terça-feira, 23 de outubro de 2012

Policial militar é condenado por crime de tortura


http://imirante.globo.com/noticias/2012/10/23/pagina321737.shtml?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

A tortura foi praticada por vários policiais, não sendo possível o reconhecimento de todos.
23/10/2012 13h32
SÃO LUÍS - O sargento da Polícia Militar do Maranhão, Carlos Antônio dos Santos Melo, foi condenado a quatro anos e oito meses de reclusão em regime semiaberto e a perda do cargo por omissão diante da prática de tortura contra Raimundo Nonato dos Santos Dias, morador do município de Magalhães de Almeida. A decisão unânime é da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA).
No dia 17 de fevereiro de 2001, Dias, após se envolver em tumulto em uma churrascaria naquele município, onde consumia bebida alcoólica com amigos, foi levado à delegacia e lá foi amarrado e torturado por policiais.
Em depoimento, a vítima declarou que reconheceu Jorge Luís Portela de Oliveira, que na delegacia o algemou e colocou vendas em seus olhos e boca. Depois de ser atingido várias vezes com um pedaço de madeira, foi jogado numa cela, molhado com água fria.
A tortura foi praticada por vários policiais, não sendo possível o reconhecimento de todos, uma vez que a vítima estava com os olhos vendados. Na ocasião, o sargento – cuja condenação inclui também a interdição do seu exercício pelo dobro da pena aplicada – se encontrava na delegacia, não adotando, no entanto, nenhuma medida para impedir os atos de tortura.
O Ministério Público denunciou o sargento Carlos Melo, por se omitir diante da prática de tortura, quando tinha o dever de evitá-la e apurar a conduta dos autores. Denunciou também Jorge Luís Portela, por este submeter alguém, sob sua guarda, a intenso sofrimento físico e mental, com emprego de violência e grave ameaça.
No recurso, a defesa alegou falta de provas para a condenação, afirmando que o relato de Dias não pode ser considerado porque ele estava embriagado quando chegou à delegacia tendo ainda rixa com o PM, querendo, por isso, prejudicá-lo.
Para o relator do processo, desembargador José Joaquim Figueiredo, a materialidade do crime está disposta no laudo de exame de corpo de delito e nas fotografias, que mostram diversas lesões no corpo da vítima. Além disso, os depoimentos das testemunhas dão conta das mesmas lesões, conforme laudo da perícia médica.
O relator deu provimento parcial ao recurso, redimensionando a pena aplicada pela Justiça de 1º grau de seis anos e oito meses de reclusão em regime inicialmente fechado para quatro anos e oito meses de reclusão em regime semiaberto. O entendimento foi acompanhado pelos desembargadores Froz Sobrinho e Raimundo Nonato de Souza. Este último substituiu o desembargador Benedito Belo.

“Decretem nossa extinção e nos enterrem aqui”


http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-brum/noticia/2012/10/decretem-nossa-extincao-e-nos-enterrem-aqui.html

Eliane Brum, jornalista, escritora e documentarista (Foto: ÉPOCA)








A declaração de morte coletiva feita por um grupo de Guaranis Caiovás demonstra a incompetência do Estado brasileiro para cumprir a Constituição de 1988 e mostra que somos todos cúmplices de genocídio – uma parte de nós por ação, outra por omissão

ELIANE BRUM
Eliane Brum, jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de um romance - Uma Duas (LeYa) - e de três livros de reportagem: Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo). E codiretora de dois documentários: Uma História Severina e Gretchen Filme Estrada. elianebrum@uol.com.br@brumelianebrum (Foto: ÉPOCA)
- Pedimos ao Governo e à Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas decretar nossa morte coletiva e enterrar nós todos aqui. Pedimos, de uma vez por todas, para decretar nossa extinção/dizimação total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar nossos corpos. Este é o nosso pedido aos juízes federais. 
O trecho pertence à carta de um grupo de 170 indígenas que vivem à beira de um rio no município de Iguatemi, no Mato Grosso do Sul, cercados por pistoleiros. As palavras foram ditadas em 8 de outubro ao conselho Aty Guasu (assembleia dos Guaranis Caiovás), após receberem a notícia de que a Justiça Federal decretou sua expulsão da terra. São 50 homens, 50 mulheres e 70 crianças. Decidiram ficar. E morrer como ato de resistência – morrer com tudo o que são, na terra que lhes pertence.
Há cartas, como a de Pero Vaz de Caminha, de 1º de maio de 1500, que são documentos de fundação do Brasil: fundam uma nação, ainda sequer imaginada, a partir do olhar estrangeiro do colonizador sobre a terra e sobre os habitantes que nela vivem. E há cartas, como a dos Guaranis Caiovás, escritas mais de 500 anos depois, que são documentos de falência. Não só no sentido da incapacidade do Estado-nação constituído nos últimos séculos de cumprir a lei estabelecida na Constituição hoje em vigor, mas também dos princípios mais elementares que forjaram nosso ideal de humanidade na formação do que se convencionou chamar de “o povo brasileiro”. A partir da carta dos Guaranis Caiovás, tornamo-nos cúmplices de genocídio. Sempre fomos, mas tornar-se é saber que se é. 
Os Guaranis Caiovás avisam-nos por carta que, depois de tantas décadas de luta para viver, descobriram que agora só lhes resta morrer. Avisam a todos nós que morrerão como viveram: coletivamente, conjugados no plural. 
Nos trechos mais pungentes de sua carta de morte, os indígenas afirmam: 
- Queremos deixar evidente ao Governo e à Justiça Federal que, por fim, já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência em nosso território antigo. Não acreditamos mais na Justiça Brasileira. A quem vamos denunciar as violências praticadas contra nossas vidas? Para qual Justiça do Brasil? Se a própria Justiça Federal está gerando e alimentando violências contra nós. Nós já avaliamos a nossa situação atual e concluímos que vamos morrer todos, mesmo, em pouco tempo. Não temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui. Estamos aqui acampados a 50 metros do rio Hovy, onde já ocorreram 4 mortes, sendo que 2 morreram por meio de suicídio, 2 em decorrência de espancamento e tortura de pistoleiros das fazendas. Moramos na margem deste rio Hovy há mais de um ano. Estamos sem assistência nenhuma, isolados, cercados de pistoleiros e resistimos até hoje. Comemos comida uma vez por dia. Tudo isso passamos dia a dia para recuperar o nosso território antigo Pyleito Kue/Mbarakay. De fato, sabemos muito bem que no centro desse nosso território antigo estão enterrados vários de nossos avôs e avós, bisavôs e bisavós, ali está o cemitérios de todos os nossos antepassados. Cientes desse fato histórico, nós já vamos e queremos ser mortos e enterrados junto aos nossos antepassados aqui mesmo onde estamos hoje. (…) Não temos outra opção, esta é a nossa última decisão unânime diante do despacho da Justiça Federal de Navirai-MS.
Como podemos alcançar o desespero de uma decisão de morte coletiva? Não podemos. Não sabemos o que é isso. Mas podemos conhecer quem morreu, morre e vai morrer por nossa ação – ou inação. E, assim, pelo menos aproximar nossos mundos, que até hoje têm na violência sua principal intersecção. 
Desde o ínicio do século XX, com mais afinco a partir do Estado Novo (1937-45) de Getúlio Vargas, iniciou-se a ocupação pelos brancos da terra dos Guaranis Caiovás. Os indígenas, que sempre viveram lá, começaram a ser confinados em reservas pelo governo federal, para liberar suas terras para os colonos que chegavam, no que se chamou de “A Grande Marcha para o Oeste”. A visão era a mesma que até hoje persiste no senso comum: “terra desocupada” ou “não há ninguém lá, só índio”.  
Era de gente que se tratava, mas o que se fez na época foi confiná-los como gado, num espaço de terra pequeno demais para que pudessem viver ao seu modo – ou, na palavra que é deles, Teko Porã (“o Bem Viver”). Com a chegada dos colonos, os indígenas passaram a ter três destinos: ou as reservas ou trabalhar nas fazendas como mão de obra semiescrava ou se aprofundar na mata. Quem se rebelou foi massacrado. Para os Guaranis Caiovás, a terra a qual pertencem é a terra onde estão sepultados seus antepassados. Para eles, a terra não é uma mercadoria – a terra é. 
Na ditadura militar, nos anos 60 e 70, a colonização do Mato Grosso do Sul se intensificou. Um grande número de sulistas, gaúchos mais do que todos, migrou para o território para ocupar a terra dos índios. Outros despacharam peões e pistoleiros, administrando a matança de longe, bem acomodados em suas cidades de origem, onde viviam – e vivem até hoje – como “cidadãos de bem”, fingindo que não têm sangue nas mãos.  
+Leia também: Um tragédia indígena+Fotos: Guarani-caiová
Com a redemocratização do país, a Constituição de 1988 representou uma mudança de olhar e uma esperança de justiça. Os territórios indígenas deveriam ser demarcados pelo Estado no prazo de cinco anos. Como sabemos, não foi. O processo de identificação, declaração, demarcação e homologação das terras indígenas tem sido lento, sensível a pressões dos grandes proprietários de terras e da parcela retrógrada do agronegócio. E, mesmo naquelas terras que já estão homologadas, em muitas o governo federal não completou a desintrusão – a retirada daqueles que ocupam a terra, como posseiros e fazendeiros –, aprofundando os conflitos.

Nestas últimas décadas testemunhamos o genocídio dos Guaranis Caiovás. Em geral, a situação dos indígenas brasileiros é vergonhosa. A dos 43 mil Guaranis Caiovás, o segundo grupo mais numeroso do país, é considerada a pior de todas. Confinados em reservas como a de Dourados, onde cerca de 14 mil, divididos em 43 grupos familiares, ocupam 3,5 mil hectares, eles encontram-se numa situação de colapso. Sem poder viver segundo a sua cultura, totalmente encurralados, imersos numa natureza degradada, corroídos pelo alcoolismo dos adultos e pela subnutrição das crianças, os índices de homicídio da reserva são maiores do que em zonas em estado de guerra.  

A situação em Dourados é tão aterradora que provocou a seguinte afirmação da vice-procuradora-geral da República, Deborah Duprat: “A reserva de Dourados é talvez a maior tragédia conhecida da questão indígena em todo o mundo”. Segundo um relatório do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), que analisou os dados de 2003 a 2010, o índice de assassinatos na Reserva de Dourados é de 145 para cada 100 mil habitantes – no Iraque, o índice é de 93 assassinatos para cada 100 mil. Comparado à média brasileira, o índice de homicídios da Reserva de Dourados é 495% maior.  
A cada seis dias, um jovem Guarani Caiová se suicida. Desde 1980, cerca de 1500 tiraram a própria vida. A maioria deles enforcou-se num pé de árvore. Entre as várias causas elencadas pelos pesquisadores está o fato de que, neste período da vida, os jovens precisam formar sua família e as perspectivas de futuro são ou trabalhar na cana de açúcar ou virar mendigos. O futuro, portanto, é um não ser aquilo que se é. Algo que, talvez para muitos deles, seja pior do que a morte. 
Um relatório do Ministério da Saúde mostrou, neste ano, o que chamou de “dados alarmantes, se destacando tanto no cenário nacional quanto internacional”. Desde 2000, foram 555 suicídios, 98% deles por enforcamento, 70% cometidos por homens, a maioria deles na faixa dos 15 aos 29 anos. No Brasil, o índice de suicídios em 2007 foi de 4,7 por 100 mil habitantes. Entre os indígenas, no mesmo ano, foi de 65,68 por 100 mil. Em 2008, o índice de suicídios entre os Guaranis Caiovás chegou a 87,97 por 100 mil, segundo dados oficiais. Os pesquisadores acreditam que os números devem ser ainda maiores, já que parte dos suicídios é escondida pelos grupos familiares por questões culturais. 
As lideranças Guaranis Caiovás não permaneceram impassíveis diante deste presente sem futuro. Começaram a se organizar para denunciar o genocídio do seu povo e reivindicar o cumprimento da Constituição. Até hoje, mais de 20 delas morreram assassinadas por ferirem os interesses privados de fazendeiros da região, a começar por Marçal de Souza, em 1983, cujo assassinato ganhou repercussão internacional. Ao mesmo tempo, grupos de Guaranis Caiovás abandonaram o confinamento das reservas e passaram a buscar suas tekohá, terras originais, na luta pela retomada do território e do direito à vida. Alguns grupos ocuparam fundos de fazendas, outros montaram 30 acampamentos à beira da estrada, numa situação de absoluta indignidade. Tanto nas reservas quanto fora delas, a desnutrição infantil é avassaladora. 
A trajetória dos Guaranis Caiovás que anunciaram sua morte coletiva ilustra bem o destino ao qual o Estado brasileiro os condenou. Homens, mulheres e crianças empreenderam um caminho em busca da terra tradicional, localizada às margens do Rio Hovy, no município de Iguatemi (MS). Acamparam em sua terra no dia 8 de agosto de 2011, nos fundos de fazendas. Em 23 de agosto foram atacados e cercados por pistoleiros, a mando dos fazendeiros. Em um ano, os pistoleiros já derrubaram dez vezes a ponte móvel feitas por eles para atravessar um rio com 30 metros de largura e três de fundura. Em um ano, dois indígenas foram torturados e mortos pelos pistoleiros, outros dois se suicidaram.  
Em tentativas anteriores de recuperação desta mesma terra, os Guaranis Caiovás já tinham sido espancados e ameaçados com armas de fogo. Alguns deles tiveram seus olhos vendados e foram jogados na beira da estrada. Em outra ocasião, mulheres, velhos e crianças tiveram seus braços e pernas fraturados. O que a Justiça Federal fez? Deferiu uma ordem de despejo. Em nota, a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) afirmou que “está trabalhando para reverter a decisão”. 
Os Guaranis Caiovás estão sendo assassinados há muito tempo, de todas as formas disponíveis, as concretas e as simbólicas. “A impunidade é a maior agressão cometida contra eles”, afirma Flávio Machado, coordenador do CIMI no Mato Grosso do Sul. Nas últimas décadas, há pelo menos duas formas interligadas de violência no processo de recuperação da terra tradicional dos indígenas: uma privada, das milícias de pistoleiros organizadas pelos fazendeiros; outra do Estado, perpetrada pela Justiça Federal, na qual parte dos juízes, sem qualquer conhecimento da realidade vivida na região, toma decisões que não só compactuam com a violência , como a acirram.  
“Quando os pistoleiros não conseguem consumar os despejos e massacres truculentos dos indígenas, os fazendeiros contratam advogados para conseguir a ordem de despejo na Justiça”, afirma Egon Heck, indigenista e cientista político, num artigo publicado em relatório do CIMI. “No momento em que ocorre a ordem de despejo, os agentes policiais agem de modo similar ao dos pistoleiros, visto que utilizam armas pesadas, queimam as ocas, ameaçam e assustam as crianças, mulheres e idosos.”  
Ao fundo, o quadro maior: os sucessivos governos que se alternaram no poder após a Constituição de 1988 foram incompetentes para cumpri-la. Ao final de seus dois mandatos, Lula reconheceu que deixava o governo com essa dívida junto ao povo Guarani Caiová. Legava a tarefa à sua sucessora, Dilma Rousseff. Os indígenas escreveram, então, uma carta: “Presidente Dilma, a questão das nossas terras já era para ter sido resolvida há décadas. Mas todos os governos lavaram as mãos e foram deixando a situação se agravar. Por ultimo, o ex-presidente Lula prometeu, se comprometeu, mas não resolveu. Reconheceu que ficou com essa dívida para com nosso povo Guarani Caiová e passou a solução para suas mãos. E nós não podemos mais esperar. Não nos deixe sofrer e ficar chorando nossos mortos quase todos os dias. Não deixe que nossos filhos continuem enchendo as cadeias ou se suicidem por falta de esperança de futuro (…) Devolvam nossas condições de vida que são nossos tekohá, nossas terras tradicionais. Não estamos pedindo nada demais, apenas os nossos direitos que estão nas leis do Brasil e internacionais”. 
A declaração de morte dos Guaranis Caiovás ecoou nas redes sociais na semana passada. Gerou uma comoção. Não é a primeira vez que indígenas anunciam seu desespero e seu genocídio. Em geral, quase ninguém escuta, para além dos mesmos de sempre, e o que era morte anunciada vira morte consumada. Talvez a diferença desta carta é o fato de ela ecoar algo que é repetido nas mais variadas esferas da sociedade brasileira, em ambientes os mais diversos, considerado até um comentário espirituoso em certos espaços intelectualizados: a ideia de que a sociedade brasileira estaria melhor sem os índios. 
Desqualificar os índios, sua cultura e a situação de indignidade na qual vive boa parte das etnias é uma piada clássica em alguns meios, tão recorrente que se tornou quase um clichê. Para parte da elite escolarizada, apesar do esforço empreendido pelos antropólogos, entre eles Lévi-Strauss, as culturas indígenas ainda são vistas como “atrasadas”, numa cadeia evolutiva única e inescapável entre a pedra lascada e o Ipad – e não como uma escolha diversa e um caminho possível. Assim, essa parcela da elite descarta, em nome da ignorância, a imensa riqueza contida na linguagem, no conhecimento e nas visões de mundo das 230 etnias indígenas que ainda sobrevivem por aqui. 
Toda a História do Brasil, a partir da “descoberta” e da colonização, é marcada pelo olhar de que o índio é um entrave no caminho do “progresso” ou do “desenvolvimento”. Entrave desde os primórdios – primeiro, porque teve a deselegância de estar aqui antes dos portugueses; em seguida, porque se rebelava ao ser escravizado pelos invasores europeus. A sociedade brasileira se constituiu com essa ideia e ainda que a própria sociedade tenha mudado em muitos aspectos, a concepção do índio como um entrave persiste. E persiste de forma impressionante, não só para uma parte significativa da população, mas para setores do Estado, tanto no governo atual quanto nas gestões passadas.  
 “Entraves” precisam ser removidos. E têm sido, de várias maneiras, como a História, a passada e a presente, nos mostra. Talvez essa seja uma das explicações possíveis para o impacto da carta de morte ter alcançado um universo maior de pessoas. Desta vez, são os índios que nos dizem algo que pode ser compreendido da seguinte forma: “É isso o que vocês querem? Nos matar a todos? Então nós decidimos: vamos morrer”. Ao devolver o desejo a quem o deseja, o impacto é grande.  
É importante lembrar que carta é palavra. A declaração de morte coletiva surge como palavra dita. Por isso precisamos compreender, pelo menos um pouco, o que é a palavra para os Guaranis Caiovás. Em um texto muito bonito, intitulado Ñe'ẽ – a palavra alma, a antropóloga Graciela Chamorro, da Universidade Federal da Grande Dourados, nos dá algumas pistas: 
“A palavra é a unidade mais densa que explica como se trama a vida para os povos chamados guarani e como eles imaginam o transcendente. As experiências da vida são experiências de palavra. Deus é palavra. (...) O nascimento, como o momento em que a palavra se senta ou provê para si um lugar no corpo da criança. A palavra circula pelo esqueleto humano. Ela é justamente o que nos mantém em pé, que nos humaniza. (...) Na cerimônia de nominação, o xamã revelará o nome da criança, marcando com isso a recepção oficial da nova palavra na comunidade. (...) As crises da vida – doenças, tristezas, inimizades etc. – são explicadas como um afastamento da pessoa de sua palavra divinizadora. Por isso, os rezadores e as rezadoras se esforçam para ‘trazer de volta’, ‘voltar a sentar’ a palavra na pessoa, devolvendo-lhe a saúde.(...) Quando a palavra não tem mais lugar ou assento, a pessoa morre e torna-se um devir, um não-ser, uma palavra-que-não-é-mais. (...) Ñe'ẽ e ayvu podem ser traduzidos tanto como ‘palavra’ como por ‘alma’, com o mesmo significado de ‘minha palavra sou eu’ ou ‘minha alma sou eu’. (...) Assim, alma e palavra podem adjetivar-se mutuamente, podendo-se falar em palavra-alma ou alma-palavra, sendo a alma não uma parte, mas a vida como um todo.” 
A fala, diz o antropólogo Spensy Pimentel, pesquisador do Centro de Estudos Ameríndios da Universidade de São Paulo, é a parte mais sublime do ser humano para os Guaranis Caiovás. “A palavra é o cerne da resistência. Tem uma ação no mundo – é uma palavra que age. Faz as coisas acontecerem, faz o futuro. O limite entre o discurso e a profecia é tênue.”
Se a carta de Pero Vaz de Caminha marca o nascimento do Brasil pela palavra escrita, é interessante pensar o que marca a carta dos Guaranis Caiovás mais de 500 anos depois. Na carta-fundadora, é o invasor/colonizador/conquistador/estrangeiro quem estranha e olha para os índios, para sua cultura e para sua terra. Na dos Guaranis Caiovás, são os índios que olham para nós. O que nos dizem aqueles que nos veem? (Ou o que veem aqueles que nos dizem?)
A declaração de morte dos Guaranis Caiovás é “palavra que age”. Antes que o espasmo de nossa comoção de sofá migre para outra tragédia, talvez valha a pena uma última pergunta: para nós, o que é a palavra? 
Eliane Brum escreve às segundas-feiras.

domingo, 21 de outubro de 2012

Maranhão é o terceiro estado em número de casos de trabalho escravo do país


http://www.oimparcial.com.br/app/noticia/urbano/2012/10/21/interna_urbano,124953/maranhao-e-o-terceiro-estado-em-numero-de-casos-de-trabalho-escravo-do-pais.shtml


Borges Júnior
Publicação: 21/10/2012 09:05
No ranking do estados que apresentam maior índice de pratica de trabalho semelhante a escravidão, levando em conta a ocorrência desse crime no período de 2003 a 2011, o Maranhão ocupa o 3º lugar em número de denúncias (casos), sendo 244 no total.

Se considerarmos o número de proprietários na atual lista suja do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), de 31/07/2012, o nosso estado figura no 4º lugar, com 29 empregadores listados e 555 trabalhadores libertados, ficando atrás de Pará, Mato Grosso e Goiás. A lista é atualizada a cada seis meses.

Entretanto, se levarmos em conta a origem dos trabalhadores libertados dessa situação em todo o Brasil, o Maranhão é disparado o 1º lugar. Informações pautadas em dados do MTE/Seguro Desemprego, mostram que entre 2003 e 2010; 27,6% dos libertados do trabalho escravo no Brasil (6.519 trabalhadores) nasceram no Maranhão.

Para termos uma ideia da importância do que isso representa, a Bahia, 2ª colocada no ranking, teve 1.956 trabalhadores libertados que nasceram lá, representando 8,3% do total. Situação que de acordo com o superintendente regional do Trabalho e Emprego no Maranhão (STRE/MA), Allan Kardec Ayres Ferreira, “envolve a falta de políticas públicas na educação e na geração de emprego e renda na área rural”. Para o superintendente do STRE, “a pobreza absoluta e a falta da educação básica e da qualificação profissional, é que impulsiona o trabalhador para o trabalho análogo ao de escravo”.

“Gatos” em ação


O aliciamento desses trabalhadores vem geralmente por meio dos chamados “gatos” que são pessoas contratadas para convencer o trabalhador a exercer funções em outras localidades, com falsas promessas de excelentes salários e acomodações. Ele funciona como intermédio entre o empregado e o empregador na hora da contratação da mão-de-obra.

“Os trabalhadores recebem uma boa proposta de emprego, feita por um gato (aliciador), pelo gerente ou mesmo pelo proprietário da fazenda. Eles prometem boa remuneração, além de alimentação, ferramentas de trabalho e alojamento bons e gratuitos, porém, ao chegarem à fazenda veem que a situação é completamente diferente”, explica o integrante da CPT do município de Balsas, João Antônio Moreira França.

Ele esclarece ainda que “sob a condição de escravos, os trabalhadores acabam recebendo salário muito abaixo do prometido ou nem recebem, são aprisionados por dívidas, recebem péssima alimentação, água de má qualidade, além de sofrerem ameaças, vigilância armada (pistoleiros) e estarem geograficamente isolados”.

O mesmo levantamento do MPT que mostra que o Brasil tem pelo menos 20 mil trabalhadores em condição análoga à escravidão sinaliza para (52%) de contratos feitos diretamente pelos gatos. Os escritórios de contabilidade aparecem como responsáveis pela contratação de 15% dos empregados. Das dez fazendas que os pesquisadores acompanharam as fiscalizações, seis não haviam registrado os trabalhadores.

Um mergulho na bosta




Muito bem divulgada a foto do Secretário de Saúde do Governo Roseana mergulhando nas águas da praia, em São Luís, acompanhada de suas inocentes netinhas.
Logo após a definição do primeiro turno, o governo anunciou a liberação das praias, após quatro meses de interdição.
A promotoria de Meio Ambiente notificou a SEMA, pois desconhece os laudos técnicos que fundamentaram a decisão de liberar as praias para banho.
Um levantamento realizado em 1993 registrou mais de cem pontos de esgotos poluindo a orla marítima da capital e não há notícias de que este quadro tenha mudado. Existem estudos que mapearam, por outro lado, mais de 150 fontes difusas de lançamento de dejetos, ao longo de uma faixa de 17 km da orla, entre a Ponta do Coqueiro e a Ponta do Olho d' Água. Os cursos de água que desembocam no mar constituem hoje a principal carga poluidora das nossas praias, a exemplo dos rios Calhau, Pimenta, Claro e Rio das Bicas.
Como não há nenhum trabalho sério de despoluição desses córregos - muito pelo contrário - ninguém, nem as próprias autoridades da área, entendeu a mágica muradiana da despoluição instantânea.
Em qualquer ponto da orla, a concentração de 80 mil coliforme fecais, para cada 100 mililitros de água, está presente. Isto representa vinte vezes mais o nível de poluição aceitável para uma praia ser considerada própria para o banho.
O banho de mar em uma praia, nestas condições, representa grande risco de contaminação por doenças infectocontagiosas, como diarréias, febres tifóides e paratifóides, hepatites e amebiáses.
A não ser o mergulho suicida do Secretário, não houve a divulgação de nenhuma explicação satisfatória, incluindo informações mínimas sobre a metodologia de análise e as conclusões de laboratórios envolvidos no processo de decisão que implicou na liberação das praias para banho.


A política é capaz de fazer tudo, mas é importante que o Ministério Público apure com seriedade esse milagre da despoluição instantânea do segundo turno eleitoral. De quebra, o mergulho na bosta pode configurar dois atos sujeitos à criminalização: o de expor a perigo a saúde do povo e o de expor a perigo a saúde de crianças, sob a sua guarda ou autoridade.

Voto-desalento


http://www.ihu.unisinos.br/noticias/514508-voto-desalento


"Mesmo submetido à assepsia limitante da urna eletrônica, que impede os insultos e palavrões, o voto nulo é uma luz que fica muito mais vermelha numa eleição como essa se o somarmos aos votos em branco e às abstenções. Na cidade de São Paulo, os eleitores desalentados, 2.490.513, superaram em muito os dois primeiros colocados da votação válida", escreve José de Souza Martins, sociólogo, em artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo, 14-10-2012.
Segundo o sociólogo, o fenômeno suger "uma crise da representação política e mesmo o declínio dos partidos". Ou seja, "uma parcela ponderável dos brasileiros está tendo seus direitos políticos cassados por falta de um sistema partidário que dê efetivamente conta do que a representação política deveria ser".
Eis o artigo.

A indicação de que cresceu a proporção de votos nulos nessas eleições propõe, mais uma vez, a questão da compreensão do significado do antivoto ou do abandono do título eleitoral para expressar omissão e desinteresse político por uma eleição. Essas variantes do desalento político do eleitorado constituem, provavelmente, a mais interessante revelação da manifestação eleitoral recente, até mais que o rearranjo de posições partidárias que a votação válida indicou. O cansaço do eleitor está indicando, em suas diferentes formas de manifestação, o declínio do homem político e da própria política.

Abstenção, voto em branco e voto nulo parecem indicar uma gradação do desalento dos eleitores, começando daqueles que recusam desde a eleição propriamente dita, passando pelos que recusam os candidatos e partidos disponíveis e chegando àqueles que não só não se identificam com as alternativas oferecidas como se punem, anulando-se como eleitores ao anularem seu voto. Aqui, não é a recusa da cidadania nem a recusa de partidos e candidatos: é a recusa da política propriamente dita através de um gesto que será interpretado corretamente se interpretado como gesto político dos que não encontram abrigo nos canais partidários de expressão política.

É evidente que no interior da categoria dos aproximadamente 15% que se abstiveram nos colégios eleitorais mais importantes do País há desde os que, por idade, estão liberados de comparecer às urnas, como se diz, até os que, tendo mudado de município de residência, não providenciaram a mudança do domicílio eleitoral. Nos dois casos o eleitor preserva seus direitos eleitorais, embora não os exerça. Pode mudar de ideia e votar, como pode, se quiser, providenciar a transferência do título em tempo hábil, processo simples e fácil. Portanto, quem anula o voto não está distante dos que votam em branco nem propriamente discrepa dos que se abstêm.

O voto em branco é um voto cidadão e é por isso voto válido. O eleitor cumpre seu dever, mas nega seu voto aos candidatos disponíveis. O voto nulo já é mais complicado e nem por isso deixa de ser legítima manifestação do eleitor, ainda que deplorável porque expressa uma vontade política que não se materializa em nenhuma mensagem compreensível. O caso recente de sucedâneo do voto nulo foi o da acachapante votação do palhaço Tiririca, que se ofereceu explicitamente como candidato do deboche a deputado federal e foi eleito: "Vote em Tiririca que pior não fica". O eleitorado enviou à Câmara dos Deputados um representante que relembraria a seus pares, diariamente, o que deles pensa o eleitor.

Mesmo submetido à assepsia limitante da urna eletrônica, que impede os insultos e palavrões, o voto nulo é uma luz que fica muito mais vermelha numa eleição como essa se o somarmos aos votos em branco e às abstenções. Na cidade de São Paulo, os eleitores desalentados, 2.490.513, superaram em muito os dois primeiros colocados da votação válida: José Serra (PSDB) teve 1.884.849 votos e Fernando Haddad (PT) teve 1.776.317 votos.
No Rio de Janeiro, a vitória em primeiro turno de Eduardo Paes (PMDB/PT), com 64,6% dos votos válidos, fica muito menos significativa se levarmos em conta que o segundo colocado foi o eleitor desalentado, que não votou em ninguém: 1.472.537 eleitores, uma vez e meia votação do colocado seguinte, Marcelo Freixo, do PSOL.
Em Belo Horizonte, o fenômeno se repetiu. Márcio Lacerda (PSB/PSDB) teve 676.215 votos e foi eleito com 52,6% da votação válida. Patrus Ananias, do PT, teve 523.645 votos, enquanto os eleitores desalentados foram 576.673, segundo colocados.
Em Recife houve um fenômeno parecido. Geraldo Julio, do PSB, foi eleito em primeiro turno com 51,1% dos votos. Mas o segundo colocado, Daniel Coelho, do PSDB (245.120 votos) e Humberto Costa, do PT (154.460 votos), tiveram individualmente menos votos do que o número de eleitores desalentados, 283.279, que nesse caso ficaram em segundo lugar.
Em Salvador, os desalentados foram 589.437 eleitores, mais numerosos que os votos do primeiro colocado, ACM Neto, do DEM, que teve 518.976 votos, e Pelegrino, do PSB/PCdoB, com 513.350 votos.
O mesmo fenômeno ocorreu em Fortaleza, onde Elmano, do PT, teve 318.262 votos, Roberto Cláudio, do PTB, teve 291.740 votos e Moroni, do DEM, teve 172.002 votos. Ali os eleitores desalentados foram 361.211, bem mais do que o primeiro colocado.
Em Porto Alegre, em que Fortunati, do PDT, foi eleito em primeiro turno com 517.969 votos, a segunda colocada, Manuela d'Avila, do PCdoB, teve os votos equivalentes à metade dos eleitores desalentados, que somaram 282.048.

O fenômeno se repetiu, ou quase, em diversas outras capitais e em outros municípios emblemáticos. O que sugere uma crise da representação política e mesmo o declínio dos partidos. Uma parcela ponderável dos brasileiros está tendo seus direitos políticos cassados por falta de um sistema partidário que dê efetivamente conta do que a representação política deveria ser.

sábado, 20 de outubro de 2012

A ministra e a prostituta


http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-brum/noticia/2012/10/ministra-e-prostituta.html

Ao propor “abolir” a prostituição na França, o governo socialista reacendeu o debate, tão velho quanto atual, sobre a quem pertence o corpo da mulher


ELIANE BRUM

Eliane Brum, jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de um romance - Uma Duas (LeYa) - e de três livros de reportagem: Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo). E codiretora de dois documentários: Uma História Severina e Gretchen Filme Estrada. elianebrum@uol.com.br

Quem acompanha a polêmica que se desenrola na França, pode estar se perguntando: por que, a essa altura, a prostituição ainda move tantas paixões? É uma boa pergunta, com muitas respostas possíveis. Se os argumentos contra o sexo pago são bem conhecidos e enraizados na sociedade ocidental, inclusive na brasileira, o debate francês tem sido uma excelente oportunidade para conhecer os argumentos a favor. Manifestos tanto de “trabalhadoras do sexo” como de intelectuais renomados têm invocado questões profundas do nosso tempo: até onde o Estado pode intervir na vida privada, ainda que supostamente “em nome do bem”, é uma delas.
O estopim da polêmica foi uma declaração da ministra dos Direitos das Mulheres e porta-voz do governo da França, Najat Vallaud-Belkacem. Ela afirmou, em julho: “A questão não é a de saber se queremos abolir a prostituição: a resposta é ‘sim’. Mas temos de nos dar os meios de fazê-lo. Meu desejo, assim como o do Partido Socialista, é o de ver a prostituição desaparecer”. Aqui é preciso notar que ela usa o verbo “abolir”. A escolha é proposital: na opinião da ministra, assim como de parte dos socialistas e de parte do movimento feminista, a prostituição é uma forma de escravidão. Logo, não basta proibir – é preciso “abolir”.
Aos 35 anos, bonita, mãe de gêmeos, Najat é dona de uma biografia interessante: nascida em um vilarejo rural do Marrocos, numa família de sete filhos, ela emigrou para a França ainda criança, formou-se em Ciências Políticas na badalada Sciences Po e tornou-se uma ativista dos direitos humanos. Assim que fez a declaração, tornou-se alvo de uma ofensiva das prostitutas organizadas, que saíram às ruas para protestar. Entre elas, uma francesa de 25 anos, pós-graduanda em Literatura, chamada Morgane Merteuil. Secretária-geral do Sindicato das Trabalhadoras do Sexo (Strass), prostituta que atende em domicílio em programas combinados pela internet, ela lançou em setembro um manifesto provocativo chamado: “Liberem o feminismo!”.
Logo na abertura do texto, Morgane diz: “No meu emprego de recepcionista de um bar americano, eu rapidamente me dei conta de que, se eu quisesse ganhar mais de 20 euros por noite, eu teria que fazer sexo oral. Ao refletir, não vi nenhum inconveniente, preferindo fazer isso para pagar meus estudos do que tanto outros empregos piores”.
Em seu manifesto, Morgane acusa as feministas de impor “uma imagem mainstream e burguesa da mulher”. Segundo ela, parte do movimento feminista construiu uma propaganda em torno de um ideal de dignidade e de um modelo de emancipação para a qual “todas as mulheres supostamente deveriam ser irresistivelmente atraídas”. Em contraposição, Morgane defende “um feminismo plural”, que acolha as diferenças entre as mulheres e compreenda que nem todas elas compartilham das mesmas aspirações. A Strass, que Morgane Merteuil representa, chegou a pedir a demissão da ministra Najat Vallaud-Belkacem.
A prostituição tem sido um tema espinhoso tanto para a Esquerda quanto para o feminismo, ao longo da História. É emblemático que essas duas mulheres, a ministra e a prostituta, representantes de seus respectivos movimentos políticos, combatam em campos opostos, quando possivelmente estejam do mesmo lado na maioria dos temas de direitos humanos. Em especial, é bastante revelador que elas se digladiem em campos opostos, mas em nome de um mesmo ideal: a autonomia da mulher.
Antes de continuarmos, vale a pena um parêntese: a prostituição é o ato em que uma mulher adulta vende sexo por escolha própria. Aqui ou na França, as prostitutas ficam furiosas quando se fala em “prostituição infantil”. “Não existe prostituição infantil”, elas dizem. “Se uma criança está transando por dinheiro, ela não está se prostituindo, está sendo estuprada.” Têm toda razão. Há várias violências ligadas ao ato sexual, sobre as quais não há nenhuma discussão: abuso sexual infantil, tráfico de mulheres etc. Estas são consideradas crimes na maioria dos países. Estabelecer essa diferença é fundamental em qualquer debate sério sobre o tema.
Dito isso, a discussão sobre o que é ou significa a prostituição é um campo minado. Por isso a polêmica na França. Para a ministra e os socialistas no poder, a prostituição é uma forma persistente de opressão contra a mulher. Neste olhar, a prostituta é uma vítima da sociedade patriarcal. Nesta relação, o homem abusa do corpo da mulher, colocado no lugar de objeto, e aniquila a sua dignidade. E a mulher, ao estar no papel de prostituta, ocupa uma posição sempre passiva.
Para as igrejas, em especial a Católica, a questão da prostituição é de ordem moral. A prostituta é uma pecadora contumaz. Ainda que possa ser perdoada, é uma mulher decaída que, além de profanar o próprio corpo, usa o sexo para corromper inocentes, conspurcar matrimônios e destruir lares. Ao considerar que a mulher peca ao se prostituir, porém, o olhar religioso pelo menos concede algo de protagonismo à mulher, já que pecar, em geral, é um gesto ativo, ainda que se possa considerar que ela seja induzida ao pecado por um homem mau – ou pelo próprio demônio.
Para parte do movimento feminista – e é importante sublinhar que é parte, porque o tema tem muitas nuances dentro do próprio movimento –, é a sociedade patriarcal que “peca” contra as mulheres. O combate à prostituição ganha conteúdo ideológico explícito e passa a ser tema também da Esquerda, na percepção de que as prostitutas são vítimas do capitalismo: sem condições de exercerem um trabalho digno, por pertencerem às classes mais baixas, as mulheres seriam obrigadas a vender seus corpos. Neste caso, as prostitutas seriam vítimas tanto da sociedade patriarcal, das relações desiguais de gênero, como do capitalismo. Seriam exploradas tanto pelo homem quanto pelo Capital. Esta visão é levada ao campo da política partidária pelas feministas com bastante esforço, já que o mundo da política foi por muito tempo predominantemente masculino – e ainda é. Em geral, o tema é mantido na periferia e raramente chega ao centro, como acontece hoje na França.
O conflito com esses vários olhares se estabelece quando as prostitutas, que até então eram “contadas” e representadas por outros, passam a falar por si mesmas. A partir da segunda metade do século 20, principalmente, elas passam a se organizar e reivindicar protagonismo, tema caro tanto ao movimento feminista quanto à esquerda política. Em suas manifestações, suas líderes dizem algo perturbador: “Eu escolhi ser prostituta”. E, em seguida, passam a reivindicar a regulamentação da profissão e direitos trabalhistas e previdenciários. Não por acaso, se denominam “trabalhadoras do sexo” ou “profissionais do sexo”, anunciando no nome o mundo ao qual pertencem: o mundo do trabalho.

Quando as “vítimas” recusam o lugar de vítima, há um problema. E, claro, o debate torna-se mais complexo e estimulante. Numa provocação às feministas, Morgane Merteuil defende o direito das mulheres muçulmanas de usarem o véu. E combate o que chama de “normalização do sexo”, defendendo também o direito das mulheres que não gostam de sexo e por isso estariam fora do padrão imposto pelas feministas. “Quando uma mulher não se encaixa no modelo emancipado das sociedades ocidentais, ela não é forçosamente uma vítima da dominação dos homens”, diz a prostituta. “Só poderemos qualificar a luta do feminismo como uma luta pela dignidade das mulheres se esta for entendida como uma luta em que cada mulher possa ser considerada digna, independentemente de quais sejam suas escolhas.”
Em uma de suas manifestações, a ministra Najat Vallaud-Belkacem afirmou que as prostitutas na França têm expectativa de vida 40% menor do que as outras mulheres. E declarou: “Não é verdade que as mulheres se prostituem porque querem. Na França, 85% delas preferiam ter outro estilo de vida”. Em contraposição a declarações como esta, as prostitutas francesas poderiam dizer – e têm dito – que o governo socialista deveria atuar para ampliar os direitos e melhorar as condições de trabalho e de saúde das profissionais do sexo, para que a expectativa de vida se ampliasse. Assim como dar alternativas àquelas que prefeririam ter uma outra profissão. Vale a pena lembrar que, se for feita uma pesquisa ampla, talvez o número de descontentes com o “estilo de vida” seja ainda maior em outros tipos de trabalho.
Sobre o tema da prostituição há um filme francês, que talvez ainda esteja em alguns cinemas do Brasil, chamado Elles ( Malgorzata Szumowska, 2011). Nele, Juliette Binoche é a “emancipada” jornalista de uma revista feminina – casada, dois filhos, intelectualizada, moderna, possivelmente de esquerda – que, para fazer uma reportagem, mergulha no universo de duas jovens universitárias que pagam os estudos vendendo sexo. Como sempre acontece numa reportagem, a jornalista precisa fazer uma travessia interna na qual confronta sua vida, sua sexualidade e sua visão de mundo. É um filme corajoso, no qual Binoche, na pele de sua personagem, se expõe às câmeras quase sem maquiagem, em vários sentidos.
Na vida real, entre as peças mais interessantes do debate francês está um manifesto intitulado: “A interdição da prostituição é uma quimera”. O texto é assinado por um grupo de 12 intelectuais e feministas. Entre eles estão a filósofa Elisabeth Badinter, a escritora Régine Deforges, o historiador Georges Vigarello e o cineasta e escritor Claude Lanzmann (que causou polêmica na FLIP de 2011, em Paraty). Eles criticam a posição “abolicionista” do governo e a intenção de penalizar os clientes, com multas e até prisão, como estratégia para reprimir a prostituição. Hoje, são as prostitutas que podem pagar multa e até serem presas se forem flagradas oferecendo sexo em espaços públicos.
O grupo abre o manifesto afirmando: “Se a ministra dos Direitos das Mulheres tivesse anunciado a sua intenção de colocar um fim à escravidão das mulheres pelas máfias da prostituição, todos nós, homens e mulheres, indistintamente, aplaudiríamos essa iniciativa. Essa guerra difícil de se levar adiante parte de um imperativo universal. Ela implica, entre outras medidas, a ampliação dos efetivos policiais, a melhoria na cooperação internacional, uma justiça firme, assim como a proteção das mulheres que denunciam seus cafetões. Este não é, porém, o caso atual. O objetivo de abolir de vez a prostituição sobre o pretexto de terminar com a escravidão sexual é de uma outra natureza. Não se trata mais de um imperativo universal, mas de uma tomada de decisão ideológica que supõe os seguintes postulados: 1) a sexualidade tarifada é um atentado à dignidade das mulheres; 2) as prostitutas são todas vítimas e seus clientes todos canalhas. Estes postulados são eminentemente discutíveis”.
Enumero aqui os principais argumentos apresentados no manifesto por considerar que são ricos para uma reflexão menos redutora sobre o tema da prostituição, mas não apenas dele. Trata-se também de discutir até que ponto o Estado deve intervir na vida privada das pessoas, “em nome do bem” – uma questão muito atual no Brasil de hoje. A seguir, os pontos principais:
1) A dignidade das mulheres não repousa no critério das práticas sexuais. Melhor seria admitir: todas as mulheres não têm a mesma relação com seus corpos, e a questão da promiscuidade pode ser uma livre escolha;
2) Os homens que frequentam as prostitutas não são todos os horríveis predadores sexuais que tratam as mulheres como objetos descartáveis. Estranhamente, ninguém jamais fez menção aos garotos de programa, homossexuais ou heterossexuais;
3) A sexualidade humana varia de acordo com as sociedades. E, dentro de uma mesma sociedade, ela varia com a época e com a classe social. Não há uma razão sequer para imaginar que ela vá se amoldar à utopia de uma sexualidade perfeitamente regulada;
4) A penalização dos clientes não trará a supressão da prostituição. Nem as call girls nem os aliciadores pela internet serão afetados por isso, como prova o exemplo sueco (a Suécia criminaliza os clientes desde 1999);
5) Quem irá sofrer com a punição dos clientes serão as proletárias do sexo, que serão mais do que nunca submetidas à extorsão dos proxenetas, que só se beneficiarão da situação;
6) Em nome de uma concepção abstrata da humanidade, os “abolicionistas” querem impor à sociedade francesa sua escolha ideológica, mas quem pode se autoproclamar juiz desse domínio, que é eminentemente privado?
7) Cada adulto tem o direito de poder fazer ou não fazer o que quiser do seu corpo. Decretar ilegal aquilo que consideram imoral não passa de uma derivação despótica do que seja a visão de “o bem”. O poder político não pode intervir nas práticas sexuais consensuais entre adultos;
8) A prioridade é fazer da luta contra os traficantes de seres humanos uma causa nacional e de achar os meios para isso. Pois é aí que estão o crime e o desafio. Perseguir os clientes é dar uma ilusão de ação, com baixo custo. É ceder à tentação proibicionista, que consiste em tudo esperar da criminalização do consumo. Será necessário combater essa visão, que não fará senão produzir um inferno pavimentado com boas intenções.
A polêmica, que parece tão longe de acabar quanto a prostituição na França ou em qualquer lugar do mundo, é instigante. No Brasil, a questão da prostituição é periférica na política partidária – quando não invisível. O tema é mais visível na ficção – na literatura, no passado, hoje nas novelas. Mas a partir do final dos anos 80 do século XX, no processo de redemocratização do país, as prostitutas passaram a se organizar em todo o Brasil. A Davida, fundada no Rio de Janeiro por Gabriela Silva Leite, uma universitária que escolheu se tornar prostituta, é uma das principais organizações de trabalhadores sexuais. Anos atrás, prostitutas ligadas à ONG criaram a Daspu, uma grife de roupas cujos desfiles têm sido notícia nos principais jornais do país – a “Putique” pode ser acessada pela internet.
No Congresso, um projeto de lei de autoria do deputado Jean Wyllys (PSOL), denominado de “Lei Gabriela Leite”, em homenagem à fundadora da Davida, que ajudou a elaborá-lo, contempla a principal reivindicação das prostitutas organizadas: a regulamentação da profissão. O projeto foi protocolado em julho e possivelmente tem pela frente um percurso difícil, quando não pontilhado por preconceitos. Este é um debate que ainda precisa ser enfrentado no Brasil, não só no Legislativo, mas também na Academia e nas ruas – nas luzes e não nas trevas. O processo histórico já mostrou que a marginalização do sexo pago beneficia as organizações criminosas, que traficam e exploram, e desampara a parte mais frágil – as pessoas.
A prostituição pode ser “um ato sexual tarifado” ou “a transformação da mulher em objeto”, pode ser um “pecado” ou “um ato libertário de transgressão”, pode ser “a apropriação do corpo” ou “a alienação do corpo.” Depende de quem olha. Vale a pena lembrar, porém, que ser prostituta é também um desejo de algumas mulheres – e de alguns homens. E, neste sentido, emancipar-se, tornar-se adulto, é se responsabilizar pelo seu desejo.
Me parece que uma explicação possível para o fato de a prostituição ainda hoje causar tanta controvérsia é o território movediço que é a sexualidade humana, e especialmente a feminina. É importante assinalar que todo o debate francês, embora se cite aqui e ali garotos de programas, travestis etc, é essencialmente um debate sobre mulheres prostitutas. Não por acaso. Ao longo da História, tentou-se normatizar a sexualidade, e especialmente a sexualidade das mulheres, em nome das mais variadas ideias – ou mesmo sem ideia nenhuma. A realidade não se cansa de demonstrar que a sexualidade está para além do controle, há algo nela que sempre escapa. É por isso que a intenção da ministra Najat e do governo socialista de “abolir” a prostituição não passará mesmo de uma quimera.
Eliane Brum escreve às segundas-feiras.

MPF/AM: Justiça Federal determina suspensão imediata de interferências do Exército na implantação do “Luz para todos” em comunidades ribeirinhas da região do Puraquequara


http://www.pram.mpf.gov.br/news/mpf-am-justica-federal-determina-suspensao-imediata-de-interferencias-do-exercito-na-implantacao-do-201cluz-para-todos201d-em-comunidades-ribeirinhas-da-regiao-do-puraquequara

10.10.2012 - Exército vetou indevidamente o acesso à energia elétrica em comunidades contempladas no programa do governo federal
A pedido do Ministério Público Federal no Amazonas (MPF/AM) em ação civil pública, a Justiça Federal determinou em caráter liminar que a União suspenda imediatamente qualquer obstáculo imposto pelo Exército à implantação do Programa “Luz para Todos” nas comunidades ribeirinhas São Francisco do Mainã, Jatuarana e Santa Luzia do Tiririca, localizadas à margem esquerda do rio Amazonas, próximas à região do Puraquequara, em Manaus. Cabe recurso da decisão.
Conforme inquérito civil público instaurado pelo MPF/AM, o Exército vem criando obstáculos à implantação do programa nas comunidades, pois pretende realizar treinamentos de guerra no local, causando prejuízos aos moradores. A decisão liminar ressalta, entre outros pontos, que a instalação da luz é uma “medida urgente, de compatibilização da sobrevivência das comunidades tradicionais com os recursos de educação e saúde atualmente existentes”. Em caso de descumprimento, a União deverá pagar multa diária de R$ 10 mil.
A apuração mostrou que, em outras comunidades tradicionais da mesma região, o Exército só não tentou impedir a instalação da luz porque os moradores aceitaram assinar um documento de concessão de direito real de uso, em termos apresentados de maneira unilateral. A concessão proposta pelo Exército teria a finalidade de regularizar formalmente as ocupações, impondo limites de uso, exploração e de comportamento nas localidades.
De acordo com o procurador da República Julio José Araujo Junior, as comunidades tratadas na ação não aceitaram as condições impostas no documento apresentado pelo Exército, pois estas poderiam afetar os modos de vida das famílias que ali vivem, bem como acarretar sua extinção no futuro. “Como consequência dessa posição, o 'Luz para Todos' não chegou a essas comunidades”, ressaltou.
A área, onde as comunidades habitam há mais de 50 anos, foi doada pelo Estado à União, sem o conhecimento da população tradicional residente, para a instalação do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS) em 1970, por meio da Lei Estadual nº 939/1970.
Imposição indevida - Na ação, o MPF/AM destaca que as comunidades se enquadram nos requisitos necessários para a inclusão no programa federal como a existência de escolas e postos de saúde, conforme previsto no Decreto nº 7.520/2011, que estabelece as diretrizes e aponta os beneficiários do programa. Para o MPF, o Exército, que não tem qualquer atribuição para decidir sobre a implementação da política pública do “Luz para Todos”, fez indevida associação entre a concretização de um direito fundamental e a regularização das comunidades, ao tentar impor a assinatura do contrato.
Além do impedimento à concretização do programa “Luz para Todos”, a apuração do MPF também identificou outros impactos sofridos pelas comunidades por parte do Exército como invasão e troca de tiros nas redondezas, em razão dos treinamentos realizados pelo CIGS. Diante das alegações da União em defesa prévia apresentada contra o pedido liminar, a Justiça destacou que tal situação “precisa ser imediatamente revista”.
A ação tramita na 1ª Vara Federal do Amazonas, sob o n° 13324-75.2012.4.01.3200, e aguarda decisão final.
Reunião com Amazonas Energia – Em reunião com o MPF/AM, representantes da Amazonas Energia, agente executora do programa “Luz para Todos”, informaram que a região onde estão localizadas as comunidades São Francisco do Mainã, Jatuarana e Santa Luzia do Tiririca está contemplada no planejamento para a instalação de energia elétrica. A Amazonas Energia informou ainda que o “entendimento do Exército” era o único empecilho existente para a implantação do programa nas comunidades ribeirinhas.

No interior do Rio, ex-cortador de cana é o 1º prefeito do PSOL


http://www.bol.uol.com.br/eleicoes/2012/noticias/redacao/2012/10/19/no-interior-do-rio-ex-cortador-de-cana-e-o-1-prefeito-do-psol.htm

ITALO NOGUEIRA
ENVIADO ESPECIAL A ITAOCARA (RJ)
da Folha.com
Na sala, foto de Che Guevara e bandeiras de Cuba e Venezuela. O discurso sobre socialismo embalou a campanha em Itaocara, interior fluminense, que elegeu o primeiro prefeito pelo PSOL no país, para surpresa da direção nacional do partido.

O ex-cortador de cana Gelsimar Gonzaga, 48, ganhou a disputa no município de 22 mil habitantes, de economia basicamente rural. Usou um Fusca 1973 como carro de som e repetiu a mesma gravação de dois minutos e dez segundos nos 45 dias de campanha de rádio. Venceu com 45% dos votos válidos.

Gonzaga começou a trabalhar aos sete anos como cortador de cana. Ajudava os pais e os sete irmãos a sustentar a casa.

O prefeito eleito saiu da cidade aos 18 para servir ao Exército na capital. No Rio, trabalhou como bancário e integrou o sindicato da categoria. Filiou-se ao PT, do qual saiu em 2004, em razão da reforma da Previdência proposta pelo então presidente Lula. Antes ídolo, o petista hoje é alvo de críticas.

Mas Gonzaga reconhece que "a vitória do Lula ajudou muito, porque contribuiu para quebrar muitos preconceitos contra a classe pobre, quem não tem nível superior", disse ele.

Daniel Marenco/Folhapress
Ex-cortador de cana Glesimar Gonzaga, com a mãe, Maria da Penha, em Itaocara (RJ)
Ex-cortador de cana Glesimar Gonzaga, com a mãe, Maria da Penha, em Itaocara (RJ)


Gonzaga diz que sua vitória se deve ao desemprego e às falhas no sistema de saúde e educação. Para o socialista, a vitória do PSOL em Itaocara "pode ser exemplo para as capitais".

Presidente do sindicato dos servidores municipais de Itaocara, para onde voltou em 1993, Gonzaga não limita sua atuação à cidade. Participou de ocupações do MST em Campos, no norte fluminense, e foi ao Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), participar de movimentos sociais contrários à retirada dos moradores do local.

O socialista quer formar conselhos populares para cada bairro definir suas prioridades. Planeja audiência com a presidente Dilma (PT) e o governador Sérgio Cabral (PMDB) pela construção de um hospital na cidade.

"Espero que o Edmilson [Rodrigues] vença em Belém para eu não ser vidraça sozinho. Vai ser um bom laboratório para o PSOL administrar uma capital e uma cidade do interior", disse, referindo-se ao integrante do partido que disputa o segundo turno na capital paraense com Zenaldo Coutinho (PSDB).

Para ele, o PSOL no poder corre o risco de se "desvirtuar". Na análise do prefeito eleito, as alianças são as responsáveis pelas mudanças.

Apesar disso, diz que tentará compor maioria na Câmara. O PSOL elegeu só um representante ao Legislativo, que tem 11 cadeiras.

"Sou realista. Não sou intransigente. Converso com todo mundo independentemente da filiação partidária. Quem é socialista não pode discriminar ninguém. Não sou sectário", afirma.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Trabalhadores(as) rurais paralisam a BR 316





"Um ato em defesa da Reforma Agrária"
Por Barack Fernandes
Cerca de mil trabalhadores e trabalhadoras rurais maranhenses, realizaram na manhã desta quinta feira (18), um ato em defesa da Reforma Agrária. A paralisação aconteceu entre as cidades de Codó e Caxias, nas proximidades do povoado Buriti Corrente.
Durante mais de 2h, trabalhadores(as) rurais das 9 regionais sindicais da Fetaema ( Alto Turi, Baixada Maranhense, Baixada Oriental, Baixo Paranaíba, Cocais, Mearim, Pindaré, Tocantina e Sul), reivindicaram dos Governos Municipais, Estadual e Federal, o fim da violência no campo, acesso a terra, a linhas de crédito aos assentados da Reforma Agrária, melhor infra estrutura nos Assentamentos, respeito aos territórios quilombolas e as comunicdades tradicionais, entre outros pontos referentes a Reforma Agrária.
Reivindicações que foram lembradas na fala da secretária de Assalariados e Assalariadas Rurais da Fetaema, Ana Maria Oliveira."Nós escolhemos está no Buriti Corrente, porque aqui vive cerca de 91 famílias que estão sendo ameaçadas de despejo pelo grupo Costa Pinto Empreendimentos Turísticos LTDA. Este conflito no Buriti Corrente é apenas um exemplo do desrespeito aos trabalhadores e trabalhadoras rurais, problemas que a Fetaema acompanha todos os dias através das suas coordenações Regionais Sindicais em todo o Maranhão", denunciou.
O Ato em defesa da Reforma Agrária, foi uma oportunidade para que várias lideranças do Movimento Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais -MSTTR, protestassem pelos vários problemas Agrários no Maranhão."Este é apenas o primeiro de muitos atos que o MSTTR realizará em todo o Estado. Sabemos que a Reforma Agrária, não se conquista da noite para o dia, mas continuaremos unidos na luta por terra, território e dignidade para que homens, mulheres, jovens, idosos(os) do campo, possam viver em paz e continuem a produzir alimentos para o povo brasileiro", destacou o presidente da Fetaema, Chico Miguel ao final do ato.
Pauta do Grito da Terra Maranhão
Vale lembrar que ainda este ano o Movimento Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, apresentou ao Governo do Estado, a pauta do Grito da Terra Maranhão, com vários pontos referentes a Reforma Agrária no Estado, mas até agora a governadora Roseana Sarney Murad, não atendeu as reivindicações do MSTTR.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

TJ-SP suspende júri de PM após advogado ser ameaçado


http://www.conjur.com.br/2012-out-17/tj-sp-suspende-juri-pm-depois-advogado-ameacado?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

Pedido de desaforamento

Por Eduardo Velozo Fuccia

Marcado para o próximo dia 23 de outubro, no Fórum de Santos, após ser adiado por duas vezes, o julgamento de um soldado da Polícia Militar acusado de um homicídio consumado e oito tentativas também não ocorrerá nessa data. O Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu a sessão até ser apreciado o mérito de pedido de desaforamento (deslocamento do júri para outra comarca) formulado pela defesa.
Após o segundo adiamento do júri, o advogado Alex Sandro Ochsendorf, defensor do soldado, foi hostilizado por populares no saguão do Fórum de Santos, que o chamaram de “assassino” e o ameaçaram. Disseram que “vai sair ladrão da cadeia para matar você e a sua família”. Além disso, uma mulher o agrediu com um tapa no rosto.
Tais fatos forçaram uma mudança de hábitos na vida do advogado e de sua família, motivando-o a registrar no 1º DP de Santos Boletim de Ocorrência de “injúria real, coação no curso do processo e ameaça”. Ele ainda requereu o desaforamento do júri, com pedido liminar, para suspender a sessão até que seja apreciado o mérito. O desembargador Fábio Gouvêa, da 10ª Câmara Criminal do TJ paulista, concedeu a liminar.
Gouvêa atuará como relator do requerimento de desaforamento e, conforme seu despacho, “a análise sumária dos argumentos expostos na inicial (no pedido) evidencia a possibilidade da suspensão”. O desembargador considerou o temor do advogado, segundo o qual há riscos à integridade física do réu e dele próprio, além do risco de falta de imparcialidade dos jurados, que também poderiam ser ameaçados.
Calendário do julgamento
A primeira sessão foi marcada para o dia 25 de junho. Porém, por causa da falta de uma testemunha considerada “imprescindível” pela defesa, o juiz Antonio Álvaro Castello redesignou o júri para 7 de agosto. Na segunda data, o defensor do réu requereu o adiamento em razão das ausências de quatro das 35 testemunhas indicadas pelas partes e intimadas para o julgamento.
Ochsendorf também alegou no segundo pedido de adiamento que o laudo do exame de corpo de delito de uma das vítimas não estava assinado pelo médico que a examinou. Após a observação do advogado, o juiz Castello determinou a retirada do documento do processo, a fim de ser providenciada a assinatura que faltava. Sanado o problema, o laudo foi reencartado ao processo.
O advogado do soldado frisou no seu pedido de desaforamento que não interpôs durante a ação penal qualquer recurso ou se valeu de expedientes protelatórios, porque sempre quis um julgamento célere pelo Conselho de Sentença. No entanto, em nome dessa rapidez, ele disse não poder comprometer a defesa do cliente no plenário do júri e nem a tranquilidade que deve ter os sete jurados sorteados para julgar a causa.
Por considerar a Baixada Santista uma “região onde praticamente não existe fronteiras”, Ochsendorf destacou em seu pedido ao TJ-SP que transferir o júri de Santos para uma cidade vizinha não resolveria os problemas já detectados. Por isso, ele sugeriu o desaforamento para o Fórum Criminal Ministro Mário Guimarães, na Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo.
O caso
O soldado ficou conhecido como o PM do carro preto porque possuía um veículo dessa cor com os vidros filmados. Segundo denúncia do Ministério Público, o réu passou com o automóvel pelas vítimas em baixa velocidade e, sem qualquer motivo, disparou na direção delas. A maioria dos ataques aconteceu na madrugada de 10 de abril do ano passado, em Santos e São Vicente.
Para o promotor Octávio Borba de Vasconcellos Filho, os crimes atribuídos ao policial militar foram qualificados pelo emprego de recurso que impossibilitou a defesa das vítimas. Na hipótese de condenação, ele está sujeito a pena que varia de 44 a 190 anos de reclusão. O soldado nega os crimes e laudo de exame psiquiátrico atestou que ele possui total consciência de seus atos, devendo responder penalmente por eles.
Eduardo Velozo Fuccia é jornalista.
Revista Consultor Jurídico, 17 de outubro de 2012



Projeto Territorialidade e dignidade: fortalecimento das lutas quilombolas de Alcântara frente ao Projeto da Base Espacial.
                           PARCEIROS: STTR DE ALCÂNTARA, CCN-MA e MABE 
                                    Financiamento: Fundação Ford

I ENCONTRO SOBRE CONSULTA PRÉVIA
                                                      PROGRAMAÇÃO

Data: 19.10.12 ( STTR de Alcântara)
Manhã
7h -    Café da manhã
8h -    Credenciamento dos Participantes
9h -    Abertura
9h20 - Informes Gerais sobre o Projeto
           Auricéa Fernandes- SMDH
9h30 - Porque discutir Consulta Prévia
          Palestrantes: Igor Almeida- SMDH
           Facilitadora- Roseane Dias- SMDH
11h -  Territorialidade e auto definição- aspectos importantes da Convenção 169-OIT
          Paslestrante: Igor Almeida
12h -   Almoço
10h20 - O que é a Convenção 169-OIT
Tarde
14h -  O Direito de Consulta Prévia e sua importância
          Palestrante: Luis Antonio Pedrosa- SMDH
15h -  O processo de discussão do  Direito de Consulta Previa no Brasil ( histórico)
          Palestrante: Igor Almeida- SMDH
16h -    Lanche
16h20 - Planejando o II Encontro sobre Consulta Prévia
16h30 - Avaliação das atividades
17h30 - Encerramento

Juizados itinerantes para dirimir conflitos agrários

http://www.jurisciencia.com/noticias/lei-12-726-de-16102012-dispoe-sobre-o-juizado-especial-itinerante/1573/

Lei 12.726, de 16/10/2012 – dispõe sobre o Juizado Especial Itinerante


Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos
Acrescenta parágrafo único ao art. 95 da Lei no 9.099, de 26 de setembro de 1995, para dispor sobre o Juizado Especial Itinerante.
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1o O art. 95 da Lei no 9.099, de 26 de setembro de 1995, passa a vigorar acrescido do seguinte parágrafo único:
“Art. 95. ………………………………………………………………….
Parágrafo único. No prazo de 6 (seis) meses, contado da publicação desta Lei, serão criados e instalados os Juizados Especiais Itinerantes, que deverão dirimir, prioritariamente, os conflitos existentes nas áreas rurais ou nos locais de menor concentração populacional.” (NR)
Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 16 de outubro de 2012; 191o da Independência e 124o da República.
DILMA ROUSSEFF
José Eduardo Cardozo

Holandas


Edvaldo Holanda pai não faz questão de esconder seus vínculos políticos com o grupo Sarney. Ele não desmente os blogs do sistema, que afirmam diariamente que ele possui ligações com o Senador João Alberto (PMDB),  secretário de Assuntos Especiais do Governo Roseana Sarney(PMDB), e com o deputado Carlos Alberto Milhomem (PSD), um dos líderes do governo na Assembléia Legislativa.
Tão longo anunciado o resultado do primeiro turno, os noticiosos governistas anunciaram que Holandão conseguiu negociar a neutralidade de figuras exponenciais, como Ricardo Murad (PMDB), um dos líderes do grupo Sarney, e do presidente do PMDB local, deputado Roberto Costa, afilhado de João Alberto.
Seria até possível que tais notícias fizessem parte de uma estratégia do grupo Sarney para carimbar o aliado de Flávio Dino (PCdoB), principal adversário da família em 2014, mas a trajetória instável da família Holanda somente alimenta dúvidas no espírito mais atento.
Mesmo para o eleitor mais ingênuo, que quer a todo custo se livrar da péssima administração de Castelo, alguns signos ainda precisam ser decifrados, enquanto tapa o nariz para votar em Holandinha.
Para alguém que já pulou de vários barcos à deriva, o candidato do PTC exibe muitas credenciais para fundadas suspeitas de traição, Castelo que o diga. Basta imaginar os fundamentos para os sucessivos rompimentos com os grupos políticos que o acolheram para que se obtenha uma projeção para o futuro sombria. É definitivamente um aposta no escuro.


União terá que fornecer água potável aos indígenas de Amarante



(11/10/2012)A União tem 60 dias para tomar as providências necessárias para fornecer água às aldeias Tamburi e Cajá, localizadas no município de Amarante. Decisão liminar foi concedida após ação proposta pelo MPF/MA.

Fruto de ação civil pública movida pela Procuradoria da República em Imperatriz (PRM/ITZ), a Justiça Federal determinou à União que providencie o imediato fornecimento de água potável aos índios das aldeias Tamburi e Cajá, localizadas no município de Amarante (MA).

Para os procuradores da República Douglas Fernandes e Natália Soares, autores da ação, o fornecimento de água é um serviço público essencial e que a omissão do Estado em garanti-lo constitui afronta aos direitos fundamentais. “Conforme ordena o artigo 19-F, da Lei 8.080/1990, a atenção à saúde indígena deve contemplar os aspectos de assistência à saúde, saneamento básico, nutrição, habitação, meio ambiente, demarcação de terras, educação sanitária e integração institucional” afirmam os procuradores.

A Justiça determinou à União que, no prazo máximo de 60 dias, adote as providências necessárias para o fornecimento de água nas aldeias Tamburi e Cajá, no município de Amarante. E mais, assim que o prazo for concluído, a ré deve informar à Justiça quais medidas foram implementadas.

Em caso de descumprimento injustificado das determinações, será aplicada multa diária no valor de cinco mil reais.

Assessoria de Comunicação


Procuradoria da República no Maranhão


Tel.: (98) 3213-7100


E-mail: ascom@prma.mpf.gov.br






via www.forumcarajas.org.br

Juiz usa gastos com Copa e Olimpíada como argumento para prefeitura pagar remédios a doente

http://blogdoperrone.blogosfera.uol.com.br/2012/10/juiz-usa-gastos-com-copa-e-olimpiada-como-argumento-para-prefeitura-pagar-remedios-a-doente/


Perrone


“Se existem recursos públicos para a realização de eventos esportivos internacionais – Copa do Mundo e Olimpíada – é certo que o Estado Brasileiro conta com recursos suficientes para aplicar na saúde de seu povo”.

A afirmação acima faz parte de sentença que condena a prefeitura de Guaratinguetá, no interior de São Paulo, a fornecer gratuitamente remédios para uma mulher que sofre de asma. Ela foi publicada nesta segunda no Diário Oficial do Estado.

Arion Silva Guimarães, juiz da 3ª Vara Cível da cidade, assina a decisão em primeira instância. Ele rejeitou tese da prefeitura de que a responsabilidade seria do Governo do Estado.

A argumentação do magistrado joga luz num tema que parece adormecido: a relação entre os gastos públicos nos dois grandiosos eventos e as necessidades da população.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Genoino e Delúbio condenados pela Justiça de Minas


http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/clone-de-genoino-e-delubio-condenados-por-justica-de-minas-por-fraude?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

Foram condenados ainda Valério e sócios, além de diretores do banco BMG.
Processo foi desmembrado da ação penal do mensalão, que tramita no STF.

Cristina Moreno de Castro e Mariana Oliveira Do G1 MG e do G1, em Brasília
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A Justiça Federal de Minas Gerais condenou nesta segunda-feira (15) o ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares e outras oito pessoas, entre as quais Marcos Valério e seus sócios, pelo crime de falsidade ideológica. Todos podem recorrer em liberdade, segundo a decisão. A mulher de Valério, Renilda Maria Santiago, foi absolvida pela Justiça mineira.
Eles foram acusados de fraudar um empréstimo de R$ 10 milhões do banco BMG para Rogério Tolentino, advogado de Marcos Valério, apontado como o operador do esquema do mensalão, em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com a denúncia da Procuradoria-Geral da República, o mensalão era um esquema planejado para compra de votos de parlamentares no Congresso a fim de assegurar a aprovação de projetos de interesse do governo Luiz Inácio Lula da Silva – os principais acusados negam a existência do mensalão.

Segundo a Justiça Federal de Minas, a decisão foi remetida para o Ministério Público, que tem dois dias úteis para analisar. Depois da devolução, a decisão será publicada no "Diário de Justiça". A partir da publicação, os réus terão cinco dias para recorrer, informou a assessoria da Justiça Federal.
Genoino, Delúbio e Valério e os três ex-sócios - Ramon Hollerbach, Cristiano Paz e Rogério Tolentino - foram condenados pela Justiça Federal de Minas por falsidade ideológica. Quatro réus do banco BMG foram condenados por gestão fraudulenta por não observarem os critérios para concessão de empréstimos.
De acordo com a decisão, os petistas e Marcos Valério e os sócios foram condenados porque "mascararam o repasse de valores aos reais tomadores". Conforme a juiza, embora o empréstimo tenha sido obtido por Tolentino no BMG, quem se beneficiou foi o PT, que recebeu os recursos, por meio de Marcos Valério, para supostamente utilizá-los no mensalão.
Segundo a decisão, ficaram "cabalmente demonstradas" as atuações de Genoino, Delúbio e o grupo de Valério em "declarações ideologicamente falsas em documento particular, de forma livre e consciente, razão pela qual se impõe a condenação dos acusados".
De acordo com a juíza da 4ª Vara Federal de Minas que assinou a decisão, Camila Franco e Silva Velano, a cúpula do BMG é culpada porque emprestou R$ 10 milhões para a empresa de Tolentino embora ela "não faturasse sequer 100 mil por ano".
O processo na Justiça de Minas decorre de uma investigação ligada ao processo do mensalão, mas que foi para a primeira instância depois de José Genoino ter perdido foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal (STF) – ele deixou de ser deputado federal em 2011.
Genoino e Delúbio já foram condenados pelo crime de corrupção ativa (oferecer vantagem indevida) dentro do processo do mensalão que está em julgamento no Supremo. Eles ainda serão julgados pelo crime de formação de quadrilha, que deve começar a ser analisado nesta quarta (17) pelos ministros do STF.
Advogados vão recorrer
O advogado de Genoino, Luiz Fernando Pacheco, informou ao G1 nesta terça-feira (16) que irá recorrer da condenação do ex-presidente do PT no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
“Há uma contradição do Ministério Público. Em relação aos empréstimos tomados junto ao Banco Rural [no processo do Supremo Tribunal Federal] não houve suspeita de que os contratos eram falsos. Já no caso do BMG, ele foi condenado exclusivamente por falsidade ideológica”, reclamou o defensor.
O advogado do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, Arnaldo Malheiros Filho, também disse ao G1 que irá recorrer da decisão da Justiça Federal. O criminalista, entretanto, disse que não irá comentar a sentença contra Delúbio enquanto ainda houver possibilidades de recurso. “Só me manifesto sobre decisão judicial no recurso”, ressaltou.
O advogado Paulo Sérgio Abreu e Silva, que defende Rogério Tolentino, afirmou que ainda não foi notificado da decisão. "Só posso dizer que vou recorrer. Tenho direito e vou recorrer."
Até a última atualização desta reportagem, o G1 não tinha conseguido contado com os advogados dos demais réus.
PenasOs dois antigos integrantes da cúpula do PT foram condenados pela juíza de Minas a quatro anos de prisão por falsidade ideológica. Segundo ela, ambos cometeram o crime por "ganância de poder". Eles poderão cumprir a pena em regime aberto (quando o condenado somente dorme na prisão).
Marcos Valério foi condenado por falsidade ideológica a 4 anos e 6 meses de prisão no regime semi-aberto, quando é possível trabalhar fora do presídio.
Foram condenados pelo mesmo crime ainda os ex-sócios dele Ramon Hollerbach a 4 anos, e Cristiano Paz, a 3 anos e seis meses. Os dois poderão cumprir pena em regime aberto.
Rogério Tolentino foi condenado a 3 anos e 4 meses. Foi ele quem assinou o empréstimo de R$ 10 milhões no BMG. Valério e os sócios já foram condenados por outros crimes no processo do mensalão em julgamento no Supremo.
Banco BMGQuatro dirigentes da cúpula do BMG foram condenados pelo crime de gestão fraudulenta: Ricardo Annes Guimarães, João Batista Abreu, Márcio Alaôr de Araújo e Flávio Pentagna Guimarães, condenados entre 5 e 7 anos de prisão.
A juíza determinou que os dez réus podem recorrer em liberdade porque "responderam o feito em liberdade, possuem endereço fixo [...] e não há indícios de que se furtarão à aplicação da lei penal".
Ela pediu ainda que o relator do processo do mensalão no Supremo, ministro Joaquim Barbosa, seja comunicado da decisão da Justiça Federal de Minas.