terça-feira, 13 de março de 2012

Sobre a moral de líderes

Depois da derrocada daquilo que deveria ser o  primeiro projeto político democrático-popular no Maranhão, em abril 2009, a oposição ao grupo Sarney não apenas se dividiu, mas retrocedeu.
 A ascensão de Jackson representaria uma longa caminhada de partidos do campo progressista, pelo menos, desde 1989, quando o PDT elege o prefeito da capital do Estado. Aquele projeto, ressalvadas dissensões pontuais, conseguiu fazer a convergência de um bloco histórico capaz de disputar eleitoralmente com a oligarquia.
Além de tantos outros, reputo como um dos mais grave equívocos desse projeto, a formação de uma aliança preferencial com o PSDB - o que ocasionou, num primeiro momento, a cessão dos dois maiores colégios eleitorais do Estado (São Luís e Imperatriz) aos tucanos - a um grupo sem núcleo ideológico consistente. No caso de São Luís, significou o enfraquecimento da sigla PDT, varrido para a periferia da administração municipal e sem nenhuma sinalização de retomada do projeto de poder, anteriormente tido como imbatível na Capital.
As lideranças conservadoras e tradicionais tucanas, acuados pelas sucessivas derrotas eleitorais no plano nacional, também passaram a disputar legitimidade com João Castelo.  No ápice da crise tucana, a filiação de Roberto Rocha ao PSB e as posturas nada belicosas do prefeito Sebastião Madeira, em aberta aproximação com a Governadora Roseana Sarney. Resultado: João Castelo, faz jus ao nome e reina sozinho, encarnando um ideário oposicionista conservador, alinhado com uma oposição nacional sem qualquer perspectivas de futuro (Kassab, criador do PSD, que o diga).
Se para a arquitetura da vitória contra a oligarquia a união das oposições (progressista e conservadora) era uma tese vencedora antes de 2006, hoje não se pode dizer o mesmo. Os enclaves tucanos provocaram o alinhamento automático do governo central com o grupo Sarney na disputa de 2010. Os equívocos administrativos afastaram não apenas alguns aliados, mas também a população. E os aliados tucanos? Fizeram corpo mole, incluindo João Castelo, que mobilizou a Câmara de Vereadores para votar em Roseana. Enquanto o PDT defendeu um projeto de poder hegemonizado por um núcleo ideológico progressista, manteve-se como alternativa real de poder, contra a oligarquia. Fora dessa perspectiva, foi derrotado fragorosamente.
A cassação do governador não teria o condão de arrasar o projeto oposicionista, se o governo Jackson tivesse encarnado realmente um projeto de poder de cunho popular - fruto de sua caminhada histórica. Seus equívocos foram ampliados pela força inquebrantável do sistema midiático à disposição do grupo Sarney, que perdera o governo em 2006, mas não a hegemonia.
Sinais claros da derrota moral das oposições anunciavam-se, antes do pleito de 2010, que deveria ser a grande revanche de uma população indignada. Dois candidatos a governador (Flávio Dino e Jackson) e vários candidatos a Senador (José Reinaldo, Edson Vidigal e Roberto Rocha), dividiram as oposições, entregando, especialmente na disputa pelo Senado, a vitória aos sarneístas antecipadamente. Antes de morrer, Jackson não era mais líder.
E como lideranças não se fazem por acaso, a conjuntura oposicionista é turva e vazia. As disputas intestinas das principais siglas (PDT, PSB e PT) do campo democrático traduzem um barco à deriva. Elas se debatem ante o abraço mortal da sucuri do pericumã, que se aproxima com seus olhos flamejantes.
Hoje, o desafio é maior do que simplesmente construir hegemonias internas a cada um desses partidos, compromissadas com a mudança. É também projetar a unidade para fora, no sentido de formar um novo bloco oposicionista,sob uma nova liderança moral.



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