segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Trump como ponto dentro da curva

"Melhor que ninguém, Trump percebeu as discordâncias cada vez maiores entre as elites políticas, econômicas, intelectual e mediática, por uma parte, e as bases do eleitorado conservador, por outra" - Créditos: Reprodução/ Desinformémonos


Ninguém ligou para Michael Moore, quando ele profetizou o que estava na cara.

Hillary, a primeira mulher presidente, respeitada pelo mundo, inteligente, preocupada com as crianças, herdeira do legado de Obama era simplesmente a candidata do sistema que ninguém aguenta mais.

Os mais preparados concorrentes nas plenárias republicanas contra a candidatura de Trump já havia experimentado a dificuldade: a antipolítica está vencendo.

Claro que esse projeto da antipolítica teve um empurrãozinho do sistema eleitoral norte-americano, onde é praticamente impossível conseguir que pelo menos metade dos eleitores compareçam às urnas.

Nos bairros pobres, negros ou hispânicos poucas urnas aumentam as filas e os dissabores para uma participação sem sentido, onde os dois candidatos não apontam para saída nenhuma.

Não foi à toa que a abstenção nas eleições presidenciais dos EUA foi maior nos condados nos quais Bernie Sanders venceu Hillary Clinton nas primárias.

Ontem, no Fantástico, uma reportagem adentrou na estratégia do comitê eleitoral de Trump. Simplesmente não havia. O marketing era ele mesmo, a antipolítica encarnada no bufão.

Por esse mesmo motivo esse tipo de candidato é difícil de vencer. Ninguém espera dele uma campanha convencional e nem um bom desempenho nos debates.

O fato é que a vitória de Trump se alinha com a razão crítica mediana sobre os atuais sistemas políticos. Está coerente com o debate sobre o Brexit - abreviação das palavras em inglês Britain (Grã-Bretanha) e exit (saída) e a votação pelo "No" na Colômbia.

As palavras hoje convergem com a noção de outsiders. Os que não se enquadram na sociedade emergem como crítica contundente aos sistemas políticos em bancarrota, no vácuo deixado por uma esquerda mais combativa.

Dizemos com frequência que nos EUA não há nada mais parecido com um Republicano do que um Democrata. Do lado de cá poderíamos dizer também que não há nada mais parecido com a direita do que a esquerda que se propõe a levar adiante os mesmos planos de recuperação econômica.

O forte sentimento anti-institucional hoje reflete menos do que uma busca por alternativa do que um furioso protesto. As alternativas mais bem posicionadas que havia se revelaram um engodo.

A esquerda pragmática - por seu exagerado apego à institucionalidade burguesa -  contribuiu para o fortalecimento da onda conservadora perfeitamente alinhada com a antipolítica, cuja âncora é o protofacismo e o ódio contra as minorias.

O problema é que o ódio é cego.

No clarim dessa nova era já se anuncia a barbárie anti-civilizatória. Quem sustenta a validade de uma experiência como essa - mesmo a título de caricatura - não quer apenas a extinção dos partidos de esquerda, mas negação da validade universal das atuais e precárias conquistas dos últimos quatro séculos.


quarta-feira, 2 de novembro de 2016

A ação da PM no Liceu


O governador fez de conta de que não viu as imagens da violência da PM contra os estudantes mobilizados contra a PEC da reforma do ensino médio.

Na terça-feira, policiais militares que integram o "Esquadrão Tornado" agrediram alunos da UEMA, durante uma tentativa de ocupação do prédio do Colégio Liceu Maranhense.

O governador disse no twitter: "Mas não posso ser precipitado e irresponsável para sair julgando condutas de servidores públicos sem que eles sejam ouvidos. Assim será”.

Logo em seguida a SSP-MA lançou nota sobre a confusão, falando de forma genérica sobre o episódio. Também tangenciando de que os fatos foram registrados em vídeo com ampla repercussão nas redes sociais, a Secretaria ainda sinaliza para que os prejudicados recorram à Corregedoria de Segurança Pública.

No vídeo, vê-se claramente pelo menos um PM desferindo chutes em um estudante e um outro PM ameaçando outro estudante que filmava o incidente.


Tudo errado.

Primeiro porque o protesto estudantil tem o apoio do governador. Ou pelo menos deveria ter, porque as ocupações de escolas são hoje a resistência mais visível ao governo Temer e ao pacote de reformas autoritárias no ensino público.

Segundo, porque prender estudante que protesta seria aceitável somente numa ditadura. Esses diretores que chamaram a polícia precisam ser enquadrados urgentemente. Eles pensam que são donos da escola.

Terceiro porque além de chutar e tentar preder estudante, a PM ainda tentou impedir o registro de sua intervenção. Alguém precisa avisar pra essa polícia que eles são servidores públicos e que a intervenção policial é pública e como tal, pode ser filmada ou registrada por qualquer do povo.

Aliás, a própria PM deveria filmar suas intervenções, para maior garantia da integridade física do cidadão.

E por último: pelo teor da imagens, o Corregedor deve instaurar o procedimento de ofício.

Veja a nota da SSP/MA:

"Nota sobre conduta policial durante ocupação no Liceu

Com relação ao ocorrido no Centro de Ensino Liceu Maranhense, nesta terça-feira (1º), a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) informa que uma equipe do órgão permanece reunida com estudantes e a direção da escola, para averiguar o caso.

A Seduc reconhece a importância do debate da pauta nacional, conduzida por estudantes em todo o país, e considera relevante a discussão do tema no ambiente escolar, que é um espaço democrático, aberto para a manifestação de toda a comunidade escolar.

Conduta Policial

A Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP), por sua vez, esclarece que denúncias que envolvam a conduta de profissionais do Sistema de Segurança Pública devem ser feitas diretamente na Corregedoria de Segurança Pública, que funciona na sede do órgão, na Vila Palmeira.

O Comando Geral da Polícia Militar do Maranhão ressalta, ainda, que reprova qualquer atitude que viole o respeito à dignidade humana; e eventuais excessos serão devidamente apurados."

Depois do caldo entonado, a Secretaria de Educação apressou-se em dialogar com os estudantes. Resta saber se alguém vai conter a polícia na próxima vez.


O discurso mitico da união das esquerdas

Depois do cenário eleitoral de 2016 mais claro pelos seus números, resta ler as mais diferentes reflexões sobre o destino da esquerda no Brasil.

É importante fazer esse debate, mas não sem antes tomar algumas precauções.

Temos precauções em relação algumas linhas de raciocínio que pecam por sua superficialidade (malícia ou ingenuidade tudo indica impregnam tais análises também).

Portanto, é importante conhecer de onde partem tais análises e de que lugar partem, sob pena de aceitarmos pressupostos qustionáveis para o debate.

Em primeiro lugar. É preciso desconstruir o chavão de que "a esquerda só se une na cadeia". Alguns evocam a frase para reclamar de algo que merece aprofundamento. O chavão não ajudar a entender porque nos dividimos e apenas reforça o mito de que divergimos simplesmente porque somos loucos ou imbecis.

A direita também se divide. Mas também tem menos motivos para isso do que a esquerda. O programa da direita é o capital. O programa da esquerda, por outro lado, não é apenas o socialismo. Se fosse apenas o socialismo já seria complexo.

Nós nos dividimos porque não é simples derrotar o capitalismo. E o caminho para se chegar à vitória tem nuances.

O exemplo mais próximo de nós está no fracasso petista. Quando alcançou o poder, esse partido implementou uma determinada visão de governo e de sociedade. Não errou no objetivo estratégico (visto que talvez nem esteja mais no seu horizonte o socialismo) mas no caminho para consolidar um modelo de democracia.

No entanto, a derrota do PT não quer dizer que a esquerda esteja totalmente certa. Quer apenas dizer que uma das fórmulas para ocupar o poder foi testada e fracassou.

Por isso mesmo, quando alguém reclama da desunião das esquerdas, sendo do PT ou do PCdoB, prefere não tocar nas situações onde pareceu absurdo não haver coligações com o PSOL, como por exemplo em Belém, em Porto Alegre e no Rio de Janeiro. Nesse tipo de análise, o PSOL geralmente aparece como o partido que inviabiliza as alianças por sua radicalidade.

Outro exemplo são as postagens do Governador Flávio Dino, que receberam a chamada de "A esquerda deve olhar menos para trás e mais para a frente". De acordo com tais opiniões, será muito difícil unir a esquerda, mesmo. Digo porque:

a) A guinada do eleitorado para a direita não pode ser obra exclusiva da crise econômica. Os erros que a esquerda cometeu em torno do projeto de poder petista também devemm ser levados em consideração. Esse é o pressuposto importante para unir a esquerda: a autocrítica. E não olhar para trás quer dizer exatamente não fazer autocrítica. É um pressuposto para não estarmos diante da possibilidade de nos encontrar novamente com Henrique Meirelles, Kátia Abreu e todas as concessões à direita que inviabilizaram a reforma agrária, a titulação dos quilombos, a demarcação dos territórios indígenas, a democratização do sistema de segurança e a reforma do sistema prisional, por exemplo.

b) Quanto tempo levará a onda conservadora se a chamada esquerda flexível continuou a fortalecer em vários Estados os partidos do golpe?  Ou seja, esses partidos são contra o golpe mas compõe as forças do golpe? A pergunta é: temos como debater um programa com essa esquerda?

c) O Governador também defendeu a união das esquerdas sob um novo projeto, que reúna, "desenvolvimento" e garantia dos "direitos"; e um "novo programa sustentado por uma frente ampla", que volte a atrair a atenção do eleitor médio, que rapidamente "vai se desiludir com certas coisas esquisitas". Quanto à frente ampla das esquerdas temos acordo. O problema é saber a extensão dessa amplitude. Com o PSDB, por exemplo, como presenciamos no Estado, simplesmente é inviável. E temos muitas coisas esquisitas por aqui também.

Sem falar em nome de nenhum partido, posso dizer que existe uma esquerda que ainda se constrange em votar na direita ou na esquerda que paquera com o programa da direita.

sábado, 29 de outubro de 2016

Teve Debate?

Ontem, ocorreu o debate na TV Mirante. Continua sendo o debate principal ou o mais esperado das eleições, mesmo após a derrocada política do grupo Sarney.

O candidato Edvaldo priorizou esse debate, não comparecendo a nenhum dos outros. Foi na verdade, o único encontro do segundo turno entre ele e Braide.

A eleição está praticamente empatada e qualquer oscilação de última hora na opinião do eleitorado pode definir o pleito. Isso preocupa os estrategistas de campanha, porque Braide emergiu do improvável repentinamente.

Diante da miséria democrática - em que a estrutura da máquina pública e o tempo de TV praticamente iludem o eleitor - criou-se a inevitável expectativa de que o debate pudesse ir além. Não foi. E parece que não será mais daqui para frente. A estratégia do marketing cuidará de esvaziá-lo para as próximas eleições.

Depois do surpreendente desempenho de Braide no primeiro turno, a campanha de Edvaldo adotou medidas preventivas. Buscou fazer o jogo no campo onde Eduardo é fraco: no apoiamento da máquina pública e na ostentação visual de artefatos de campanha.

Edvaldo evita os debates e lança mão de recursos de marketing estratégico para um único e final confronto. Os programas eleitorais convidam o eleitor para assistir o espetáculo no coliseu da morte.

Do lado de Eduardo, cria-se a expectativa de uma repetição de desempenho. Idealiza-se o massacre, o desmonte da máscara publicitária de Edvaldo. Não foi.

Eduardo, bem alinhado no terno, continuou apresentando bom domínio da fala, mas foi pouco criativo para um momento tão esperado. Repetiu argumentos, diante de uma ampla gama de escolhas disponíveis para criticar a administração do adversário.

Edvaldo, pequeno dentro de um terno, parecia escorregar na camisa e nos argumentos. Aproveitou-se do autismo. As perguntas nunca são respondidas porque são apenas ponte para novos ataques argumentativos.

Nos blogues, festejam dos dois lados, como torcida de futebol. A cada mentira, a cada argumento simplório um clamor de assombro comprado.

Mas, analisando friamente, foi morno.

Edvaldo pareceria comemorar ter escapado do cadafalso. Respirou ofegante no final. Alívio puro entre seus correligionários. Nem eles esperavam tanta superação. Ele conseguiu ser firme em alguns momentos, respondendo certamente a um duro treinamento nos últimos dias.

Eduardo, na verdade, repetiu o desempenho, mas a expectativa era maior do que ele podia operar. Continuou fluente e  preciso até nos comentários finais. Edvaldo foi ruim na última hora, como sempre, gesticulando feio e falando além do tempo.

Braide provou que é melhor no debate, mas isso não será suficiente, embora esperado. Faltou a polarização ideológica, coisa que ele não poderia fazer.

Edvaldo ensaiou falar firme, mesmo com seu olhar acovardado. Foi cutucado com o ISEC mas não teve coragem de mencionar Anajatuba com a força necessária.

Os dois candidatos não puderam esticar muito a corda para não resvalarem juntos para o abismo de onde emergiram.

No mais, assistimos propostas superficiais sobre as políticas públicas. Soluções para uma futura gestão medíocre que se avizinha.

Talvez as entrevistas individuais com uma banca de especialistas acene para o fim de debates como esse. A população teria uma ideia melhor do quanto a política no Maranhão está aquém dos seus maiores desafios.

E teríamos o fim dos coliseus romanos cuja finalidade básica tem sido apenas arrancar urros da torcida comprada.






sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Guerra entre facções e a nova dinâmica do crime

Enquanto no Maranhão as autoridades cochilam, uma nova dinâmica na relação entre as facções criminosas vai se construindo a nível nacional.

Há cerca de 3 anos explodiu uma guerra silenciosa entre Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), pelo domínio das fronteiras do tráfico em países como Paraguai, Bolívia e Colômbia. Havia antes disso um acordo de convivência entre as facções carioca e paulista.

Especialistas apontam a morte do empresário e narcotraficante, Jorge Rafaat Toumani, de 56 anos, em junho, deste ano, numa emboscada na fronteira do Paraguai, como o marco fundamental da ruptura. Com a morte dele, o PCC passou ocupar a espaço vazio do tráfico na região.

A morte desse narcotraficante é apontada como motivo para uma grande mudança do padrão da criminalidade no país. Ele era um dos mais antigos fornecedores de drogas e armas para o Brasil. Tudo indica que o PCC pretende encurtar o caminho para a entrada de armas no país, eliminando os atravessadores. Neste momento, a facção já se estabelece na região da fronteira do Paraguai.

Rafaat simplesmente havia herdado o posto de rei do tráfico na fronteira Brasil-Paraguai, que pertencia a Fernandinho Beira-Mar, preso desde 2002. Era conhecido também como próspero empresário do ramo de pneus, mas já havia sido condenado no Brasil por tráfico, em 2014, pela apreensão de um carregamento de 492 quilos de cocaína, em São José do Rio Preto (SP), em 2004.

Tudo indica que o CV, tradicional aliado do PCC, deu-se conta do avanço exagerado da facção paulista e resolveu se aliar com os rivais do grupo paulista. O PCC enfrenta forte resistência nas regiões Norte e Nordeste, lideradas pelas facções Sindicato RN e Família do Norte (FDN), além de Estados do Sul, como Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde se destaca o Primeiro Grupo Catarinense (PGC).

No último fim de semana, 18 presos foram mortos durante rebeliões em presídios de Boa Vista (Roraima) e Porto Velho (Rondônia) por causa da guerra. Por medida de segurança, integrantes do PCC presos no Rio foram transferidos para presídios ocupados por inimigos do Comando Vermelho.

No Maranhão, por enquanto não há sinais visíveis dessa ruptura, mas é inegável que existe a possibilidade de a guerra nacional de facções repercutir em Pedrinhas, especialmente. O antigo CDP ainda abriga CV e PCC em alas diferentes e ontem mesmo ocorreu uma morte de detento nesta unidade prisional.

Lembramos que o avanço rápido do PCC nos presídios estaduais pode estar inserido na nova dinâmica da disputa entre as facções. Como já dito, o PCM foi praticamente incorporado ao PCC, de maneira rápida e silenciosa.


terça-feira, 18 de outubro de 2016

Braide e o ovo da serpente

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Link de acesso.

Dentro da variada gama de surpresas eleitorais no Maranhão, está a presença de Eduardo Braide no segundo turno das eleições em São Luís.

Braide foi diretor-presidente da Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema) de 2005 a 2006, no governo José Reinaldo Tavares.

Entre os anos de 2009 e 2010, Eduardo Braide exerceu o cargo de secretário municipal do Orçamento Participativo de São Luís, na gestão de João Castelo (PSDB).

Tudo por influência do pai, Carlos Braide. Seu pai é representante de família tradicional em Santa Luzia. Sem papas na língua, uma oligarquia local.  Foi eleito deputado estadual, sucessivamente, em 1986, 1990, 1994, 1998, 2002, dentro do grupo Sarney, onde alcançou a presidência da Assembleia Legislativa.

Em 2003, Braide pai rompeu com os sarneys e se filiou ao PDT, apoiando Jackson para governador em 2006, quando se elegeu deputado estadual, pela sexta vez.

No período em que Braide filho ocupou o posto de presidente da Caema, era governador, como já dito, José Reinaldo Tavares, que havia rompido com o grupo Sarney, desde 2004. Em 2006, quando Tavares resolveu apoiar o candidato Jackson Lago, contra Roseana Sarney, o pai de Eduardo Braide também seguiu no condomínio Balaio.

Braide filho, apesar da pouca idade, está no segundo mandato de deputado estadual. Foi eleito em 2010 (PMN) e reeleito em 2014, pelo mesmo partido. Detalhe, nas duas eleições seu partido figurou em coligações que apoiaram o grupo Sarney.

No ano seguinte, 2015, Braide Filho já era líder da bancada do governo Flávio Dino (PCdoB).

Camaleônico, não se fez de rogado quando o braço direito do Governador o excluiu do condomínio governista, no início da campanha eleitoral de 2016. A reparação veio logo a seguir, sugerindo discreta correção do lapso de memória.


Márcio estabelece quem são os candidatos do governo....


...E depois incluiu Eduardo Braide, continuando a ignorar Wellington
Mais do que os feitos, Eduardo convive com um escândalo político envolvendo o município de Anajatuba e o nome de seu pai, desde o ano de 2014.

Gravações telefônicas surpreenderam uma conversa de seu pai, Carlos Braide, com pessoas investigadas pelo desvio da merenda escolar naquele município, sugerindo interferência junto ao sistema de justiça para beneficiar os inculpados a partir da influência do grupo Sarney.

Várias pessoas, supostamente integrantes da quadrilha foram denunciadas e tiveram pedidos de prisão preventiva requeridos pela procuradoria de Justiça. No bojo do processo figuram as empresas Vieira e Bezerra, atual F C B Produções e Eventos, A4 Serviços e Entretenimento, Construtora Construir e M. A.Silva Ribeiro. O desvio alcançou a cifra de R$ 13. 964. 048, 02 milhões de reais dos cofres no município de Anajatuba.

Dentre as personalidades políticas citadas no processo estão o prefeito da cidade – Helder Lopes Aragão(PMDB), o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado – Antônio Carlos Braide e o empresário Fernando Júnior, dono da Escutec, empresa especializada em pesquisas de intenção de votos.

Comparando as biografias dos dois candidatos a prefeito em São Luís, é preciso dizer que a pena não passa da pessoa do acusado. A eventual responsabilidade de Braide pai não significa culpa de Braide Filho. 

Assim como não seria possível atribuir as peripécias de Holanda pai ao Holanda Junior, Braide é apenas produto do  meio que o cerca, com o mérito inegável da reciclagem.

Se Braide filho será ou não um prefeito aliado dos sarneys, não nos parece uma preocupação fundamental do Dinismo. É só olhar olhar ao redor da mesa onde se confraternizam os convivas da nova ceia do poder no Estado.

No mais, tudo é escaramuça de política provinciana e o governador até já subiu no muro. Braide levantará voo no contexto de uma revoada, apenas. Ele não pode ser responsabilizado, se a turma do governo gosta de incubar ovos de serpentes para uma futura traição coletiva.


Eleições Municipais em 2016

As eleições municipais no Maranhão já encerraram, à exceção de São Luís, onde haverá segundo turno.

No quadro geral, o PCdoB foi o partido que mais elegeu candidatos (46) no Maranhão. Logo a seguir
estão o PSDB (29), PDT (28) e PMDB (22). Teoricamente essa é a nova hegemonia de poder no Estado.

A lista de partidos que mais elegeram prefeitos no Maranhão continua obedecendo outra lógica. A da polarização entre esquerda e direita.

O novo arranjo de poder tenta nos convencer de que a nova ordem está na polarização entre o campo dos anti-sarneístas e dos sarneístas. Mas do ponto de vista prático é impossível separar o sarneísmo do governo atual.

A menos que se acredite no processo de conversão no melhor estilo do relâmpago de Damasco, a migração de político para o bloco governamental apenas repete o processo fisiológico histórico que aconteceu no período Jackson (PDT).

A conclusão é mais do que óbvia: as elites da direita continuam no poder no Maranhão e agora estão mais fortalecidas com a dinâmica produzida pelo impeachment da presidente da República. Veja a lista dos prefeitos conquistados por cada partido:


PCdoB – 46
PSDB – 29
PDT – 28
PMDB – 22
PP – 15
PRB – 14
PSB – 13
PTB – 7
PT – 7
PR – 7
PV - 7
PSD – 6
PSDC – 2
PMN – 2
PTN – 2
SD – 2
DEM – 2
PROS – 2
PPS – 1
PSL – 1
PTC – 1

Apesar da resistência inicial ao impeachment, o governador do Maranhão agora deve estar fazendo as contas para permanecer no poder. 

Da lista acima, os partidos marcados de vermelho orientaram votação a favor do impeachment ou tiveram parlamentares apoiando o golpe. Os sublinhados compuseram coligações apoiando Edinho Lobão para governador em 2014.

O governo foi derrotado em Imperatriz, Pinheiro, Lago da Pedra, Codó, Caxias, Barreirinhas, Grajaú, e Dom Pedro, importantes colégios eleitorais do Estado, mas qualquer consideração sob o ponto de vista da polarização Dino-Sarney parece carente de objetividade.

De acordo com uma análise menos superficial, os dois grupos se fundem no tocante à posições estruturantes sobre a realidade do país. O governo Dino é o laboratório onde temas como reforma agrária, agronegócio, meio ambiente, presídios, segurança pública e direitos humanos fazem a base de sustentação de governo e oposição oligárquica convergirem prontamente.

Em que pesem as narrativas épicas sobre a queda da oligarquia, seus interesses econômicos e de classe permanecerão amplamente preservados com a nova ordem politica.

No plano macro, o Estado pode permanecer sob o jugo de um discurso político ilusionista que a todo custo tentará caracterizar a disputa local como plebiscito estranhamente descolado da conjuntura nacional. Aqui golpistas conviverão amistosamente com os comunistas, em 2018, não importa quais crimes contra a democracia pratiquem no Congresso Nacional.

Resta saber se o povo acordará com essa pauta regressiva, identificando a ampla gama de traidores que o ataca furtivamente ou triunfalmente.

sábado, 1 de outubro de 2016

Pedrinhas e o desmonte das peças publicitárias

Um dia antes das eleições municipais, a cidade vive um clima de terror, com os ataques das facções criminosas. Não há mais dúvidas de que a situação de Pedrinhas novamente é a origem do problema.

Mais uma vez, os detentos de Pedrinhas escolhem o período eleitoral como o melhor momento para negociar com o Estado. A pauta não é extensa, mas histórica e crônica.

Pode até ser que a comunidade carcerária não tenha relacionado as eleições com o problema prisional do Estado, fazendo seus levantes justamente porque sabem da importância desse momento para a sociedade.

Mas é digno de nota a relação intrínseca que existe entre os nossos porões medievais e o sistema democrático. Iria mais adiante: a relação é mais intrínseca com o nosso modelo eleitoral, direcionado para perpetuar as elites no poder.

Por exemplo, é claro que existe uma relação indireta entre o debate da  Mirante e os ataques nas ruas.Quando a classe política tangencia a reflexão sobre políticas públicas e personaliza a gestão como obra de salvadores da pátria não poderia resultar em algo diferente.

E não foi surpresa constatar que todos os que estavam ali têm algo em comum: são profundos desconhecedores do tema da segurança pública.

Prevalece de modo geral a compreensão de que segurança pública não é tarefa do município, quando não somente propalam o simples manejo da guarda municipal.

Trocando em miúdos, mesmo em pleno ataque de facções, a política local não consegue elaborar nada para contribuir com a resolução do problema, de maneira racional.

O único contraponto aos ataques é o discurso monolítico e criminalizador do próprio governo estadual, divulgado em notas ou em entrevistas do governador e do Secretário de Segurança.

As elites e suas representações políticas parecem aceitar comodamente tais argumentos de mera publicidade. É mais fácil e exige menos fosfato do cérebro.

Tem sido menos difícil  pro governo organizar uma resposta aos ataques das facções do que elaborar uma narrativa coerente acerca da incapacidade de fazer diferente. Não adianta reclamar da influência política nos protestos, porque Pedrinhas sempre foi palanque dos demagogos que estão hoje no governo.

Os políticos da nova ordem chamaram Pedrinhas à arena pública. Eles agora fazem política, a seu modo: tentando desvelar a máscara esquelética do chamado Estado de Direito.

A  propaganda publicitária governamental tentou nos convencer de que a situação estava resolvida e agora a realidade impôs a pior derrota política dos dois anos de governo.

A desorientação é grande porque o único recurso emergencial na conjuntura dos ataques é o viés repressivo e o discurso tresloucado, ambos em plena trajetória de falência cabal.

A versão com que se defende o governo da sua descoberta inércia ou incompetência é a da criminalização pura e simples de um protesto que traz no seu bojo não apenas reivindicações por algumas regalias, mas principalmente - e o que é mais perigoso - por direitos mínimos nas cadeias.

Alguém precisa dizer publicamente que existe uma diferença muito grande entre regalias e direitos fundamentais dos presos. Regalias ninguém é a favor mas direito nenhum gestor pode negar, na ordem jurídica em vigor. A forma como o governo elabora o discurso sobre o protesto dos presos inviabiliza o tratamento racional do tema e prolonga a conjuntura de terror.

As últimas reações soam como insistência demagógica em torno do que já se comprovou não surtir efeito. Não adianta mais fazer revistas de celas para impedir as ordens de ataques - eles já estão acontecendo nas ruas. E nem adianta transferir detentos para presídios federais. Os últimos efeitos das transferências foi a organização em escala supersônica do PCC no Estado.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Segurança Pública e a nova onda PCC

Após dois dias de inspeção em Pedrinhas é possível obter um panorama da Segurança Pública no Maranhão. 

Sim. Porque não há possibilidade de fazer gestão de presídios sem articulação com o sistema de policiamento e de segurança pública. E vice-versa. 

Dois elementos para reflexão: 

1) é de eficácia reduzida reforma para aumentar o controle de entrada e saída no presídio se a maioria dos presos habitam cavernas medievais. É de admirar que esse presídio não quebre todo dia, tal o grau de violação de direitos mínimos. 

2) É admirável que não haja nenhuma reflexão do governo a respeito do crescimento assustador do PCC nas cadeias do Estado, ao mesmo tempo em que seu braço regional, o PCM, definha. A dinâmica de centralização impô-se em menos de 3 meses e já conseguiu a unificação de um protesto por melhores condições nos presídios, fato que nunca havia ocorrido antes. 

Na Unidade Prisional de Ressocialização onde funciona o antigo CDP, a mudança é assustadora. Antes, era um presídio exclusivo para o PCM. Agora, somente PCC, CV e COM figuram nos seus pavilhões.

É inegável que estamos entrando em outra etapa da organização das facções, que agora reproduzem métodos adotados em vários outros Estados, de controle de ações criminais nos bairros que não digam respeito ao tráfico.

Assim como aconteceu com a redução de mortes nos presídios -onde a redução desses índices obedece ao atendimento de uma pauta das facções no sentido da separação das mesmas por unidade prisional -  haverá redução de alguns indicadores de criminalidade na cidade em virtude das novas regras impostas por essas organizações criminosas.

O PCC cuidará de eliminar os infratores de pequeno porte para poder negociar o tráfico silenciosamente nos bairros mas a propaganda do governo cuidará em fazer disso um mérito de seu sistema de segurança pública. Essa é a lógica atual. 


terça-feira, 20 de setembro de 2016

Segurança Pública e a solução preventiva

Várias são as matrizes da criminalidade e suas manifestações variam conforme as regiões do país e dos estados. Nós acreditamos que para pensar uma política de Segurança Pública cabe primeiramente proceder a análise do perfil dos crimes que ocorrem num Estado ou numa determinada região.

Em seguida, é preciso ter um programa de solução para esse tipo de crime. Então, o diagnóstico local precede a solução aplicada. E os dois interagem dialeticamente sob a mediação participativa. Esse é o eixo norteador em segurança pública que acreditamos e defendemos.

Em todo o país, existe uma combinação de matrizes criminais, articulando e alimentando dinâmicas diversas, mas o tráfico de armas e drogas cada vez mais se sobrepõe às outras modalidades, impulsionando outras dinâmicas criminais.

No Maranhão, por exemplo, o tráfico de drogas é o grande financiador das facções criminosas, que se especializaram em ramos diferentes deste tipo de negócio ilícito.  Portanto, o tráfico não é apenas a  matriz mais perigosa, que cresce mais velozmente, instalando domínios territoriais nas periferias. Ele é também a matriz mais apta a recrutar jovens vulneráveis e a se reproduzir, estimulada pela crise social.

As drogas financiam as armas e estas intensificam a violência associada às práticas criminosas. Elas expandem e impulsionam novas modalidades de crimes. Nesse caso, resta evidente que precisamos pensar formas inteligentes de combate ao tráfico. É possível combater o tráfico preventivamente. Acreditamos que essa solução é a mais inteligente e eficiente.

Nós acreditamos nas políticas de prevenção da criminalidade violenta. Elas podem produzir efeitos rapidamente e a baixo custo. A ausência dessas políticas é que conduzem a propostas autoritárias (tais como: armar a população, trocar a segurança pública por soluções privadas, estimular a prática brutal e arbitrária do “justiçamento”, apoiar a brutalidade policial, instaurar a pena de morte, reduzir a idade de imputabilidade penal etc.). As soluções autoritárias na verdade terminam por realimentar o círculo perverso da violência.

O grande problema na Segurança Pública hoje não é somente a escassez de recursos, mas a preponderância das visões repressivas e de força. É como se o uso dos mecanismos repressivos fossem os únicos recursos para situações emergenciais. Não são.

A hegemonia da solução de força em Segurança Pública esconde uma determinada ideologia de exclusão social, profundamente discriminatória e com um especial recorte de classes. A seletividade do sistema direciona sempre a força policial para os segmentos mais vulneráveis da sociedade.

A repressão não tem o monopólio da urgência e do pronto emprego, além de nem sempre ser eficiente. A prevenção pode ser ágil, rápida, barata e mais eficiente. Não queremos dizer com isso que pregamos abolir a polícia ostensiva. Mas sustentamos priorizar o enfoque preventivo.

Quando se reduz a criminalidade, instaura-se um poder maior de atração de empresas, aumenta a oferta de emprego, as condições sanitárias e urbanísticas melhoram, os turismo se incrementa, as pessoas participam mais das vida pública, praticam mais esportes e lazer. Enfim: cria-se um círculo virtuoso na cidade.

Por outro lado, políticas preventivas eficientes dependem de diagnósticos locais (técnicos e interativos), gestão participativa e articulação intersetorial.

A visão conservadora em Segurança Pública odeia essa abordagem. Isto porque os diagnósticos locais realistas denunciam o verdadeiro estágio das cifras da violência. A gestão participava exerce um controle sobre os recursos públicos destinados ao orçamento da segurança pública. E a articulação intersetorial quebra o clientelismo instalado na Administração Pública, direcionando esforços para temas debatidos publicamente e diretamente com a população. A direita odeia tudo isso.

O retrocesso político que vivenciamos imporá rebatimentos perversos na área de Segurança Pública, sobretudo porque é a visão conservadora em aplicação no país. Por isso, cada vez mais é necessário fazer o embate e o debate sobre segurança pública. O parlamento pode ser o lugar privilegiado para essa disputa de ideias.

domingo, 18 de setembro de 2016

Eleições no Maranhão: sem mudança e sem resistência


Resultado de imagem para o condomínio de Flávio Dino no maranhão

As eleições em 2016 deveriam representar mais do que o embate entre lideranças locais, com projeto políticos diluídos e pouco representativos de programas distintos.

Na maioria dos municípios está se esboçando um cenário de franco retrocesso político, como era previsível. O avanço das forças conservadoras está se espraiando para o controle de prefeituras e câmaras de vereadores.

O fim do Lulismo arrastou consigo as possibilidades de um projeto de poder progressista e mais amplo. Na maioria das capitais, o cenário é de vitória das forças que patrocinaram o golpe.

Sem ressentimentos contra a deposição de sua presidenta, o PT aposta agora apenas no retorno de Lula, em 2018, sem qualquer preocupação em não repetir os mesmos erros. O partido segue aliançado com seus algozes em muitos municípios, quando não desprezado pelo eleitor, nas últimas performances de pesquisas eleitorais. Seus aliados mais próximos, seguem a mesma linha.

Está na cara que não foi possível sequer organizar a resistência eleitoral contra o golpe, porque não há resistência política consolidada. Continuamos sob o dissenso acerca de qual projeto politico defender. Essa é a raiz da histórica divergência das esquerdas no país.

No Maranhão, a resistência contra o retrocesso foi plenamente ofuscada pelo embate eleitoral. O governo Dino, após as escaramuças iniciais, ignora solenemente agora a necessidade de construir o programa da resistência de esquerda para 2018.

Com isso, estaremos diluídos e enfraquecidos em termos de bancada no Congresso Nacional, o teatro por excelência onde estarão representadas as forças que aprofundarão ou derrotarão o retrocesso.

Com o golpe, Dino precisa resolver urgentemente alguns problemas no Maranhão. O primeiro deles é tentar conter o ímpeto da dissensão interna. Em diferentes níveis, nela operam Eliziane, Wellington e Roberto Rocha. O problema seria pequeno se o Estado fosse outro. Aqui, o poder costuma se corroer por dentro.

Herança do modelo Lulista, o governo Dino padece dos mesmos males. Gesta no próprio útero o germe da sua derrota. A distinção está apenas na velocidade com que esse projeto se desmorona. No Maranhão, tudo se opera numa escala tardia (lembrando da adesão à Independência).

O que espanta é a incapacidade de intervir numa realidade antecipada. Derrotar a direita não é simplesmente fazer alianças com ela. Lula agora deve saber disso.

Sem um projeto de poder capaz de derrotar as forças conservadoras no Estado não haverá nem mudança e nem resistência contra o golpe.


quarta-feira, 7 de setembro de 2016

A campanha eleitoral em São Luís





A campanha eleitoral em São Luís é o retrato da arranjo das forças políticas depois de dois anos de governo Flávio Dino.

Do lado da família Sarney, o prolongamento do desaparecimento tardio, com a candidatura de Fábio Câmara, com visíveis sinais de abandono. Numa escala mais profunda vai repetir o que ocorreu com Edinho Lobão.

Do lado do governismo dinista, luta interna de frações. De um lado, Edvaldo, o mais alinhado, contando com o apoio formal do PCdoB, tentando maquiar o desastre da sua gestão. Do outro lado, Eliziane, representado o segmento conservador do dinismo golpista. Mais além, Eduardo Braide (PMN), Rose Sales (PMB).

Zé Luís Lago (PPL), até recentemente Secretário de Edvaldo, uma incógnita.

Wellington do Curso (PP) é a fração da fração governista. Embora sustentando o discurso da independência, representa basicamente a mesma política. A diferença é o apoio de Roberto Rocha, que prenuncia o futuro racha desse campo nas eleições de 2018.

De fato, trocar o grupo de Flávio Dino pelo grupo de Roberto Rocha representa apenas a virada que ocorreu na mesma escala no cenário nacional, onde se trocou Dilma por Temer. Rocha é Temer e seu programa conservador e golpista.

O governo Dino é claro que é um indutor nas eleições municipais. Seu efeito catalisador impõe coligações fisiológicas como se operasse no passado do que foi o governo Dilma. É um projeto de poder com efeito retardado. Já sabemos no que vai dar mas, eles insistem na mesma fórmula catastrófica.

O PSOL buscou alternativas para lançar uma frente de esquerda e disputa com chances uma vaga na Câmara. Se o PSTU aceitasse fazer a coligação essa vaga seria certa.

Valdeny Barros segue a tradição do partido como o melhor nos debates e certamente ocupará o espaço da esquerda que lutou contra o golpe mas não assume o discuso dos governos de plantão.



domingo, 4 de setembro de 2016

Ao final, Dilma foi afastada por um crime que nunca fora visto como crime - Wladimir Safatle

Folha Uol

02/09/2016 02h07

Coube a Dilma Rousseff a oração fúnebre da Nova República. Com seu "Só temo a morte da democracia", termina mais de 30 anos de uma redemocratização falha e bloqueada. Ela terminou em meio a um processo farsesco, que seguiu todos os ritos jurídicos apenas para tentar esconder que não tinha sustância alguma. Ao final, Dilma foi afastada por um crime que nunca fora visto como crime, mas como uma prática normal utilizada por todos os presidentes da república e por 17 governadores em exercício sem maiores consequências. Mesmo o Ministério Público acabou por reconhecer não haver crime de responsabilidade, mas isto já não fazia a menor diferença.

Veio então a tese do julgamento pelo "conjunto da obra". Bem, em um país onde Alckmin, Pezão, Beto Richa, Marconi Perillo e José Sartori governam sem serem incomodados, afastar alguém pelo "conjunto da obra" só pode ser piada. Não é por acaso que um processo como esse só poderia ser levado a cabo por uma advogada afeita a discursos evangélico-fascistas e um advogado filho de um integralista.
Editoria de Arte/Folhapress



Na verdade, Dilma caiu porque a Nova República já não existia de fato. Dilma e seu partido nunca entenderam que o sistema de conciliações e de "governabilidade" paralisante da Nova República ruíra desde 2013. Eles nunca entenderam que o país precisava livrar-se de uma era histórica baseada na inércia resultante da obrigação de sempre compor com o atraso, sempre respeitar os interesses das oligarquias, até o ponto em que todos os que ocupassem o poder se desfigurassem, tornando-se irreconhecíveis. Até o último momento, foi questão de negociar o que não se negocia com quem vê a política só como um negócio

Por isso, aqueles que falavam das conquistas democráticas da "estabilidade política" nacional que acordem para a realidade. Vocês foram enganados. Não poderia haver estabilidade real sustentada por políticos saídos da ditadura militar e por um partido, como o PMDB, que era, afinal, uma oposição criada pela própria ditadura para acomodar oligarquias descontentes e políticos tradicionais confiáveis.

O Brasil achou que poderia virar uma democracia sem se confrontar com seu passado autoritário recente, sem expurgar seus representantes e seus filhos. Ele acorda agora com um "governo" que é apenas uma associação de corruptos contumazes tentando desesperadamente se salvar, liderados por um "presidente" citado três vezes na Operação Lava Jato como beneficiário direto de corrupção e condenado pelo TRE-SP por doações ilegais. Uma figura especializada em conspirações, acostumada aos bastidores escuros do poder, liderando uma casta política disposta a usar de toda violência estatal necessária para compensar sua falta absoluta de legitimidade e seu medo atávico de eleições. Não por acaso, no dia do golpe (mais um 31, agora 31 de agosto) não vimos massas nas ruas a comemorar a queda do governo, mas o prenúncio de um Estado policial: manifestantes sendo presos e espancados por uma PM cujo comportamento é digno de uma manada de porcos.

Por isso, não se enganem mais uma vez. Este é apenas o primeiro golpe. Quem fez o que fez não está contando voltar para casa depois de dois anos. O verdadeiro projeto é acabar com as eleições presidenciais. Isso será feito tirando de cena candidatos indesejáveis ou empurrando pela goela do país um regime parlamentarista que seria a coroação final de um Congresso de oligarcas e corruptos que conseguem sobreviver utilizando-se dos mais impressionantes casuísmos e dos meandros da partidocracia. Um Congresso incapaz de afastar indivíduos como Eduardo Cunha quer agora governar o país de forma imperial.

Mas enquanto Michel mudava de casa, as ruas do Brasil foram ocupadas por aqueles que podem enfim lutar a verdadeira luta e abandonar as ilusões que nos venderam. Os escombros da primeira experiência de longa duração da esquerda brasileira mostrará como os últimos 13 anos foram apenas um ensaio geral. No entanto, será necessário que a esquerda faça aquilo que ela teima ridiculamente em não fazer, a saber, uma profunda e dura autocrítica.

Uma autocrítica em relação à vergonhosa marcha de corrupção que afogou seus governos. Autocrítica em relação à crença nessa política que teme em implementar processos de democracia direta e transferência de poder, preferindo se chafurdar nas negociações com coalizações à venda. Por fim, autocrítica em relação a si mesma, a suas estruturas organizacionais arcaicas dignas dos anos 1950. Nunca na história brasileira foi tão importante o exercício da imaginação, da autoanálise, da insubmissão e do destemor. Que estejamos então à altura do momento e mostremos que o Brasil é maior do que Temer e seus comparsas.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

A triste sina do PT no Maranhão



Há quem pergunte qual razão para que o PT do Maranhão nunca se reencontre com a urnas, mesmo dentro da estratégia do pragmatismo adotada nos últimos anos.

No Estado, a legenda sempre é usada como moeda de troca para os grandes acordos nacionais. A militância do partido não é ouvida e nunca pode fazer escolhas, conforme a expectativa legítima de construção de um projeto de poder.

Em 2010, por pressão do então presidente Lula, o Diretório Nacional do PT impôs à sua seção maranhense o apoio à candidatura de Roseana ao governo.

O Diretório Estadual do PT-MA havia optado por apoio a Flávio Dino (PC do B) e teve sua decisão anulada.

Em 2006, Lula já tinha apoiado a eleição de Roseana, argumentando que a família Sarney o apoiou durante a crise do mensalão.

Em troca, Roseana apoiara a reeleição de Lula em 2006 e a eleição de Dilma em 2010.

Tudo isso fez a legenda definhar irremediavelmente.

Em 2012, o PT lançou candidato a prefeito em São Luis, o então vice-governador, Washington. Naquela ocasião, o candidato independente do grupo Sarney era Bira do Pindaré, que foi derrotado internamente. Washington havia sindo eleito na chapa de Roseana Sarney, no mesmo clima de subordinação de 2010.

O engraçado é que Flávio Dino, preterido pelo PT, denunciava com veemência indignada a impropriedade da articulação por cima deflagrada por Sarney, para subordinar a legenda.

Agora ocorre situação inversa. O PT tentou candidatura própria para as eleições municipais, rompendo com o grupo de Edvaldo Holanda.

Flávio Dino, com crédito político junto ao PT Nacional, em função da defesa do mandato de Dilma Rousseff, exigiu fidelidade e subordinação, mantendo o legenda no condomínio de Edvaldo. Tudo igualzinho ao Sarney. O ciclo se repete.

Resultado, com o recuo, nem vice de Edvaldo o PT pode mais ser. Roberto Rocha por via indireta trava o sonho do PT e de Bira do Pindaré, numa só tacada. Vai indicando seu filho ao posto de vice de Edvaldo.

E Edvaldo é obrigado a aceitar, senão sai a candidatura de Bira.

E assim o PT do Maranhão segue na sua trista sina de legenda de segunda categoria. O golpe poderia ter produzido outra coisa.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

A Convenção Municipal do PSOL em São Luís





A convenção do Partido Socialismo e Liberdade - PSOL de São Luís ocorreu hoje. Com o ato político formal, o partido dá a largada para participar das eleições de 2016.

O candidato a prefeito é o economista Valdeny Barros. Aline Maria é a vice prefeita. O Partido Comunista Brasileiro - PCB confirmou a coligação e comporá a frente de esquerda.

Os dois partidos aceitam o desafio de apresentar a alternativa de esquerda para a cidade, que padece nos últimos anos com gestões sofríveis.

Além de enfrentar o prefeito Edvaldo Holanda Junior (PDT), que tenta se reeleger, com o apoio de um condomínio de partidos fisiológicos que gravitam em torno do Palácio dos Leões, os dois partidos também terão que enfrentar Eliziane Gama (PPS) e Wellington do Curso (PP).

A diferença entre os três adversários da candidatura do PSOL é mínima e suas contradições são grandes, o que abre espaço para uma alternativa ao eleitorado de esquerda.






O PSOL sustenta seu discurso afirmando o socialismo e a ética, no quadro de profunda crise do sistema político brasileiro. O partido, atuando ao largo dos grandes escândalos que arrastaram um segmento expressivo da esquerda pragmática, é oposição programática aos governos Dino, Dilma e Temer.

Em relação ao último, está engajado no processo de mobilização que denuncia o golpe articulado pela direita, defende a democracia ao mesmo tempo em que se opôs ao ajuste patrocinado pelo Governo Dilma e agora levando a cabo pelo governo Temer.

Dentre suas bandeiras está a mobilidade e a reforma urbanas, temas a partir dos quais formula a crítica às sucessivas gestões que governaram a cidade.






Surge o Movimento por uma Alternativa Independente Socialista - MAIS



Com o racha do PSTU, no dia 23, cerca de 1.200 pessoas, segundo os organizadores, reuniram-se em um clube paulistano para o lançamento do MAIS (Movimento por uma Alternativa Independente Socialista).

O grupo já havia apresentado o manifesto "É preciso arrancar alegria ao futuro", no qual discordava da postura do partido diante da votação do impeachment e chamava a luta contra o governo Temer e por novas eleições gerais'', explicitando suas divergências com a direção nacional do PSTU, que apregoa o "Fora Todos".

O movimento de saída foi significativo (739 militantes, de 20 Estados) e pode se ampliar nos próximos dias, assim como também pode atrair militantes de outras siglas.

A vereadora Amanda Gurgel, de Natal, esteve em São Paulo neste sábado para o lançamento do mais novo movimento de esquerda com os dissidentes. Valério Arcary, histórico militante do PSTU, também está entre os que saem.

Ainda não há confirmação de que o MAIS vai se tornar um partido, mas o grupo já agendou para o início de 2017 uma convenção para decidir os rumos do movimento.

Por enquanto o grupo participará das eleições sob a legenda do PSTU e terá uma postura mais forte em relação às mobilizações em torno do "Fora Temer", não descartando inclusive participação na Frente Povo Sem Medo. 

segunda-feira, 11 de julho de 2016

O Racha do PSTU: "É preciso arrancar alegria ao futuro"


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Nesta quarta-feira (6), um expressivo grupo de dirigentes e militantes do PSTU anunciou seu desligamento do partido.

Entre os signatários do manifesto de rompimento, o respeitado intelectual Valério Arcary e a vereadora potiguar Amanda Gurgel. A sigla, de influência trotskista, elegeu apenas dois parlamentares nas eleições municipais de 2012, dentre eles, a própria Amanda.

No texto do manifesto, um contraponto ao dogmatismo do PSTU, que apoiou o impeachment de Dilma e defende a bandeira do “fora todos”.

Nesse documento, anunciando a ruptura,  720 militantes enfatizam que as divergências cresceram internamente nos últimos oitos meses.

O centro da discussão passa por um debate sobre a necessidade de romper com a marginalidade e o isolamento a partir de um programa ultraesquerdista que nem os trabalhadores estariam dispostos a abraçar.

A conjuntura nacional também reforçou as divergências, com o advento do impeachment. O texto diz:

“Há mais de um ano vínhamos afirmando que era preciso enfrentar, com centralidade, a política de ajuste fiscal do governo Dilma, mas combater também a oposição burguesa que queria derrubá-la apoiando-se em mobilizações reacionárias. Para esta luta, acreditávamos que era necessário construir a mais ampla unidade de ação com todos os setores que estivessem na oposição de esquerda ao governo”.

“Depois que a maioria da burguesia se unificou em torno à proposta de impeachment, a partir de fevereiro de 2016, defendemos internamente que era vital lutar contra esta manobra parlamentar, sem que isso significasse, evidentemente, prestar qualquer apoio político a Dilma. Porque avaliávamos que a derrubada do governo do PT só teria um sentido progressivo se realizada pelas mãos da própria classe trabalhadora, por meio de suas próprias organizações. Ao contrário, se liderada pela oposição de direita, a derrubada de Dilma seria uma saída reacionária para a crise política; deseducaria os trabalhadores em sua tarefa de autoemancipação. A segunda hipótese foi exatamente a que ocorreu”. 

O ponto de ruptura converge com as posições do PSOL e coloca a questão da palavra de ordem "Fora Dilma, Aécio, Temer, Cunha, fora todos eles!", defendida pelo PSTU, como um ponto crítico que impossibilitou a unidade da esquerda brasileira. 

Não comemoramos a fragilização do PSTU e esperamos apenas que a sigla se reencontre para fortalecer nossa unidade, reconhecendo nossas diferenças como parte de um processo que busca o socialismo como utopia orientadora.

O manifesto de rompimento segue abaixo (link http://alegriaaofuturo.com.br/quem-assina/):

"O presente manifesto é assinado por algumas centenas de companheiras e companheiros que no passado fizeram uma aposta militante no PSTU. Temos orgulho de ter dedicado o melhor de nossas forças para essa organização, mas hoje vimos a público comunicar que esta experiência chegou ao fim e que decidimos trilhar um novo caminho. Pertencemos a diferentes gerações, somos veteranos e jovens, mulheres e negros, LGBT's, professores e indígenas, operários industriais e da construção civil, petroleiros e estudantes, ativistas e dirigentes sindicais que constroem a CSP-Conlutas, trabalhadores da saúde e do transporte, desempregados e intelectuais, funcionários públicos e terceirizados.

Há cerca de oito meses, começamos uma batalha por nossas ideias dentro da LIT (Liga Internacional dos Trabalhadores) e sua seção brasileira, o PSTU. Por meio deste manifesto, queremos expressar nossas posições e as conclusões a que chegamos ao longo desse debate.

O que pensamos?

Acreditamos que as dificuldades enfrentadas pelos revolucionários neste início de século 21 encontram sua explicação mais profunda no impacto reacionário da restauração capitalista na URSS, leste europeu, sudeste asiático e Cuba. A ofensiva política, econômica, social, militar e ideológica do imperialismo, os discursos sobre “o fim da história” e a adaptação da esquerda reformista à ordem burguesa não passaram sem consequências. O movimento de massas retrocedeu em sua consciência e organização. E os revolucionários sofreram os efeitos desses anos de confusão e crise.

Mas a história não acabou. A crise econômica mundial de 2007-2008 abriu uma nova situação internacional marcada pela instabilidade e pela polarização política, social e militar. Nesse marco, surgiram fenômenos altamente contraditórios, como a Primavera Árabe, a crise econômica europeia, o conflito militar na Ucrânia, os indignados da Espanha, a ascensão de partidos neo-reformistas como Syriza e Podemos, a crise dos refugiados na Europa, o fortalecimento da direita em várias partes do mundo, as manifestações na Grécia, as lutas antiproibicionistas e pelo direito à cidade encabeçadas pela juventude, o declínio dos governos de colaboração de classes na América Latina, o avanço do fundamentalismo islâmico e cristão, o ascenso da luta antirracista, feminista e antilgbtfóbica no mundo inteiro, as jornadas de Junho de 2013 no Brasil, a guerra civil na Síria, a crise do euro e da União Europeia, o atual ascenso francês e tantos outros.

Assim, a nova situação mundial abre importantes perspectivas aos socialistas. Mas é preciso saber atuar. Acreditamos que a postura dos revolucionários diante da reorganização da esquerda deve ser firme, porém, paciente. Porque o caminho da autoproclamação nos condenaria à marginalidade. Porque sabemos que o isolamento, a condição de minoria e a luta contra vento e maré durante tantas décadas deixaram em todos nós cicatrizes, reflexos sectários que devemos ter a coragem de superar.

Pensamos que a simples apresentação de um programa revolucionário não é o bastante para construir uma organização marxista. O decisivo é que esse programa seja ouvido, que lutemos por ele em cada espaço, que ele seja compreendido e aceito pelas massas e sua vanguarda. Não superaremos a marginalidade com um programa ultraesquerdista, que os trabalhadores não estão dispostos a abraçar, ou que, às vezes, nem sequer compreendem.

No terreno da política nacional, por sua vez, as diferenças não foram menores. Há mais de um ano vínhamos afirmando que era preciso enfrentar, com centralidade, a política de ajuste fiscal do governo Dilma, mas combater também a oposição burguesa que queria derrubá-la apoiando-se em mobilizações reacionárias. Para esta luta, acreditávamos que era necessário construir a mais ampla unidade de ação com todos os setores que estivessem na oposição de esquerda ao governo e, se possível, dar a esta unidade uma forma organizativa: uma frente de luta ou terceiro campo alternativo ao governo e à oposição de direita.

Depois que a maioria da burguesia se unificou em torno à proposta de impeachment, a partir de fevereiro de 2016, defendemos internamente que era vital lutar contra esta manobra parlamentar, sem que isso significasse, evidentemente, prestar qualquer apoio político a Dilma. Porque avaliávamos que a derrubada do governo do PT só teria um sentido progressivo se realizada pelas mãos da própria classe trabalhadora, por meio de suas próprias organizações. Ao contrário, se liderada pela oposição de direita, a derrubada de Dilma seria uma saída reacionária para a crise política; deseducaria os trabalhadores em sua tarefa de autoemancipação. A segunda hipótese foi exatamente a que ocorreu.

Debatemos estas e outras diferenças lealmente durante quase um ano. Não obstante, foi atingido um ponto de saturação. Quando as diferenças se fazem insolúveis, quando a possibilidade de síntese se esgota, quando as discussões se tornam intermináveis e as polêmicas improdutivas, o perigo da desagregação passa a ser maior que tudo. Chegamos à conclusão que o prosseguimento do combate ameaçava com uma ruptura abrupta e desorganizada. Para preservar o maior patrimônio de qualquer organização, seus militantes, optamos por encerrar a luta e oferecer uma saída organizada para a crise. Deixamos o PSTU.

Reconhecemos o PSTU como uma organização revolucionária. Não pensamos que é menos revolucionário agora do que antes. Mas às vezes é impossível aos revolucionários pertencer a uma mesma organização. Apostamos na possibilidade de uma separação amigável, e portanto exemplar, muito diferente das rupturas explosivas e destrutivas que o passado tanto viu. Mantemo-nos, por isso, nos marcos da Liga Internacional dos Trabalhadores, na qualidade de seção simpatizante.

O que queremos?

Ao mesmo tempo em que nos desligamos do PSTU, reafirmamos nossa disposição em continuar a luta pela revolução socialista em uma nova organização nacional. Reconhecemos a ação consciente e organizada como a mais eficaz. Sobre a base do marxismo, da teoria leninista de organização e de toda a experiência histórica do movimento operário e socialista mundial, queremos construir algo novo. Admitimos sem soberba, com sincera humildade e respeito, que não somos os únicos revolucionários no Brasil ou no mundo.

Somos um pequeno ramo da grande árvore do marxismo revolucionário mundial. Reivindicamos as resoluções dos quatro primeiros congressos da III Internacional; defendemos a teoria da revolução permanente e o Programa de Transição de Leon Trotski; nos colocamos a serviço da reconstrução da IV Internacional; abraçamos a herança do trotskismo latino-americano que teve em Nahuel Moreno seu principal dirigente e organizador; defendemos um marxismo ao mesmo tempo rigoroso na utilização dos conceitos e aberto na interpretação dos novos fenômenos; acreditamos que os socialistas devem estar na primeira fileira do combate ao machismo, à lgbtfobia e ao racismo, principalmente num país que traz na sua história a triste marca de quatro séculos de escravidão e que é um dos que mais mata mulheres e LGBT's no mundo; vemos a revolução socialista, em primeiro lugar, como processo de autoemancipação dos trabalhadores, com a classe operária à sua frente; entendemos que o revolucionário é, em primeiro lugar, um rebelde, e por isso o regime interno de uma organização marxista deve se caracterizar tanto pela disciplina na ação, quanto pela ampla liberdade de discussão, e que esses dois aspectos não são contraditórios, mas sim complementares e inseparáveis.

Rejeitamos qualquer tentativa de reeditar, trinta anos depois, a experiência reformista do PT, como faz hoje a direção majoritária do PSOL. A redução da luta de classes à luta parlamentar, as alianças com os setores supostamente progressivos da burguesia nacional, a transformação dos deputados, senadores e prefeitos em figuras todo-poderosas, que só devem satisfações a si mesmos – tudo isso já foi feito. E fracassou. Não trilharemos este caminho.

Sabemos que a degeneração política do PT e a corrupção de seu aparelho alimentam uma saudável desconfiança entre os lutadores jovens que não querem ser manipulados como a vanguarda da geração anterior. Aos milhares, os ativistas se perguntam como controlar suas próprias organizações. E têm razão! Porque o tempo da ingenuidade e da credulidade nos líderes precisa ficar para trás. Queremos uma organização em que não haja lugar para os arrivistas, os oportunistas, para aqueles que querem obter vantagens e benefícios pessoais. Queremos entre nós os despojados de pretensão, os desapegados de ambição, os desprendidos de vaidade.

A luta é aqui e agora

O maior desafio de nossas vidas, o sentido de nossa militância, é a realização e o triunfo da revolução socialista brasileira. A classe trabalhadora e o povo oprimido devem se elevar à altura do combate que a história convoca. Treze anos de governos do PT demonstraram de forma irrefutável que a estratégia de regulação do capitalismo através de minúsculas reformas social-liberais conduziu o país a um verdadeiro desastre. A direção do PT é a primeira responsável pela tragédia que se abate hoje sobre a classe trabalhadora brasileira. Lula e Dilma traíram o sonho dos trabalhadores, enterraram-se a si próprios e abriram o caminho para Michel Temer e Henrique Meirelles. A verdadeira libertação dos explorados e oprimidos passa, portanto, pelo combate à conciliação de classes promovida pelo PT e pela retomada de uma estratégia de ruptura revolucionária da ordem.

A crise e posterior falência estratégica do PT, tão evidentemente demonstrada nas jornadas de Junho de 2013 e no episódio do impeachment, colocam para a esquerda marxista brasileira o dilema de sua própria crise, de sua própria marginalidade, de sua própria fragmentação. Os calendários eleitoral e sindical não comportam mais as lutas que vêm ocorrendo. É preciso uma saída estratégica. É nesse sentido que precisam trabalhar os marxistas revolucionários.

Mas as lutas dos explorados e oprimidos não podem esperar. Elas estão ocorrendo aqui e agora. Para que elas sejam vitoriosas, precisam ser cercadas da mais profunda solidariedade, em torno a elas deve ser construída a mais ampla unidade.

Essa unidade na ação prática, na luta comum, passa hoje, em nossa opinião, pela bandeira do Fora Temer, quer dizer, a luta contra o governo de plantão e suas medidas. Sem a unidade dos movimentos sociais combativos em torno a essa tarefa decisiva, corremos dois perigos. O primeiro é que o impulso de todos esses enfrentamentos parciais se disperse, pela ausência de uma estratégia geral comum. O segundo é que os combates específicos sejam apropriados pela direção do PT em seu projeto de voltar ao poder com uma nova candidatura Lula. Ou seja, a velha chantagem do mal menor. A maior tarefa da esquerda anticapitalista, portanto, é abrir o caminho para outra saída política. E ela pode ser construída desde já. Nenhum dos partidos e organizações da esquerda combativa pode hoje, por si só, oferecer esta saída.

Para ser efetiva, essa saída precisa ser construída de fato por todas as correntes e organizações combativas do movimento social, por todos que desejam sinceramente conformar esse terceiro campo alternativo da classe trabalhadora.

Defendemos a unidade deste terceiro campo também nas eleições municipais de 2016. Propomos ao PSTU, ao PSOL, ao PCB, às organizações políticas que não possuem legalidade e aos movimentos sociais a construção de uma Frente de Esquerda e Socialista, com um programa de ruptura com os planos de ajustes que são aplicados por todos os governos e prefeituras. Nos colocamos desde já a serviço dessas grandiosas tarefas.

Queremos, enfim, construir uma organização que resgate a grandeza e a integridade do projeto socialista; uma organização que seja digna da memória daqueles que vieram antes de nós e entregaram suas vidas na luta pela igualdade social; uma esquerda revolucionária não-dogmática, que não se acomode nas poltronas de couro dos gabinetes parlamentares, mas que combata também o corporativismo e o burocratismo dos sindicatos, que priorize a luta direta das massas, que dialogue com a ampla camada de ativistas surgida no último período, que seja capaz de influenciar verdadeiramente os rumos da luta de classes no país, de inspirar confiança e esperança novamente.

O desafio é gigantesco, mas temos confiança que podemos, como dizia o velho poeta Maiakovski, “arrancar alegria ao futuro”. É chegada a hora de ousar. Mais do que nunca, é preciso lutar, é possível vencer.

Os assinantes do presente manifesto convidam também a todas e todos para o ato nacional de lançamento da nova organização, que ocorrerá no dia 23 de julho, sábado, na cidade de São Paulo. Horário e local a confirmar.

Viva a luta dos explorados e oprimidos do mundo inteiro! Viva a revolução! Viva o socialismo!"


Assinam:

São Paulo



Aldo Sauda Alessandra Fahl Cordeiro Alex Henrique Alex Raval Alexandre Fusco Aline Klein Amanda Menconi Amanda Souza Ana Carolina Morais Ana Clara Toni Ana Lara Pereira Ana Lucia Marchiori André Azem André Foca André Ramiro Andresa Santos Antonio Francisco Ferreira (Ferreirinha) Antonio Junior Antonio Pereira Arielli Tavares Arthur Valente Be Mosken Beatriz Benetti Beatriz Linzmayer Bento Damaceno Bernardo Boris Beth Lima Bruna Alem Santinho Bruna Quinsan Bruno Alves Bruno Siqueira Cadu Dall'agata Caetano Caio Dias Garrido Caio N. Abreu Camila Ferreira Camila Lisboa Carla Pradini Carlos Daniel “CD” Toni Carol Coltro Carolina Freitas Cathiene Domingos César Augusto Chantal Liegeois Cíntia Senhora Cláudia Souza Daiane de Fátima Curi Daniel Danilo Zanelato Dayana Teixeira Diego Vilanova Doni Silva Edgar Fogaça Edgar Passos Edson Silvério Eduardo Casteluci Eduardo Loeck Elber Almeida Eli Moraes Eliana Nunes Eliana Penha Elisângela Rodrigues Ernesto Roberto Korda Evelyn Everaldo Becker Everton Bertucchi Fabiana de Abreu Fabiana Salander Amaral Fábio Lopes Fabio Masselani Fabio Resende Fabio Torres Fabiola Calefi Fátima Fernandes Fátima Guimarães Fausto Fernando Esteves Filipe Augusto Flávio Stonewall Francisco Noronha de Oliveira Fransergio Noronha Friza Gabriel Casoni Genilda Souza Genivânia Gilberto Souza Gisele Falcari Gisele Peres Gisele Rosa Giulia Castro Glauber Girotto Gláucia Ferreira Gleice Barros Guarulhos Guilherme Pupo Guirá Borba Gustavo Linzmayer Gustavo Viana Helena Duarte Marques Hélio Konishi Henrique Canary Henrique Iglecio Hosana Silva Iara Larissa de Deus Dantas Iracema Santos Isabel Fuchs Isolda James de Paula Janaína Oliveira Jaqueline Quadros Jean Dias Jefferson Dias Jéssica Augusti Jessica Marques Jéssica Milaré João Daniel João Gabriel Tury Joao Pedro Buzalski João Ricardo Machado João Zafalão Joel Paradella Jorgiana Lozano José Perestrelo Josué Ribeiro Lima Joyce Camila Joziel Santos Jucinaldo Azevedo Juliana Donato Karina Lourenço Larissa Vasques Leandro Olímpio Leonardo Knijnik Leonardo Knijnik Letícia Alcântara Letícia Pinho LG Porfírio Lheô Shiroma Lígia Carrasco Lígia Lopes Gomes Lincoln Schwingel Lisa Costa Lívia Puglia Lourdes Quadros Lucas Almeida Lucas Brito Lucas Milanez Luciana Nogueira Luísa Daher Luisa Davola Luiz Fernando Cassanho – Barba Luiz Tombini Luma Feboli Lurdinha Pavam Manuela Moraes Marcela Carbone Marcelo Calorio Marcio V Bottini Marco Aurélio Marco Lopes Marcos Vinícius Simões Mari Mendes Maria Alves Maria Aparecida Silva Maria Carolina Maria Lobato Maria Luiza Ferreira Maria Tereza Moro Mariana Caetano Mariana Medeiros Mariana Percia Mariana Soléo Marina Sassi Martha Piloto Mateus Fávero Matheus Maurício Félix Mauro da Silva Inácio Mauro Puerro Mayara Conti Michel Torres Miguel Minos Murilo Magalhães Natália Borges Natália Sierpinski Natalício Santos Nelson Novaes Noraldino de Castro Neto Ovídio B Vieira Ozzi - Stephano Azzi Pamela Cristina Patricia Aun Patricia Lima de Oliveria Paula Nunes Paula Pascarelli Paulo Aguena “ Catatao” Paulo Bosso Pedrão - Pedro Cursio Pedro Augusto Nascimento de Almeida Pedro de Azevedo Pierre Fernandez Rafael Bedóia Rafael Emídio Rafael Santos Raira Coppola Raiza Rocha Raphael Guedes Raquel Galino Raquel Reis Renan Renata Belzunces Renata Contesini Renatão - Renato Bento Luiz Renato Fernandes Renato Pavam Ribeiro de Azevedo Ricardo Ricardo Monteiro Richard Araújo Rita G Brarros Rodolfo Soares Moimaz Rodrigo Corrêa Rodrigo Maluf Rodrigo Ricúpero Roger Reis Ronaldo Mota Rosa Araujo Rosemar Silva Rubens Sandra Esteves Shuellen Peixoto Silvia Ferraro Sirlene Maciel Solange cruz Soraia Neves Stella Susana Antunes Tales Machado Tamires Chorban Tati Ribeiro Tatiana Queiroz Thaís Zappala Thaize Chagas Thales Migliari Thiago Alves Thiago Leal Thiago Mahrenholz Thomaz Campacci Valdemir Cerqueira Valério Arcary Vanessa Madeira Vanessa Monteiro Vânia Helena Venâncio Cesar Favero Verena Victor Akira Victor Bicalho Victoria Ferraro Lima Silva Vilson Antonio Fiorentin Vinícius de Matos Vinicius Pereira Vinícius Zaparoli Vivian Alves Waldo Mermelstein Xandy Araújo Yuri Lueska

Rio Grande do Norte

Amanda Gurgel Andreza Kaylyny Artur Emiliano da Cruz Gomes Emy Magalhães Felipe Nunes Geni Laís (Luci) Gustavo Sixel Juary Chagas Juliana Augusto Luana Soares Lucas Alvergas Maurício Moreira Vitor Hugo Vittor Gois

Ceará

Adriana dos Santos Aloísio Macedo Ana Angélica Ana Cecilia Alencar Andreysson Silva Mariano Antonio Alves Pereira Artemis Martins Aruska Patricia B. Santos Beth Freire Camila Chaves Cindy Brandão Silvério Cláudio Ferreira do Nascimento Coulbert Antônio Fargnoli Daniel Furtado Domingo Neto Emmily Amorim da Silva Erico Bernardo Euclides Agrela Evannia Benjamin Fabio José Queiroz Fernando Castelo Branco Flavio Patricio Francisco Corredor Clesiberto Francisco de Assis Silva Araújo Francisco Edneudo Francisco Ednilson de Freitas Fred Bruno Gabriela Ruiz George Bezerra Germano Wicla Teixeira Gilberto Sales Henrique Eduardo Barroso Moreira Herbert Saboia Hildo Régis Iara Lopes Oliveira Isabel Cristina de Freitas lima Italo Coelho Alencar Jane Mara Ximenes Sousa Jane Raysan Jarir Pereira José Antonio Bento José Antonio Ribas José Benone José Naldo José Pereira Sousa Sobrinho Jovania Portela Lara Borges Lucas Ribeiro Lucélio Morais de Sousa Luís Cláudio Silva Luis Eduardo Luis Guilherme Luiz Fabrício Manoel Farias Manoela Freitas Lino Marcel Lima Cunha Marco Antonio da Silva Pereira Maria de Santana Costa Maria Helena Maria Rute Araujo Freitas Natalia Ayres Natalia Lídia Nericilda Rocha Nestor Bezerra Niagara Vieira Soares Cunha Nilziane Bezerra Ribeiro Ohana Alencar Pâmela Paulo Paula Farias Pedro de Aquino Pedro Renan Santos de Oliveira Rafael Raone Raimundo Rodrigues Dico da Cruz Ramó Alcantara Raquel Dias Renata Jatai Roberto da Paz Rute Thiago Celestino da Silva Thiago Chaves Sabino Valdir Alves Pereira Wildon Batista Silva Zeuza Maria Freitas Lima A. Rodrigues Alessandro Reinaldo Augusto Nobre Edson Xavier Filipe Dantas Ítalo Aquino João Adolfo Bandeira Luana Villar Maria Almeida Petrônio Alencar Roberta Rocha Zuleide Queiroz

Rio de Janeiro

Adriano Carmelo Alexandre Vander Velden Artur Peccin Badauí Jorge Carol Birrer Carol Burgos Cintia Teixeira Clara Saraiva Dharani Coppola Diego Gouveia Diego Soares Elena Veríssimo Fael Miranda Gabriel Ferreira Gabriel Vilaça Gibran Jordão Gilberto Mira – Gil Igor Dantas Isabela Blanco Ivanilda Reis Julia Almeida Katinha Ferreira Leandro Santos Leonam Carvalho de Souza Marcia Paula Macedo Michelle Capone Moara Souza Natalia Conti Natália Russo Patrick Galba de Paula Rafael de Aquino Renan Costa Paes Thomas Vidal Vicente Saraiva Daniel Tomazine Marcello Bernardo Thalles Leopoldo Adérson Bussinger Carvalho Alexandre Aguena Beto Della Santa Danielle Sampaio Diogo Oliveira Gustavo Fagundes Higson Coelho Natália Tuler Nayara Assunção Rodrigo Noel Saint Clair Luiz do Nascimento Neto Samantha Souza Sonara Costa Viviane Ramos Palma Andrey Bertolo Gizelya Morais Ione Carvalho Jean Michel Karolina Nycz Lucas Souza Mateus Ribeiro Miguel Frunzen Tamiris Rizzo Thais Brito Valéria Docillio

Minas Gerais

Adnalva Alves Agatha Rotelli Alexandre Zambelli Andressa Moreira Baiano Bernardo Lima Carine Martins Carla Alvim Daniel Wardil Davi Landau Denisia Aparecida Diego David Edson Salles Efraim Moura Elida Filipe Raslan Geralda Maria Gloria Trogo Isabela Pennini Izabella Lourenço John Anderson Lirian da Consolação Livia Furtado Lucas Ferreira Luiza Diniz Marcio Diogo Maria Aparecida de Oliveira Maria da Conceição Matheus Almeida Nelson Junior Pedro Valadares Rayane Guedes Suely Maria Aline Vieira Ana Emilia Carvalho Arthur Duarte Felipe Fonseca Felipe Valente Gustavo Campos Lorene Figueiredo Mariana Almeida Patricia Duarte Patricia Mafra Tallia Sobral

Rio Grande do Sul

Adriele Albuquerque Alexandre Wood Altemir Cozer Ana Laura André Simões Artemi Fagundes Chico da Silva Davi Dietrich Deborah Xavier Diego Braga Felipe Pereira “Fefo” Hilda Dobal Mara Souza Maria Helena Martina Gomes Matheus Gomes Morghana Benevenuto Pedro Oliveira Rodrigo Bocão Sarah Arnold Tanisi Rocha Vinícius Lima William Boenavides William Gonçalves Geovanna Dutra “Gika” Jeferson Cavalheiro Douglas Alves

Pará

Abel Ribeiro Alexandre Favacho Altobelly Rosa Amanda Ferreira Andréa Neves Angela Azevedo Ápio Dias Cleide Santos Danilo Costa Emerson Monte Érica Ferreira Fabrício Braga Gizelle Freitas Glailson Santos Ítalo Laredo Josyanne Quemel Juliana Damasceno Luana Paranhos Luiz Henrique Maria de Fátima de Aguiar Guilherme - Fafá Marlon George Moacir Miranda Norma Affonso Paulo Braga Paulyane Ramos Rodrigo Gomes Rogério Freitas Socorro neves Sueny Moura Tais Ranieri William Mota

Bahia

Abraão Penha Ana Luísa Martins Ana Paula Medeiros Anderson Carvalho Carlos Zacarias Caroline Sales Dalton Francisco Elson Sampaio Felix Gabriela Mota Gil Daltro Gleide Davis Gustavo Mascarenhas Marques Henrique Saldanha Jean Montezuma Jeciné Nascimento Joallan Rocha Josias Porto Lana Bleicher Maurício wiering Marcos Vinicius Ribeiro Monique Carneiro Priscila Costa Rafael Guimarães Renata Mallet Roseli Afonso Vladimir Arce Wellington Gardin Zózina Almeida André Freire Beatriz Fernandes Carlos Nascimento Elisa (Isa) Gonçalves Matheus Quadros Pedro Porfírio Cristina Santos Danilo Santana Davidson Luís Brito Karen Oliveira

Alagoas

Adriano Diamarante Adrícia Bonfim André Albuquerque André Pedrosa André Praxedes Beatriz Santos Brunna Moraes Davi Menezes Delanisson Araujo Eduardo Santos Elisa Alves Ellen Morais Elson Lima Ewerton Souza Felipe Sales (Bata) Fernanda Macêdo Francisco Alberto Gabriel Santos Geice Silva Geysson Santos Gustavo Leão Hammel Phillipe Hitallo Viana Jaison Xanchão João Lima Júlia Farias Jully Ramos Keise Brito Laise Pereira Larissa Oliveira Léo Bulhões Luciane Araújo Paulo Bob Raffaela Gomes Reinaldo Luna Rhary Oliveira Rodrigo Cruz Saulo Theotônio Shirlya Lima Tâmara Marie Vitória Santiago Whendell Magalhães Wibsson Ribeiro Yuri Lira

Pernambuco

Aldo Lima André Brenner André Oliveira Bruna Bezerra Diogo Xavier Everton Melo Ewerton Cunha Filipe Gondim Iris Rodrigues Ismael Feitosa José Cosme Kaline Rebeca de Lemos Malaquias Nise Santos Pedro Viegas Rafael Baltar Raissa Bezerra Rebeca Gondim Thiago Pereira Santos Victor Soares

Paraná

Gabriel Paiva Márcia Farherr Nicolas Pacheco Afonso Reno Alisson Matins Bete Candido Carla Cobalchini Débora Santos Eliane Graciano Elita Moraes Eric Gil Evandro Castagna Januza Borba Jéssica Miranda José Carlos de Assis Karen Capelesso Letícia Faria Marcello Locatelli Marcos Vinicius Mariane de Siqueira Marília Lauther Mateus Magalhães Paula Alvarenga Paulo Amaral Rodrigo Tomazini Bia João Jorge Maurício Pedro Ângelo Felipe Ponte Laercio Lorena Tom Fuzetto

Brasília

Ademar Lourenço Ana Maria Libório Antonio de Castro (Toni) Clara Martins Clarissa Araújo Edson Alexandre Gabriel Otavio Jadson Lima José Gonçalves (Jacó) Karine Alfonseca Luana da Costa (Negra Lua) Magno Pereira Marylia Alves Mayara Castro Mychel Sousa

Maranhão

Ailton Penha (Magrão) Ana Paula Martins Ana Raíssa Rodrigues Bianca Diniz Cássia Millene Gilvan Azevedo Jheny Maia Luiz Chaves Noleto Maria Dolores Silva Maria Rosane Torres Micael Carvalho Regina Sheila Bordalo Rielda Alves Serginaldo Lima

Sergipe

Bergson Marinho Cilene Santana Danilo Campos Erílio Bispo Michelle Félix Raquel Sousa Toeta Valéria Lezziane Victor Hugo Costa Zeca Oliveira

Santa Catarina

Bruno Zabot Pacheco Luiz Felipe Zimmermann Matheus Silva Nicollas de Souza Silva Victor Wolfgang Kegel Amal “ Ambev” Vitor Rollin Prudêncio “ Xuxa” Vitor Santos

Amazonas

Rao Leminski Williamis Vieira

Piauí

Gisvaldo Oliveira Ramses Pinheiro Renato Rodrigues

Goiás

Daniel Kraucher Deyner Batista Felipe Nicknig Hemanuelle Jacob Herick Araújo Pedro Henrique Martins

Amapá

Ailton “Mão” Alinne Brito Cynthia Diniz Marcão

Paraíba

Janaína Bezerra Marcelino Rodrigues

Espírito Santo

Janaína Agra

Eleições de São Luis: como era de se esperar

Nos últimos dias, dois elementos de conjuntura que influenciarão as eleições em São Luís.

O primeiro, a declaração do secretário estadual de Comunicação e Articulação Política do governo Flávio Dino, Márcio Jerry (PCdoB), anunciando por meio de sua conta pessoal do Twitter que o governador do Maranhão, apoia três candidatos a prefeito na capital maranhense: Edivaldo Holanda Júnior (PDT), Eliziane Gama (PPS) e Bira do Pindaré (PSB).

Por esse prisma, o deputado Wellingon do Curso (PP) estaria fora do condomínio, embora venha crescendo nas pesquisas. Esse deputado compôs a coalização que apoiou Flávio Dino para governador e nos últimos meses vem desenvolvendo carreira solo na Assembleia Legislativa, tecendo críticas contundentes ao prefeito Edvaldo Holanda Junior (PDT).

Por que Wellington não é menos confiável do que Eliziane Gama para Flávio Dino não me pergunte.

Na verdade, o governo não tem interesse agora numa possível aproximação com Wellington por vários motivos: não tem grupo, não tem posição política definida a respeito de quase nada. É uma incógnita.

Dino sabe que o prefeito Edvaldo Holanda está em dificuldades, por isso buscou ampliar o leque de possibilidade para manter vivo seu projeto político. Não me pergunte também que projeto político é esse, porque a sociologia política ainda está estudando esse curioso percurso eleitoral. Só para ter uma pequena amostra das contradições desse projeto, Eliziane (PPS) e Bira (PSB) são filiados a partidos políticos que apoiam o golpe contra Dilma Roussef, ardorosamente defendida por Dino.

O segundo elemento de conjuntura foi o resultado da plenária de tática eleitoral do PT de São Luís. Apesar do rapapé em favor da candidatura única, manteve-se a previsão pessimista em relação à recuperação ideológica do partido. Neste domingo, a sigla resolveu aderir à candidatura de Edvaldo Holanda Junior, descartando a possibilidade de candidatura à esquerda.

A plenária simplesmente confirmou que o PT não tem mais condições, em muitos Estados, de retomar o projeto político propriamente de esquerda. No Maranhão, continuará sendo um satélite do conservadorismo que já levou à deposição sua presidenta da República. 

Engolido pelo fisiologismo do PCdoB e esvaziado de qualquer conteúdo ideológico, a legenda tende não apenas a desparecer eleitoralmente mas ideologicamente. 

Do ponto de vista prático, não há ainda alternativa política na Capital. Depois de um ano e sete meses de Governo Dino, até a polarização com o grupo Sarney parece hoje sem sentido profundo, tão semelhantes são as práticas políticas e até as estratégias de permanência no poder.

Por essa razão insistimos em construir um campo político independente, de fato.