sexta-feira, 29 de junho de 2012

A Ilha vai parar de novo




Depois do feriado do dia de São Pedro (29), os arraiais começam a descer o pano. Os bois de orquestra e um cem número de arremedos e distorções da cultura maranhense vão embora. Apesar de tudo, em que pese pequenos núcleos da resistência cultural da orquestra, a cada ano aumentam os grupos alternativos, em franco diálogo com a experiência comercial e alegórica de Parentins.
O dia de São Pedro, na Ilha, ainda é o sinal da tradição que não se deixa morrer. Aqui começa uma das mais belas experiências contra-hegemônica do país. O sotaque da matraca se impõe até o dia 30, onde São Marçal é homenageado, no bairro João Paulo. Vindo dos mais diferentes rincões da ilha, comunidades tradicionais exibem força e tenacidade para cumprir o secular ritual, movidos por uma extraordinária percussão africana e indígena. Não há experiência igual no mundo.
A avenida São Marçal, que corta o bairro, é tomada por milhares de genuínos maranhenses, exibindo extraordinário vigor físico, para suportar a rotina de vários dias seguidos de exibição, dançando uma coreografia exigente, carregando sobre o corpo fantasias pesadas, ou tocando instrumentos rústicos, como os panderões, a cuíca e a estridente matraca.
Ninguém sabe ao certo como a infusão étnica deu origem a um modelo de percussão único, que exige ouvido musical e coordenação de um batalhão de centenas, em muitos casos, de milhares de ritmistas, que se confundem com o povo na rua. Dia 30 é definitivamente o dia.

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