para Michel Temer e Henrique Meirelles. A verdadeira libertação dos explorados e oprimidos passa, portanto, pelo combate à conciliação de classes promovida pelo PT e pela retomada de uma estratégia de ruptura revolucionária da ordem.

A crise e posterior falência estratégica do PT, tão evidentemente demonstrada nas jornadas de Junho de 2013 e no episódio do impeachment, colocam para a esquerda marxista brasileira o dilema de sua própria crise, de sua própria marginalidade, de sua própria fragmentação. Os calendários eleitoral e sindical não comportam mais as lutas que vêm ocorrendo. É preciso uma saída estratégica. É nesse sentido que precisam trabalhar os marxistas revolucionários.

Mas as lutas dos explorados e oprimidos não podem esperar. Elas estão ocorrendo aqui e agora. Para que elas sejam vitoriosas, precisam ser cercadas da mais profunda solidariedade, em torno a elas deve ser construída a mais ampla unidade.

Essa unidade na ação prática, na luta comum, passa hoje, em nossa opinião, pela bandeira do Fora Temer, quer dizer, a luta contra o governo de plantão e suas medidas. Sem a unidade dos movimentos sociais combativos em torno a essa tarefa decisiva, corremos dois perigos. O primeiro é que o impulso de todos esses enfrentamentos parciais se disperse, pela ausência de uma estratégia geral comum. O segundo é que os combates específicos sejam apropriados pela direção do PT em seu projeto de voltar ao poder com uma nova candidatura Lula. Ou seja, a velha chantagem do mal menor. A maior tarefa da esquerda anticapitalista, portanto, é abrir o caminho para outra saída política. E ela pode ser construída desde já. Nenhum dos partidos e organizações da esquerda combativa pode hoje, por si só, oferecer esta saída.

Para ser efetiva, essa saída precisa ser construída de fato por todas as correntes e organizações combativas do movimento social, por todos que desejam sinceramente conformar esse terceiro campo alternativo da classe trabalhadora.

Defendemos a unidade deste terceiro campo também nas eleições municipais de 2016. Propomos ao PSTU, ao PSOL, ao PCB, às organizações políticas que não possuem legalidade e aos movimentos sociais a construção de uma Frente de Esquerda e Socialista, com um programa de ruptura com os planos de ajustes que são aplicados por todos os governos e prefeituras. Nos colocamos desde já a serviço dessas grandiosas tarefas.

Queremos, enfim, construir uma organização que resgate a grandeza e a integridade do projeto socialista; uma organização que seja digna da memória daqueles que vieram antes de nós e entregaram suas vidas na luta pela igualdade social; uma esquerda revolucionária não-dogmática, que não se acomode nas poltronas de couro dos gabinetes parlamentares, mas que combata também o corporativismo e o burocratismo dos sindicatos, que priorize a luta direta das massas, que dialogue com a ampla camada de ativistas surgida no último período, que seja capaz de influenciar verdadeiramente os rumos da luta de classes no país, de inspirar confiança e esperança novamente.

O desafio é gigantesco, mas temos confiança que podemos, como dizia o velho poeta Maiakovski, “arrancar alegria ao futuro”. É chegada a hora de ousar. Mais do que nunca, é preciso lutar, é possível vencer.

Os assinantes do presente manifesto convidam também a todas e todos para o ato nacional de lançamento da nova organização, que ocorrerá no dia 23 de julho, sábado, na cidade de São Paulo. Horário e local a confirmar.

Viva a luta dos explorados e oprimidos do mundo inteiro! Viva a revolução! Viva o socialismo!"


Assinam:

São Paulo



Aldo Sauda Alessandra Fahl Cordeiro Alex Henrique Alex Raval Alexandre Fusco Aline Klein Amanda Menconi Amanda Souza Ana Carolina Morais Ana Clara Toni Ana Lara Pereira Ana Lucia Marchiori André Azem André Foca André Ramiro Andresa Santos Antonio Francisco Ferreira (Ferreirinha) Antonio Junior Antonio Pereira Arielli Tavares Arthur Valente Be Mosken Beatriz Benetti Beatriz Linzmayer Bento Damaceno Bernardo Boris Beth Lima Bruna Alem Santinho Bruna Quinsan Bruno Alves Bruno Siqueira Cadu Dall'agata Caetano Caio Dias Garrido Caio N. Abreu Camila Ferreira Camila Lisboa Carla Pradini Carlos Daniel “CD” Toni Carol Coltro Carolina Freitas Cathiene Domingos César Augusto Chantal Liegeois Cíntia Senhora Cláudia Souza Daiane de Fátima Curi Daniel Danilo Zanelato Dayana Teixeira Diego Vilanova Doni Silva Edgar Fogaça Edgar Passos Edson Silvério Eduardo Casteluci Eduardo Loeck Elber Almeida Eli Moraes Eliana Nunes Eliana Penha Elisângela Rodrigues Ernesto Roberto Korda Evelyn Everaldo Becker Everton Bertucchi Fabiana de Abreu Fabiana Salander Amaral Fábio Lopes Fabio Masselani Fabio Resende Fabio Torres Fabiola Calefi Fátima Fernandes Fátima Guimarães Fausto Fernando Esteves Filipe Augusto Flávio Stonewall Francisco Noronha de Oliveira Fransergio Noronha Friza Gabriel Casoni Genilda Souza Genivânia Gilberto Souza Gisele Falcari Gisele Peres Gisele Rosa Giulia Castro Glauber Girotto Gláucia Ferreira Gleice Barros Guarulhos Guilherme Pupo Guirá Borba Gustavo Linzmayer Gustavo Viana Helena Duarte Marques Hélio Konishi Henrique Canary Henrique Iglecio Hosana Silva Iara Larissa de Deus Dantas Iracema Santos Isabel Fuchs Isolda James de Paula Janaína Oliveira Jaqueline Quadros Jean Dias Jefferson Dias Jéssica Augusti Jessica Marques Jéssica Milaré João Daniel João Gabriel Tury Joao Pedro Buzalski João Ricardo Machado João Zafalão Joel Paradella Jorgiana Lozano José Perestrelo Josué Ribeiro Lima Joyce Camila Joziel Santos Jucinaldo Azevedo Juliana Donato Karina Lourenço Larissa Vasques Leandro Olímpio Leonardo Knijnik Leonardo Knijnik Letícia Alcântara Letícia Pinho LG Porfírio Lheô Shiroma Lígia Carrasco Lígia Lopes Gomes Lincoln Schwingel Lisa Costa Lívia Puglia Lourdes Quadros Lucas Almeida Lucas Brito Lucas Milanez Luciana Nogueira Luísa Daher Luisa Davola Luiz Fernando Cassanho – Barba Luiz Tombini Luma Feboli Lurdinha Pavam Manuela Moraes Marcela Carbone Marcelo Calorio Marcio V Bottini Marco Aurélio Marco Lopes Marcos Vinícius Simões Mari Mendes Maria Alves Maria Aparecida Silva Maria Carolina Maria Lobato Maria Luiza Ferreira Maria Tereza Moro Mariana Caetano Mariana Medeiros Mariana Percia Mariana Soléo Marina Sassi Martha Piloto Mateus Fávero Matheus Maurício Félix Mauro da Silva Inácio Mauro Puerro Mayara Conti Michel Torres Miguel Minos Murilo Magalhães Natália Borges Natália Sierpinski Natalício Santos Nelson Novaes Noraldino de Castro Neto Ovídio B Vieira Ozzi - Stephano Azzi Pamela Cristina Patricia Aun Patricia Lima de Oliveria Paula Nunes Paula Pascarelli Paulo Aguena “ Catatao” Paulo Bosso Pedrão - Pedro Cursio Pedro Augusto Nascimento de Almeida Pedro de Azevedo Pierre Fernandez Rafael Bedóia Rafael Emídio Rafael Santos Raira Coppola Raiza Rocha Raphael Guedes Raquel Galino Raquel Reis Renan Renata Belzunces Renata Contesini Renatão - Renato Bento Luiz Renato Fernandes Renato Pavam Ribeiro de Azevedo Ricardo Ricardo Monteiro Richard Araújo Rita G Brarros Rodolfo Soares Moimaz Rodrigo Corrêa Rodrigo Maluf Rodrigo Ricúpero Roger Reis Ronaldo Mota Rosa Araujo Rosemar Silva Rubens Sandra Esteves Shuellen Peixoto Silvia Ferraro Sirlene Maciel Solange cruz Soraia Neves Stella Susana Antunes Tales Machado Tamires Chorban Tati Ribeiro Tatiana Queiroz Thaís Zappala Thaize Chagas Thales Migliari Thiago Alves Thiago Leal Thiago Mahrenholz Thomaz Campacci Valdemir Cerqueira Valério Arcary Vanessa Madeira Vanessa Monteiro Vânia Helena Venâncio Cesar Favero Verena Victor Akira Victor Bicalho Victoria Ferraro Lima Silva Vilson Antonio Fiorentin Vinícius de Matos Vinicius Pereira Vinícius Zaparoli Vivian Alves Waldo Mermelstein Xandy Araújo Yuri Lueska

Rio Grande do Norte

Amanda Gurgel Andreza Kaylyny Artur Emiliano da Cruz Gomes Emy Magalhães Felipe Nunes Geni Laís (Luci) Gustavo Sixel Juary Chagas Juliana Augusto Luana Soares Lucas Alvergas Maurício Moreira Vitor Hugo Vittor Gois

Ceará

Adriana dos Santos Aloísio Macedo Ana Angélica Ana Cecilia Alencar Andreysson Silva Mariano Antonio Alves Pereira Artemis Martins Aruska Patricia B. Santos Beth Freire Camila Chaves Cindy Brandão Silvério Cláudio Ferreira do Nascimento Coulbert Antônio Fargnoli Daniel Furtado Domingo Neto Emmily Amorim da Silva Erico Bernardo Euclides Agrela Evannia Benjamin Fabio José Queiroz Fernando Castelo Branco Flavio Patricio Francisco Corredor Clesiberto Francisco de Assis Silva Araújo Francisco Edneudo Francisco Ednilson de Freitas Fred Bruno Gabriela Ruiz George Bezerra Germano Wicla Teixeira Gilberto Sales Henrique Eduardo Barroso Moreira Herbert Saboia Hildo Régis Iara Lopes Oliveira Isabel Cristina de Freitas lima Italo Coelho Alencar Jane Mara Ximenes Sousa Jane Raysan Jarir Pereira José Antonio Bento José Antonio Ribas José Benone José Naldo José Pereira Sousa Sobrinho Jovania Portela Lara Borges Lucas Ribeiro Lucélio Morais de Sousa Luís Cláudio Silva Luis Eduardo Luis Guilherme Luiz Fabrício Manoel Farias Manoela Freitas Lino Marcel Lima Cunha Marco Antonio da Silva Pereira Maria de Santana Costa Maria Helena Maria Rute Araujo Freitas Natalia Ayres Natalia Lídia Nericilda Rocha Nestor Bezerra Niagara Vieira Soares Cunha Nilziane Bezerra Ribeiro Ohana Alencar Pâmela Paulo Paula Farias Pedro de Aquino Pedro Renan Santos de Oliveira Rafael Raone Raimundo Rodrigues Dico da Cruz Ramó Alcantara Raquel Dias Renata Jatai Roberto da Paz Rute Thiago Celestino da Silva Thiago Chaves Sabino Valdir Alves Pereira Wildon Batista Silva Zeuza Maria Freitas Lima A. Rodrigues Alessandro Reinaldo Augusto Nobre Edson Xavier Filipe Dantas Ítalo Aquino João Adolfo Bandeira Luana Villar Maria Almeida Petrônio Alencar Roberta Rocha Zuleide Queiroz

Rio de Janeiro

Adriano Carmelo Alexandre Vander Velden Artur Peccin Badauí Jorge Carol Birrer Carol Burgos Cintia Teixeira Clara Saraiva Dharani Coppola Diego Gouveia Diego Soares Elena Veríssimo Fael Miranda Gabriel Ferreira Gabriel Vilaça Gibran Jordão Gilberto Mira – Gil Igor Dantas Isabela Blanco Ivanilda Reis Julia Almeida Katinha Ferreira Leandro Santos Leonam Carvalho de Souza Marcia Paula Macedo Michelle Capone Moara Souza Natalia Conti Natália Russo Patrick Galba de Paula Rafael de Aquino Renan Costa Paes Thomas Vidal Vicente Saraiva Daniel Tomazine Marcello Bernardo Thalles Leopoldo Adérson Bussinger Carvalho Alexandre Aguena Beto Della Santa Danielle Sampaio Diogo Oliveira Gustavo Fagundes Higson Coelho Natália Tuler Nayara Assunção Rodrigo Noel Saint Clair Luiz do Nascimento Neto Samantha Souza Sonara Costa Viviane Ramos Palma Andrey Bertolo Gizelya Morais Ione Carvalho Jean Michel Karolina Nycz Lucas Souza Mateus Ribeiro Miguel Frunzen Tamiris Rizzo Thais Brito Valéria Docillio

Minas Gerais

Adnalva Alves Agatha Rotelli Alexandre Zambelli Andressa Moreira Baiano Bernardo Lima Carine Martins Carla Alvim Daniel Wardil Davi Landau Denisia Aparecida Diego David Edson Salles Efraim Moura Elida Filipe Raslan Geralda Maria Gloria Trogo Isabela Pennini Izabella Lourenço John Anderson Lirian da Consolação Livia Furtado Lucas Ferreira Luiza Diniz Marcio Diogo Maria Aparecida de Oliveira Maria da Conceição Matheus Almeida Nelson Junior Pedro Valadares Rayane Guedes Suely Maria Aline Vieira Ana Emilia Carvalho Arthur Duarte Felipe Fonseca Felipe Valente Gustavo Campos Lorene Figueiredo Mariana Almeida Patricia Duarte Patricia Mafra Tallia Sobral

Rio Grande do Sul

Adriele Albuquerque Alexandre Wood Altemir Cozer Ana Laura André Simões Artemi Fagundes Chico da Silva Davi Dietrich Deborah Xavier Diego Braga Felipe Pereira “Fefo” Hilda Dobal Mara Souza Maria Helena Martina Gomes Matheus Gomes Morghana Benevenuto Pedro Oliveira Rodrigo Bocão Sarah Arnold Tanisi Rocha Vinícius Lima William Boenavides William Gonçalves Geovanna Dutra “Gika” Jeferson Cavalheiro Douglas Alves

Pará

Abel Ribeiro Alexandre Favacho Altobelly Rosa Amanda Ferreira Andréa Neves Angela Azevedo Ápio Dias Cleide Santos Danilo Costa Emerson Monte Érica Ferreira Fabrício Braga Gizelle Freitas Glailson Santos Ítalo Laredo Josyanne Quemel Juliana Damasceno Luana Paranhos Luiz Henrique Maria de Fátima de Aguiar Guilherme - Fafá Marlon George Moacir Miranda Norma Affonso Paulo Braga Paulyane Ramos Rodrigo Gomes Rogério Freitas Socorro neves Sueny Moura Tais Ranieri William Mota

Bahia

Abraão Penha Ana Luísa Martins Ana Paula Medeiros Anderson Carvalho Carlos Zacarias Caroline Sales Dalton Francisco Elson Sampaio Felix Gabriela Mota Gil Daltro Gleide Davis Gustavo Mascarenhas Marques Henrique Saldanha Jean Montezuma Jeciné Nascimento Joallan Rocha Josias Porto Lana Bleicher Maurício wiering Marcos Vinicius Ribeiro Monique Carneiro Priscila Costa Rafael Guimarães Renata Mallet Roseli Afonso Vladimir Arce Wellington Gardin Zózina Almeida André Freire Beatriz Fernandes Carlos Nascimento Elisa (Isa) Gonçalves Matheus Quadros Pedro Porfírio Cristina Santos Danilo Santana Davidson Luís Brito Karen Oliveira

Alagoas

Adriano Diamarante Adrícia Bonfim André Albuquerque André Pedrosa André Praxedes Beatriz Santos Brunna Moraes Davi Menezes Delanisson Araujo Eduardo Santos Elisa Alves Ellen Morais Elson Lima Ewerton Souza Felipe Sales (Bata) Fernanda Macêdo Francisco Alberto Gabriel Santos Geice Silva Geysson Santos Gustavo Leão Hammel Phillipe Hitallo Viana Jaison Xanchão João Lima Júlia Farias Jully Ramos Keise Brito Laise Pereira Larissa Oliveira Léo Bulhões Luciane Araújo Paulo Bob Raffaela Gomes Reinaldo Luna Rhary Oliveira Rodrigo Cruz Saulo Theotônio Shirlya Lima Tâmara Marie Vitória Santiago Whendell Magalhães Wibsson Ribeiro Yuri Lira

Pernambuco

Aldo Lima André Brenner André Oliveira Bruna Bezerra Diogo Xavier Everton Melo Ewerton Cunha Filipe Gondim Iris Rodrigues Ismael Feitosa José Cosme Kaline Rebeca de Lemos Malaquias Nise Santos Pedro Viegas Rafael Baltar Raissa Bezerra Rebeca Gondim Thiago Pereira Santos Victor Soares

Paraná

Gabriel Paiva Márcia Farherr Nicolas Pacheco Afonso Reno Alisson Matins Bete Candido Carla Cobalchini Débora Santos Eliane Graciano Elita Moraes Eric Gil Evandro Castagna Januza Borba Jéssica Miranda José Carlos de Assis Karen Capelesso Letícia Faria Marcello Locatelli Marcos Vinicius Mariane de Siqueira Marília Lauther Mateus Magalhães Paula Alvarenga Paulo Amaral Rodrigo Tomazini Bia João Jorge Maurício Pedro Ângelo Felipe Ponte Laercio Lorena Tom Fuzetto

Brasília

Ademar Lourenço Ana Maria Libório Antonio de Castro (Toni) Clara Martins Clarissa Araújo Edson Alexandre Gabriel Otavio Jadson Lima José Gonçalves (Jacó) Karine Alfonseca Luana da Costa (Negra Lua) Magno Pereira Marylia Alves Mayara Castro Mychel Sousa

Maranhão

Ailton Penha (Magrão) Ana Paula Martins Ana Raíssa Rodrigues Bianca Diniz Cássia Millene Gilvan Azevedo Jheny Maia Luiz Chaves Noleto Maria Dolores Silva Maria Rosane Torres Micael Carvalho Regina Sheila Bordalo Rielda Alves Serginaldo Lima

Sergipe

Bergson Marinho Cilene Santana Danilo Campos Erílio Bispo Michelle Félix Raquel Sousa Toeta Valéria Lezziane Victor Hugo Costa Zeca Oliveira

Santa Catarina

Bruno Zabot Pacheco Luiz Felipe Zimmermann Matheus Silva Nicollas de Souza Silva Victor Wolfgang Kegel Amal “ Ambev” Vitor Rollin Prudêncio “ Xuxa” Vitor Santos

Amazonas

Rao Leminski Williamis Vieira

Piauí

Gisvaldo Oliveira Ramses Pinheiro Renato Rodrigues

Goiás

Daniel Kraucher Deyner Batista Felipe Nicknig Hemanuelle Jacob Herick Araújo Pedro Henrique Martins

Amapá

Ailton “Mão” Alinne Brito Cynthia Diniz Marcão

Paraíba

Janaína Bezerra Marcelino Rodrigues

Espírito Santo

Janaína Agra

Eleições de São Luis: como era de se esperar

Nos últimos dias, dois elementos de conjuntura que influenciarão as eleições em São Luís.

O primeiro, a declaração do secretário estadual de Comunicação e Articulação Política do governo Flávio Dino, Márcio Jerry (PCdoB), anunciando por meio de sua conta pessoal do Twitter que o governador do Maranhão, apoia três candidatos a prefeito na capital maranhense: Edivaldo Holanda Júnior (PDT), Eliziane Gama (PPS) e Bira do Pindaré (PSB).

Por esse prisma, o deputado Wellingon do Curso (PP) estaria fora do condomínio, embora venha crescendo nas pesquisas. Esse deputado compôs a coalização que apoiou Flávio Dino para governador e nos últimos meses vem desenvolvendo carreira solo na Assembleia Legislativa, tecendo críticas contundentes ao prefeito Edvaldo Holanda Junior (PDT).

Por que Wellington não é menos confiável do que Eliziane Gama para Flávio Dino não me pergunte.

Na verdade, o governo não tem interesse agora numa possível aproximação com Wellington por vários motivos: não tem grupo, não tem posição política definida a respeito de quase nada. É uma incógnita.

Dino sabe que o prefeito Edvaldo Holanda está em dificuldades, por isso buscou ampliar o leque de possibilidade para manter vivo seu projeto político. Não me pergunte também que projeto político é esse, porque a sociologia política ainda está estudando esse curioso percurso eleitoral. Só para ter uma pequena amostra das contradições desse projeto, Eliziane (PPS) e Bira (PSB) são filiados a partidos políticos que apoiam o golpe contra Dilma Roussef, ardorosamente defendida por Dino.

O segundo elemento de conjuntura foi o resultado da plenária de tática eleitoral do PT de São Luís. Apesar do rapapé em favor da candidatura única, manteve-se a previsão pessimista em relação à recuperação ideológica do partido. Neste domingo, a sigla resolveu aderir à candidatura de Edvaldo Holanda Junior, descartando a possibilidade de candidatura à esquerda.

A plenária simplesmente confirmou que o PT não tem mais condições, em muitos Estados, de retomar o projeto político propriamente de esquerda. No Maranhão, continuará sendo um satélite do conservadorismo que já levou à deposição sua presidenta da República. 

Engolido pelo fisiologismo do PCdoB e esvaziado de qualquer conteúdo ideológico, a legenda tende não apenas a desparecer eleitoralmente mas ideologicamente. 

Do ponto de vista prático, não há ainda alternativa política na Capital. Depois de um ano e sete meses de Governo Dino, até a polarização com o grupo Sarney parece hoje sem sentido profundo, tão semelhantes são as práticas políticas e até as estratégias de permanência no poder.

Por essa razão insistimos em construir um campo político independente, de fato.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Dia de Exú






SANTO ANTÔNIO

O racismo costuma pensar a religião do povo como simples apêndice das religiões oficiais ou dominantes. É a visão etnocêntrica de conquista.

Santo Antônio não é o santo casamenteiro por simples acaso ou influência européia. Seu correspondente sincrético no terreiro é Exú, a entidade encarregada de ligar o mundo dos espíritos ao mundo material, sendo responsável também pelas ligações amorosas.

E a fogueira para Santo Antônio também está inscrita no panteão africano ritual, porque Exú é o dono do fogo.

A festa junina incomoda certos segmentos religiosos fundamentalistas exatamente porque não é apenas ritmo e dança. É também a narrativa sub-reptícia de uma crença que se impôs para além do controle e da repressão dominante.

Quando for festejar, pense no arraial não apenas como palco de apresentações inofensivas das elites maranhenses. Ele na verdade é um território de disputas onde ocorre a guerra surda pela afirmação da identidade.

domingo, 12 de junho de 2016

A sucessão em São Luís: uma leitura de campo

Não há nada de novo nas pesquisas para a sucessão à prefeitura de São Luís.

Os candidatos que se apresentaram até agora não sugerem qualquer mudança fundamental de gestão ou de visão da política. São conservadores, que fazem a política tradicional.

Diríamos que essas candidaturas sequer dialogam com o cenário de esgotamento da politica no Brasil. Eles são parte do problema, para falar a verdade.

Os campos nos quais se inserem essas candidaturas podem ser descritos dessa forma:

a) o campo evangélico fundamentalista e golpista, alinhado com o governo de Michel Temer e seus satélites políticos;

b) o campo evangélico fundamentalista indiferente ao golpe, alinhado com o Governador Flávio Dino e seus satélites políticos;

c) o conservadores golpistas, de oposição ao governo Flávio Dino.

Esses três grandes campos políticos estão submersos na estratégia do financiamento privado de campanha, que deu origem à crise ética em curso. De uma forma ou de outra, suas plataformas de campanha são dependentes de estruturas politicas de mandato. Um deles inclusive luta pela reeleição.

Não analiso pesquisas, mas apenas cenários. Existe um vazio para pelo menos dois campos, que ainda não se apresentaram com definitividade:

a) o campo político progressista, laico e de oposição ao governo Temer, alinhado ao Lulismo e seus equívocos aliancistas, bem como ao Governador Flávio Dino;

b) o campo político socialista, laico, de oposição aos governos Temer e Dino e crítico ao Lulismo.

Esses dois campos acima detalhados podem convergir ou um deles simplesmente pode se diluir.

Como esse vazio será preenchido depende de vários fatores. O mais esperado é que a população entenda que São Luís não aguentará mais um governo de descalabro. Soluções que orbitam em torno do mesmo pecado original precisam ser rechaçadas.






sábado, 11 de junho de 2016

A frente única de resistência da classe trabalhadora


Cansei de ouvir que um dos maiores desafios da esquerda no Brasil é a unidade.

Acredito que é inútil esperar por ela, diante de diferenças de pensamento tão grandes. A começar pela própria noção de democracia e a função eleitoral dentro dos sistemas democráticos.

De resto, será sempre difícil compor um campo eleitoral com partidos que rejeitam a chamada democracia "burguesa" e convivem contraditória e esquizofrenicamente com ela.

O processo de impeachment aprofundou essa divisão, introduzindo mais nuances para divergências sem sentido profundo para a classe trabalhadora e o eleitorado de esquerda.

No auge da crise, o PSTU colocou como política fundamental o “Fora Todos e Eleições Gerais”, mesmo que a consigna termine sendo funcional tanto para as alas da direita que defendem o impeachment, quanto para as que defendem a cassação da chapa Dilma-Temer, via TSE, e antecipação das eleições.

O processo de mobilização de onde fala esse controverso campo político também cindiu-se: de um lado, a CSP-Conlutas, no "Espaço Unidade de Ação", liderada pelo PSTU e movimentos alinhados; Frente Povo Sem Medo, liderada pelo MTST e setores hegemônicos do PSOL, incluindo Insurgência e MRT. Do outro lado desse campo, a Frente Brasil Popular, reunido os movimentos sociais governistas, tais como a CUT, UNE, CTB e MST, além dos partidos de sustentação do governo Dilma (PT e PCdoB).

O PCB, posteriormente, aderiu à Frente Povo Sem Medo.

O PSTU e as tendências internas do PSOL, MES e CST continuam basicamente reproduzindo a mesma análise, desconhecendo a questão da correlação de forças e reforçando a Operação Lava Jato.

Para nós, a política do Fora Todos é uma fórmula funcional à direita da FIESP, do partido Judiciário e da Rede Globo. As eleições gerais, por outro lado, dão legitimidade ao golpe, na medida em que institucionalizam a ruptura do mandato presidencial. Não é por acaso que o Movimento Brasil Livre (MBL) de Kim Kataguiri, aplaude o PSTU, cada dia mais efusivamente.

Não existe hoje nenhuma mobilização independente e de massas da classe trabalhadora para tirar o governo do PT pela esquerda, justificando o Fora Todos, como primeiro ato de uma irrealizável insurreição geral. A greve geral, retórica persistente de um determinado ideário trotkista mecanicista, também faz parte deste receituário simplista e ingênuo. Eleições, nesse momento preciso de franco avanço da direita seria um desastre irreparável.

É uma aventura lançar a política de “Fora Todos” em um momento em que a correlação de forças está marcada por atos dirigidos pela direita, que lidera amplamente a mídia, a classe média alta das grandes cidades e o próprio sistema de justiça. Até hoje as pesquisas indicam o amplo apoio ao impeachment e sequer a maioria da população compreende bem porque Dilma Roussef caiu.

A classe trabalhadora de modo geral não foi para as manifestações do Fora Todos, atos que se restringiram a um punhado de militantes, vide o primeiro de abril.

A tarefa de frente única contra o golpe busca reforçar a resistência contra a onda conservadora, colocando a classe trabalhadora contra a direita e não a serviço dela. A experiência das Frentes não pode ser interpretada como primeiro passo para coligações eleitorais sob pena de confundirmos movimentos sociais de massa com partidos políticos. O divisionismo sectário confunde as duas coisas.

As Frentes apenas dão unidade pontual à resistência e pretendem impulsionar os movimentos de rua contra o governo Temer, mesmo que sob consignas diferentes (a FPSM/democracia; FBP/volta Dilma), reunindo os setores mais avançados da classe trabalhadora.

Não compreender a complexidade desse momento histórico, inclusive de disputa real da base social da esquerda e do eleitorado progressista, é cavar o próprio isolamento.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Sair da crise pela esquerda

A crise econômica é crise política também.

Não há nenhuma solução para a crise econômica fora do campo da política. E a política tradicional no Brasil não pode oferecer saídas consistentes para essa crise, uma vez que ela própria é parte da crise, que insiste em se reproduzir melancolicamente.

Sim, porque a política no Brasil da crise é a política corriqueira e trivial, a qual aderiu o projeto petista, que agora está sendo cuspido por ela, depois de fazer seu jogo.

O golpe parlamentar em curso é composto por diferentes setores da sociedade cujo mediador universal é fluido: a onda conservadora. Mas a intuição para defenestrar o PT e aliados do poder contudo não é suficiente para garantir a coerência interna desse desarticulado conjunto. 

Por isso, achamos que o golpe não está concluso, nem seu projeto de poder. Os vazamentos continuam esgarçando o governo Temer, embora o arcabouço judicial esteja praticamente sedado agora.
Daí que seguem as movimentações Lulistas por um novo arranjo institucional que não apenas garanta o retorno de Dilma Roussef, mas a governabilidade de seu mandato.

Tais movimentações soam tão nefastas quanto a própria onda conservadora em curso. Eu diria que são um apêndice dela, porque dependem de um cenário onde as velhas raposas da política seriam salvas do naufrágio.

Setores da esquerda enraizaram-se tão profundamente na política tradicional que sua militância nem sonha o que articulam na calada da noite. No chão das manifestações, contudo, sobressaem palavras de ordem singelas e vitimistas, tais como: Volta Dilma! - cuja função parece ser apenas ofuscar o espaço da autocrítica.

Se a autocrítica requer espaço próprio para se realizar (sob pena de emprestar munição para a direita), contudo ela não pode simplesmente ser relegada para o último plano das reflexões, legitimando antigas práticas políticas fisiológicas.

É disso que falamos quando conclamamos o eleitor de esquerda a fazer a ruptura com esse estado de coisas. Sem esse gesto de coragem jogaremos fora uma oportunidade única de construir alternativas legítimas para derrotar a onda conservadora e seus apêndices.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Organizações de Direitos Humanos foram barradas em Pedrinhas


Detentos dividem cela lotada no presídio de Pedrinhas, em São Luís (Foto: Mario Tama/Getty Images)
Imagem: http://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2015/01/fotos-mostram-vida-de-detentos-e-detentas-no-presidio-de-pedrinhas.html

A Sociedade Maranhense de Direitos Humanos – SMDH, a Justiça Global e a Conectas Direitos Humanos, entidades signatárias da denúncia contra o Estado brasileiro, por conta das violações de direitos humanos em Pedrinhas, foram impedidas de entrar no complexo semana passada, dia 01 de junho.

As peticionárias foram proibidas de realizar inspeção nas unidades denominadas CDP (Centro de Detenção Provisória), PSL 1 e PSL 2 (Presídio São Luís 1 e Presídio São Luís 2), integrantes do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, todas objeto das Medidas Provisórias emanadas pela Comissão de Direitos Humanos e pela Corte Interamericana. 

No CDP (Centro de Detenção Provisória), a entidades foram informadas pelo diretor daquele estabelecimento prisional,  Sr. VALTER ESTEVAM SERRA JÚNIOR, de que não teriam autorização de ingresso visto que um suposto ofício ou portaria de autorização de ingresso das peticionárias estaria sem validade. 

Mesmo sendo informado de que ainda está em vigor a portaria de Nº 40/2014 da SEJAP, que regulamenta o ingresso das peticionárias no interior da unidade, o referido diretor se limitou a comunicar que a decisão partira do Secretário Adjunto de Segurança Penitenciária, notadamente o Sr. JOÃO FRANCISCO RODRIGUES e que se estenderia para todas as unidades, razão pela qual as atividades de inspeção foram suspensas. 

Estranhamente, o momento da inspeção coincidiu com ocorrência de forte explosão no interior da Unidade denominada CDP (Centro de Detenção Provisória), seguido de cheiro de fumaça, provavelmente em razão de lançamento de bomba de efeito moral. 

As entidades, ao comunicar a obstrução à Corte Interamericana, alegaram que há forte clareza de que o Estado Brasileiro violou determinações esculpidas nas Medidas Provisórias do “Complexo Penitenciário de Pedrinhas”,  notadamente em relação ao itens 2 e 4:

 Item 2 - Requerer ao Estado que, mantenha os representantes dos beneficiários informados sobre as medidas adotadas para implementar a presente medida provisória.

Item 4 - Solicitar aos representantes dos beneficiários que apresentem as observações que considerem pertinentes ao relatório requerido no ponto resolutivo anterior dentro de um prazo de quatro semanas, contado a partir do recebimento do referido relatório estatal. 

É incrível como depois de tanto tempo Pedrinhas continua vivendo à margem das normativas internacionais de direitos humanos, além do que continua a descumprir frontalmente a Lei de Execução Penal brasileira.

A nota pública das entidades pode ser lida abaixo.


NOTA PÚBLICA 

Organizações de direitos humanos têm entrada barrada em Pedrinhas Na quarta-feira (01/06/2016), os representantes das entidades peticionárias junto à OEA foram impedidas de ingressar no sistema penitenciário de Pedrinhas. 

A justificativa de diretores foi a de que "a documentação das peticionárias estava vencida". Embora se argumentasse que a jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos em relação aos presídios de Urso Branco e o de Araraquara obriga o Estado brasileiro a dar acesso aos peticionários de ações relativas ao sistema prisional na OEA, manteve-se o argumento frágil de "desatualização" dos dados. 

Reiteramos que a ausência de liberdade das entidades de direitos humanos nas dependências das unidades do Complexo de Pedrinhas é uma grave afronta por parte do Estado não apenas a essas entidades, mas aos presos, que, muitas vezes, reconhecem apenas nelas a possibilidade de denunciar as violações que ocorrem dentro do sistema prisional. 

A Corte Interamericana de Direitos Humanos, em Resolução do ano de 2006, entende ser direito dos peticionários de ingressarem livremente em qualquer espaço do estabelecimento prisional a fim de monitorar os locais de privação e a possível adoção de medidas para o cumprimento das decisões do sistema interamericano de direitos humanos. 

Em relação ao Brasil, especificamente, existe uma jurisprudência da Corte Interamericana sobre o dever do Estado de conceder acesso pleno a monitores de direitos humanos, conforme, por exemplo, suas resoluções sobre as prisões de Urso Branco e Araraquara. 

Não importa quais os meios formais adotados pelo Estado para regulamentar o ingresso das peticionárias, contando que não criem óbice ao livre ingresso das peticionarias. No caso do Maranhão, o ingresso das peticionárias foi regulamentado pela Portaria de nº 40/2004 2 da SEJAP, não havendo razão para a obstrução, que apenas confirma a ausência de transparência na gestão dos presídios e o temor de que as entidades tenham acesso a uma realidade de plena e afrontosa violação de direitos humanos. 

Por tudo isso, lamentamos que o atual Governo do Estado, por intermédio de sua Secretaria de Administração Penitenciária, apesar de respondendo a um processo junto à Corte Interamericana de Direitos Humanos, ainda repise os antigos e graves equívocos que os coloca na contramão da atuação das entidades de defesa dos direitos humanos e impeçam o monitoramento das recomendações adotadas por aquele Corte Internacional.

Sociedade Maranhense de Direitos Humanos 

Conectas Direitos Humanos 

Justiça Global 


São Luís, Rio de Janeiro e São Paulo, 06 de junho de 2016

É golpe mas parece que eles gostam mesmo é dos golpistas

Nós do PSOL ficamos esperando mudanças na esquerda que deu sustentação ao governo Dilma. Afinal, eles reclamam tanto do golpe e acusam tanto a direita (boa parte dela composta de ex-aliados) de golpistas que até pareciam sinceros.

É a hora de reconfigurar a esquerda, repensar o presidencialismo de coalizão e as velhas práticas de cooptação parlamentar fisiológica. É hora de repensar a representação política, aprofundar a democracia direta, ampliar os espaços de controle social da gestão e dos orçamentos. Sobretudo, é preciso religar a utopia do socialismo com a ética política. Isso será possível apenas quando houver um projeto de poder de esquerda, efetivamente.

Eles sabem que em 2016 teremos um ensaio do que será o Congresso Nacional em 2.018. Também será uma prévia das eleições presidenciais futuras. A onda conservadora não é apenas uma marola, como diria Lula. Ela tem força suficiente para cassar o mandato de Dilma Roussef. E se ela escapar (o que é  muito difícil), não terá condições de governar.

Toda a preparação ideológica do golpe e seus sinais evidentes não foram capazes de produzir uma guinada tática nessa esquerda domesticada. É incrível como eles estão sem rumo, completamente adormecidos pelo pragmatismo imbecil.

Toda a movimentação em torno das coligações continua a reproduzir o mesmo ciclo perverso da capitulação ideológica. Não há projeto de poder para essa esquerda. Eles sucumbiram à direita e não pretendem lutar por nada além do pacto das elites brasileiras.  É só olhar o que estão fazendo na capital e nos municípios mais populosos do Estado.

Eles não fazem a autocrítica, querem liderar toda a esquerda, apresentando os mesmos nomes problemáticos para a retomada de uma trajetória ideológica que se perdeu no tempo. Isso não é socialismo. É puro narcisismo.

Já é possível dizer, salvo algumas exceções em alguns Estados, que essa esquerda não terá condições de liderar um processo de rebelião contra a onda conservadora. Eles são parte dela, e a operação Lava Jato se encarregará de colocar a pá de cal nesse projeto.

Aqui no Maranhão, está cada vez mais claro que a defesa do governo Dilma, levada a cabo pelo governador Flávio Dino, nada tinha de ideológico. Era apenas um jogo para viabilizar um nome para a sucessão do legado petista.

O governador continua atolado nos seus compromissos de direita, fazendo o jogo dos partidos conservadores, inclusive com aqueles que estiveram à frente do golpe parlamentar. A principais lideranças eleitas pelo governador são golpistas e já tramam a sucessão pela direita, constatando que a barca do petismo afundou irremediavelmente.

A continuar nesse diapasão, teremos em 2018 um congresso pior do que o atual. Nichos de resistência surgirão pela força moral do PSOL, juntamente com quem se aproximar desse protagonismo insurgente de alguns poucos, apoiados pela base social da esquerda progressista, pela juventude e pelos movimentos sociais.

Nós não fizemos coro com a direita nos ataques ao PT e seus aliados, mas nunca abrimos mão da crítica aos seus governos. Construímos uma plataforma crítica pela esquerda mas sabemos que nesse lado não há espaço para a autocrítica. Eles caminham fatalmente em direção ao iceberg. E da morte no gelo será preciso surgir outra esquerda.


O que o governo Dilma fez (e não fez) para garantir o direito à terra e áreas para conservação?

 ISA

Quarta-feira, 01 de Junho de 2016

O ISA publica a partir de hoje série de reportagens com balanço da política territorial do governo Dilma. Você vai saber mais sobre o que foi feito, nesses cinco anos, para oficializar Terras Indígenas, Unidades de Conservação, Territórios Quilombolas e Assentamentos de Reforma Agrária. Texto de hoje traz dados e análises sobre Terras Indígenas.

O governo da presidente afastada Dilma Rousseff é frequentemente criticado por ser um dos que menos fez, nos últimos 30 anos, pelos assentamentos de reforma agrária e as áreas protegidas – Terras Indígenas (TIs), Unidades de Conservação e Territórios Quilombolas. Os números confirmam essa realidade. A paralisação no reconhecimento dessas áreas, segundo os especialistas, guarda relação direta com os acordos firmados por Dilma com sua base parlamentar fortemente ruralista.

Mas se o desempenho no setor foi tão baixo, o que precisamos defender?

Para responder a essa pergunta, entre esta e a próxima semana, o ISA publica uma série de quatro reportagens especiais para avaliar o impacto dos atos do governo Dilma sobre o reconhecimento de assentamentos e áreas protegidas. Abaixo você confere um balanço, com opinião de quatro especialistas, do que a gestão de Dilma fez e não fez pela demarcação de Terras Indígenas.
Poucas Terras Indígenas reconhecidas

Os dados não deixam dúvidas: no governo de Dilma Rousseff, apenas 21 TIs foram homologadas, 25 TIs foram declaradas e 44 TIs foram identificadas e delimitadas – segundo dados monitorados pelo ISA. O processo de demarcação de TIs é complexo e demorado, envolvendo várias etapas e órgãos, desde a Fundação Nacional do Índio (Funai), até a Presidência de República, passando pelo Ministério da Justiça. (Veja como é a demarcação).

Quando o assunto é homologações, a última etapa da demarcação de TIs, os atos da presidente Dilma Rousseff ficaram restritos à região em que estão 98% das TIs já demarcadas, a Amazônia Legal. Das 21 TIs homologadas só uma está no centro-sul do país, onde os conflitos são mais intensos: a TI Piaçaguera, do povo Guarani Ñandeva, com 2,7 mil hectares, no litoral sul do estado de São Paulo. A caneta de Dilma trabalhou mais nos anos de 2012 e 2015, que tiveram um total de sete decretos de homologação cada. Em 2014, ano de reeleição, nenhum decreto foi assinado.


Já as TIs declaradas pelos ministros da Justiça José Eduardo Cardozo e Eugênio Aragão chegaram à marca de 25. Dessas, 15 estão dentro da Amazônia Legal, a maioria no Amazonas, e outras 10 fora dela: três em São Paulo, três no Rio Grande do Sul, duas no Mato Grosso do Sul e duas no Ceará.

Entre abril e maio de 2016, Aragão assinou quase o mesmo número de portarias declaratórias que seu antecessor, Cardozo, que ocupou a pasta por mais de cinco anos: foram 12 de Aragão contra 13 de Cardozo.

Para Sonia Guajajara, da coordenação da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), as medidas responderam à mobilização indígena em Brasília na mesma semana em que ocorreu a votação da admissibilidade do impeachment de Dilma no Senado. “Na semana passada, todos os processos estavam paralisados. Com a nossa vinda aqui, eles se sentiram pressionados”, avaliou Sonia, ao final do Acampamento Terra Livre.

No dia 20/5, um grupo de organizações indígenas, indigenistas e ambientalistas, entre elas o ISA, lançaram a campanha “O governo é provisório, nosso direito é originário!” contra a ameaça de revogação, pelo governo interino de Michel Temer, dos últimos atos de reconhecimento de TIs da gestão de Dilma.
Terra Indígena, só com autorização da presidente

O desempenho da Funai também oscilou: a maior parte das portarias de identificação e delimitação de terras foi publicada entre 2011 e 2013, com uma diminuição sensível em 2014 e uma retomada entre abril e maio de 2016. Essa irregularidade acompanhou as mudanças na direção do órgão: em cinco anos, foram cinco presidentes, dois deles interinos. E não faltaram denúncias de que o órgão estava sendo impedido de realizar sua função constitucional de reconhecer Terras Indígenas.

As reclamações começaram já no final de 2011, quando o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) apontou que a constituição de Grupos de Trabalho para iniciar novos processos de demarcação pela Funai estaria submetida à aprovação de Dilma (leia aqui). Em 2013, foi a vez da ex-presidente interina do órgão, Maria Augusta Assirati, denunciar que a Casa Civil e o Ministro da Justiça estariam intervindo politicamente na tramitação dos processos e paralisando o trabalho do órgão (relembre).

Às vésperas do afastamento de Dilma, o então presidente da Funai, João Pedro Gonçalves da Costa, assinou nove portarias de identificação de TIs, boa parte no Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul – onde os conflitos com interesses ruralistas são maiores (confira o placar de demarcações deste ano). A última portaria, da TI Dourados-Amambaipeguá I, área de 55 mil hectares, já enfrenta a oposição de fazendeiros da região sul de Mato Grosso do Sul.

Aluísio Azanha, advogado e cientista social que trabalhou na Funai entre 2007 e 2015, identifica esse atos como um dos pontos positivos de atuação do órgão no governo Dilma, mas pondera: “Se citamos como positivos a delimitação de TIs do povo Guarani no Mato Grosso do Sul (Panambi-Lagoa Rica, Iguatemi-Pegua I, Ypoi-Triunfo e Dourados-Amambaipeguea I) temos que reconhecer que diversas outras terras em estágios mais avançados nesse estado, não tiveram continuidade em seus processos, como é o caso das Tis Sombrerito, Arroio-Korá, Taquara, Yvy Katu, Ñanderu Marangatu, Guyraroka – sobretudo, por razões judiciais”.

Azanha também destaca os esforços para retirar invasores de TIs já regularizadas, inclusive por governos anteriores, caso das TIs Marãiwatséde (MT), Awá (MA) e, recentemente, TI Apiterewa (PA), mas com poucos avanços fora da Amazônia Legal, em razão do baixo orçamento da Funai, carência de técnicos e resistência dos ocupantes não indígenas.
Mãe do PAC

Mesmo tendo estado no foco das demarcações de TIs no governo Dilma, a Amazônia não passou incólume. Grandes projetos hidrelétricos, como Belo Monte, no Rio Xingu, e o Complexo Tapajós, ambos no Pará, parte do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), foram as meninas dos olhos de Dilma, considerada a “mãe” da iniciativa.

A TI Sawré Muybu, do povo Munduruku (PA), que é uma das áreas que serão afetadas pelas cinco hidrelétricas que o governo quer construir no Tapajós, foi cenário de diversos conflitos no período – e de reclamações dos Munduruku sobre seu direito à consulta prévia, livre e informada sobre projeto, garantida pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Além de descumprir o tratado, o governo Dilma chegou a publicar, em 2013, um decreto colocando a Força Nacional para acompanhar estudos de impacto ambiental e garantir que eles fossem feitos no prazo. Para os Munduruku, espera: os estudos de identificação de Sawré Muybu, mesmo prontos desde 2013, só saíram em abril de 2016.

Adriana Ramos, coordenadora do Programa de Política e Direito Socioambiental do ISA, lamenta que os direitos indígenas tenham ficado à mercê de negociações políticas no governo Dilma, levando à demora na conclusão de demarcações que sequer tinham impedimentos.

“É sempre bom destacar que algumas das terras declaradas e homologadas constavam das condicionantes de obras como Belo Monte – e mesmo assim demoraram desnecessariamente para ser formalizadas”, critica Ramos. Esse é o caso da TI Cachoeira Seca, homologada em abril de 2016 após 30 anos de luta do povo Arara e que deveria ter sido efetivada seis anos atrás, antes do início das obras de Belo Monte (saiba mais).

Já o antropólogo Luis Donizete Benzi Grupioni, da Rede de Cooperação Amazônica (RCA), ressalta que a presidenta lançou mão de uma política de desenvolvimento obsoleta para a Amazônia, revelando desinteresse em atualizar a matriz energética do país e em olhar para desafios como o das mudanças climáticas.

“Dilma rifou os direitos dos índios”, Luis Donizete Benzi Grupioni

“Dilma rifou os direitos dos índios. Sua concepção atrasada de desenvolvimento e justiça social alimentou uma velha concepção de que índios e meio ambiente são entraves para o progresso e um problema para as grandes obras de infraestrutura. Pouco se fez para conter a violência contra os povos indígenas, que atingiu níveis de barbárie em certas regiões do país. Tratou o direito de consulta como mera formalidade burocrática e usou e abusou de entulho da época militar, ao lançar mão do instrumento de suspensão de liminar para consumar empreendimentos mal planejados em fatos consumados e não consultados. Nunca é demais lembrar que Dilma, em seus anos de governo, esteve formalmente com representantes dos povos indígenas em apenas duas ocasiões: às vésperas da eleição que lhe conferiu seu segundo mandato e no encerramento da I Conferência Nacional de Política Indigenista, quando afirmou que ‘Democracia é demarcação de terras indígenas’. Pena que isso não tenha sido um lema de seu governo”.

Fora da Amazônia

O fato de ter reconhecido mais TIs na chamada Amazônia Legal não é uma exclusividade do governo Dilma. Segundo os dados monitorados pelo ISA, todos os governos desde José Sarney enfatizaram e avançaram mais nessa região.

Para Daniel Pierri, antropólogo do Centro de Trabalho Indigenista (CTI), o fato de, mesmo no apagar das luzes, o governo Dilma ter reconhecido TIs no sul e no sudeste é importante.
Entre essas terras, está Taunay-Ipegue (MS), palco de conflitos com latifundiários há décadas, que levou doze anos para ser declarada como de posse permanente do povo Terena, em maio de 2016.

O pior legado do governo Dilma, segundo Pierri, está em ter aberto caminho para ataques frontais aos direitos indígenas no Legislativo e no Judiciário. "O governo Dilma de fato foi bastante nocivo aos interesses e direitos dos povos indígenas, mas não tanto pelos aspectos quantitativos, normalmente citados que não refletem bem as diferenças de contexto em cada periodo. Houve nos últimos anos um ataque frontal aos direitos indígenas, especialmente ao direito à terra", critica.

Ele avalia que a paralisação das demarcações pelo Ministério da Justiça fortaleceu teses conservadoras no Judiciário e lembra a visita feita, em 2013, pela então ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, ao Congresso, munida de um suposto laudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) que questionava as demarcações feitas pela Funai. “Esse gesto desastroso abriu espaço para a CPI da Funai e para o seu desmonte completo que se anuncia mais fortemente com o governo golpista. Se a Ministra Chefe da Casa Civil critica as demarcações e o Ministro da Justiça as paralisa, qual constrangimento teriam o Legislativo e o Judiciário de questioná-las com cada vez mais força?”, questiona.

“Não creio que os indígenas recuarão”, Daniel Pierri

“No apagar das luzes do Governo Dilma, atos demarcatórios de imensa importância foram publicados. O governo golpista anunciou que iria rever esses atos, mas aparentemente começa a perceber o constrangimento a que seria submetido e mudou o discurso. É mais cômodo para eles empurrar com a barriga, como Cardozo fazia. Para que esses atos tenham efetividade, é preciso tirá-los do papel. A figura tenebrosa de Alexandre Moraes à frente do Ministério da Justiça não nos permite a ingenuidade de achar que será fácil, mas a luta dos índios sempre foi e continuará sendo o único instrumento eficaz para isso. Não há outra forma de solucionar os conflitos, senão fazendo avançar esses processos, com a retirada dos não indígenas e devolução das terras para os índios. Qualquer outra solução não será outra coisa que gestão do genocídio. Em alguns contextos, a desintrusão é menos complicada, como em Tenonde Porã, por não contrariar tão diretamente interesses poderosos; em outras, como Taunay-Ipegue, há contraposição direta ao cartel ruralista, ainda mais entranhado no governo golpista do que já era nos governos petistas. Mas, em ambos os casos, não creio que os indígenas recuarão”.


Tatiane Klein e Marília Senlle
ISA
Imagens:

domingo, 22 de maio de 2016

A lógica do golpe no sistema de segurança e nos presídios

As notícias são gravíssimas nos últimas dias, com ônibus sendo incendiados em vários bairros, provocando o recolhimento da frota, por três dias seguidos na Capital.

Mesmo com a grande mobilização da polícia e a intensificação das abordagens nas ruas, o clima de insegurança se alastrou.

Os episódios de violência na região metropolitana repõem a questão da presença das facções no sistema prisional, contrariando a eufórica propaganda governamental sobre um suposto controle dos presídios.

Não há mais como negar que não há controle algum sobre os presídios e que a política de segurança pública adotada não está articulada a um programa mais amplo de combate à violência, com prevenção e inteligência.

Também é preciso dizer: os ataques não estão relacionados a uma suposta ofensiva do governo contra as facções. Líderes das facções andam tranquilamente pelas ruas, sem qualquer monitoramento. Mensagens enviadas por celulares nos presídios não orientam investigações e planos emergenciais de segurança, tudo indica pela política adotada,  que hipertrofia o policiamento repressivo.

No momento em que escrevo essas linhas, mais um ataque a ônibus ocorre no Alto Turu, e 26 adolescentes infratores fogem da unidade de cumprimento de medida socioeducativa do Vinhais, causando novo pânico na população.

O governador já anunciou a vinda da Força Nacional de Segurança, no momento em que faccionados do Bonde dos Quarenta dão ordem para fechar o comércio no bairro do Coroadinho. Tal medida é anunciada hoje pelo mesmo grupo político que há dois anos atrás considerava a presença dessa força militar como simples confissão de incompetência local.

Ficamos tristes, não comemoramos a vitória dos fatos sobre a propaganda de governo. Não apenas a sociedade está perdendo, mas um campo político que deveria estar transformando a realidade do nosso Estado.

Não adianta lutar contra o golpe e reforçar a lógica do golpe. Dilma caiu exatamente por isso. Precisamos de uma concepção de segurança pública que supere a beligerância e a repressão, pura e simples. Essa é a lógica de polícia que está ao lado do golpe: seletiva, antidemocrática e repressiva. Ninguém elege governo de esquerda para continuar experimentando isso.

Desde o início do governo Dino temos notado o discurso facistóide do comando da Segurança Pública. Não avançamos nada em matéria de segurança pública preventiva, policiamento comunitário, participação e controle social do sistema de segurança. Apenas um arremedo da polícia de Alckmim, beligerante, violenta, impermeável aos movimentos de direitos humanos. O governo Dino aumentou incrivelmente os números da letalidade policial, direcionada especialmente aos mais pobres da periferia.

O mesmo ocorre na área prisional. Temos um secretário importado do governo mineiro de Anastasia, fechado em si mesmo, incapaz de dialogar com a sociedade civil, reproduzindo as mesmas mazelas do sistema prisional. O governo Dino anistiou servidores envolvidos com denúncia de corrupção e tortura, fazendo exatamente um movimento de retrocesso na gestão prisional.

De outro lado, tentou, contrariando a opinião das entidades de direitos humanos, vender a imagem de que a separação das facções criminosas por unidades prisionais teria sido obra sua. Aproveitando-se de uma trégua momentânea, quis afirmar uma autoridade inexistente sobre o sistema prisional, manejando números que demonstravam a baixa do número de mortes nas cadeias, resultado da simples separação das facções.

Tudo o mais no sistema prisional foi relegado ao segundo plano, com o abandono da política de ressocialização em larga escala, com o incremento da superlotação, com o agravamento das condições indignas de salubridade do cárcere de forma geral, além do reforço de situações de maus tratos e tortura.

As últimas decisões administrativas apenas cuidavam de restringir cada vez mais os direitos dos presos, tais como visitas de familiares, banho de sol e entrada de alimento. O governo foi gradualmente avançando sobre o limite do tolerável. Era de se esperar uma reação das facções.

A gota d'água ocorreu com a repressão que seguiu à morte do auxiliar penitenciário, no início de maio, na Vila Kiola. O cavalo doido foi solto, espalhando o pânico na cidade. E saber o que pretende o Bonde é mais difícil. Mas que o salve em andamento está relacionado aos presídios, isso está.

Não seria preciso dizer que não se combate organizações criminosas apenas com a força bruta e o discurso de guerra. Corpos deitados ao chão não deveriam orientar a melhor estratégia de defesa da sociedade, inspirada no birô de um ex-juiz com perfil supostamente progressista.

Hoje, podemos dizer de forma objetiva que a máscara caiu. Se o governo Flávio Dino quiser compor um projeto político de resistência contra a onda conservadora no país, deverá repensar o que faz na área da segurança pública e no sistema prisional. Estamos diante da mais pura e escancarada falta de sintonia entre o discurso e a prática.

sábado, 21 de maio de 2016

A Frente Povo Sem Medo em São Luís







A Frente Povo Sem Medo está se estruturando no Estado do Maranhão. Isso é bom, na conjuntura de retrocessos em que vivemos.

Nosso Estado está no coração da esquerda pós-golpe agora e precisa mais do que nunca reconfigurar um campo político de mudança para além do governo Flávio Dino, com a cara da esquerda autêntica, capaz de levar adiante as transformações estruturais que a sociedade brasileira necessita.

Com golpistas, não dá!





Seu primeiro ato de envergadura ocorreu ontem, dia 20 (sexta-feira) e contou com cerca de mil trabalhadores rurais vindos de cerca de 30 municípios do interior do Estado.

A Frente Brasil Popular esteve presente com alguns militantes, PT, PCdoB, CUT e CTB, especialmente. A presença majoritária era de militantes do PSOL e do movimento Redes e Fóruns de Cidadania.

A FPSM é o espaço crítico da esquerda para uma possível reconfiguração da resistência contra o neoliberalismo, diante da perda da capacidade de liderança política do PT.

O PSOL apoia essa Frente porque acredita que agora não se trata de defender o governo Dilma, mas de garantir a permanência da democracia, com os direitos já assegurados pela classe trabalhadora. O governo Temer consegue ser pior do que os governos do PT é já anuncia o pacote de retrocessos políticos, sociais e econômicos, cuja conta será jogada exclusivamente nas costas dos mais pobres.

O PT precisa ser superado agora, por seus erros e por suas ilusões em relação à direita brasileira. Mas o governo Temer também não terá trégua, até que a democracia se restabeleça no país.

As colunas de bandeiras amarelo e vermelho encheram as ruas do centro histórico de São Luís, durante toda a tarde da sexta-feira, encerrando o ato na escadaria da Biblioteca Pública Benedito Leite.

A mobilização conjugou o protesto contra a prisão dos trabalhadores de Anajatuba que lutam contra o cercamento ilegal dos campos naturais e a resistência contra o Governo Temer e suas primeiras medidas recessivas contra a classe trabalhadora.

O Poder Judiciário já decidiu soltar os 3 presos. Nesse sentido, mobilização também comemorou uma vitória parcial sobre a grilagem dos campos públicos. Quanto ao Temer, serão 180 dias de luta e quantos forem necessários até a vitória popular.